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Após viver 10 anos em hospital, menino volta para casa

Após viver 10 anos em hospital, menino volta para casa

14 outubro 2011 - 16h20
R7

Emoção e muita felicidade marcaram a despedida do menino Haysllan Gonçalves Gomes, de 10 anos, da Unidade de Pediatria do Hospital Regional de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde morou durante praticamente toda a sua vida. Foram dez anos de espera para que, enfim, ele fosse para casa viver com os pais e o irmão caçula. Mesmo fora da unidade de saúde, ele vai receber acompanhamento médico por meio de um programa da prefeitura.

O garoto é vítima de uma doença genética rara chamada distrofia muscular miosina negativa. Os sintomas começaram a aparecer em Haysllan quando ele tinha apenas 16 dias de vida e resultou em uma série de limitações físicas, além de causar a necessidade de internação com o auxílio permanente de um aparelho para ajudar a respirar.

Funcionários do hospital e familiares garantem que o maior sonho dele sempre foi ir para casa, para morar na companhia dos pais e do irmão mais novo, Ruhan Pablo Gonçalves Dias, de 8 anos. “Quero ele em casa, para a gente poder brincar juntos”, disse o caçula.

Entre discursos e depoimentos de diretores, políticos, médicos e familiares, o momento em que Haysllan pegou o microfone e com dificuldades para falar se despediu da equipe médica, foi o suficiente para que todos que estivessem ao redor deixassem algumas lágrimas escorrerem pelo rosto. “Quero agradecer a vocês, que me deram muito carinho. Estou feliz por ir embora. Mas eu volto pra visitar vocês”, disse ele, que também recebeu a vista do Raposão, mascote do Cruzeiro, time para o qual torce.

Haysllan nasceu em janeiro de 2001 e com apenas 16 dias de vida teve que voltar para o hospital, de onde saiu apenas algumas vezes para fazer uma visita à casa onde moram os familiares. O pai, Pedro Paulo Gomes, de 41 anos, não conseguia esconder a felicidade de poder levar o filho para cada depois de mais de dez anos. “É a coisa que eu mais quis na minha vida. O sonho virou realidade”, disse.

A mãe Hosana Gonçalves Gomes, de 31 anos, também não conseguia tirar o sorriso que estava estampado no rosto. Ela chegou a passar três anos com Haysllan no hospital, mas depois teve que alternar os dias de visitas para cuidar do outro filho. “No começo foi muito complicado para a gente ter que aceitar que nosso filho não poderia ir para casa. Hoje não tenho nem como agradecer a toda a equipe que cuidou dele com muito carinho”.

Levado para a casa por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Haysllan foi recebido por vizinhos, primos e outras crianças. Lá, ele pôde conhecer melhor o novo quarto, que conta com um aparelho de ventilação.

A fisioterapeuta responsável pelo atendimento do garoto, Clara Dias Stradioto, disse que, apesar da doença, a inteligência dele vai ser fundamental para o tratamento em casa. “Treinamos os pais para poderem mexer com calma nos aparelhos de respiração. Vou até a casa dele uma vez por semana apenas para monitorar o quadro respiratório e passar exercícios. Acompanhei o Haysllan durante quatro anos, ele é muito carismático. Vou sentir saudades”, disse.

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