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Atolada em dívida, São Fernando gastou R$ 747 mil em obra de sítio em Atibaia, diz MPF

Atolada em dívida, São Fernando gastou R$ 747 mil em obra de sítio em Atibaia, diz MPF

23 março 2016 - 09h45Por Folha de São Paulo
Atolada em dívidas e à beira da falência, a Usina São Fernando, que tem como principal controlador o pecuarista sul-mato-grossense José Carlos Bumlai, amigo pessoal do ex-presidente Lula, teria desembolsado quase R$ 800 mil para reforma do sítio Santa Bárbara, na cidade de Atibaia (SP).

A propriedade está nos nomes de Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios de um dos filhos do ex-presidente. Segundo a Folha de São Paulo, o MPF (Ministério Público Federal) afirma que a usina gastou R$ 747,4 mil na reforma do sítio naquela época e que a OAS pagou outros R$ 170 mil em mobília.

Também diz que a Odebrecht deslocou uma equipe para a obra e que o engenheiro da empreiteira Frederico Barbosa procurou manter em segredo sob sua identidade, emitindo notas fiscais em nome do arquiteto douradense Igenes Irigaray Neto.

Além do dinheiro empregado pela usina e outras empreiteiras, segundo a Folha de São Paulo, policiais federais acharam no apartamento do de Lula um arquivo com cerca de 130 recibos de materiais de construção comprados para a reforma do sítio e que somam R$ 66,1 mil.

Também encontraram uma nota fiscal de uma porta de correr, entregue em Atibaia, em que consta como cliente um engenheiro da empreiteira Odebrecht.

Os documentos datam dos primeiros meses de 2011, quando foram feitas as benfeitorias na propriedade. Os recibos estão em nome de Neto, que naquela época trabalhou para o pecuarista José Carlos Bumlai.

O pecuarista é suspeito de ter arcado com os gastos de benfeitorias do sítio naquela época, junto com a Odebrecht e a OAS. Nos comprovantes, que em valores atualizados somam R$ 90,6 mil, também é citado o caseiro Élcio Vieira, conhecido como Maradona.

Os papéis foram expedidos pela loja Depósito Dias, cuja ex-proprietária disse à Folha de São Paulo em janeiro que a Odebrecht gastou, só em materiais, cerca de R$ 500 mil com a reforma do sítio.

A nota fiscal da porta de correr de madeira, no valor de R$ 6.150, está em nome do engenheiro civil Paulo Henrique Kantovitz, empregado da Odebrecht. A empresa vendedora da porta é de São Paulo e fez a entrega no Depósito Dias, em Atibaia. A aquisição foi em fevereiro de 2011.

Todos os papéis foram recolhidos pela PF na ação de busca no apartamento do ex-presidente, em São Bernardo do Campo (SP), no último dia 4, quando Lula também foi alvo de um mandado de condução coercitiva. As notas e recibos foram anexados em um inquérito que teve o sigilo levantado na semana passada por ordem do juiz federal Sergio Moro. Nos autos, não há nenhuma conclusão dos investigadores sobre esses documentos.

Além do conjunto de recibos emitidos pelo Depósito Dias, há ao menos duas notas fiscais em nome de Rogério Aurélio Pimentel, ex-assessor da Presidência. Uma delas é de uma capa de piscina, comprada na mesma época, por R$ 1.100. Um outro comprovante anexado, de gastos em uma vidraçaria, também está em nome de Irigaray. Ela se refere a uma compra de R$ 5.000.


SÃO FERNANDO ATOLADA EM DÍVIDA

No final do ano passado o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social) ingressou com pedido de falência imediata ao grupo São Fernando. A medida tomada pela Justiça de Dourados em novembro seria pelo não pagamento de uma dívida de aproximadamente R$ 300 milhões do grupo com o banco.

Outro pedido por parte do BNDES já havia sido protocolado em agosto de 2015 na 5ª Vara Cível do município. Entre os anos de 2008 e 2009, o banco teria feito dois financiamentos ao empresário José Carlos Bumlai, principal controlador da usina e preso desde novembro passado.

Neles, destinado à empresa, foram liberados R$ 395,2 milhões. Em outro caso, três anos mais tarde, o banco disponibilizou mais R$ 101 milhões para a São Fernando Energia, que tinha como objetivo produzir energia através do bagaço da cana.

Parte das dívidas foram quitadas, porém, há pelo mais de um ano não houve qualquer registro de pagamento por parte da empresa ao credor.

Na época, segundo o jornal Folha de São Paulo, os advogados da empresa disseram que o grupo São Fernando tem "envidado os melhores esforços no cumprimento de seu Plano de Recuperação Judicial" e alegam que a premissa do BNDES é equivocada.

A dívida total da empresa atualmente seria de R$ 1,2 bilhão.

CRISE

Há mais de dois anos a Usina São Fernando passa por grave crise financeira. Em julho de 2014, 49% da empresa foi comprada por um grupo de investidores dos Emirados Árabes Unidos e mesmo assim as dificuldades em se liquidar as dívidas continuaram.

Já em setembro do mesmo ano, produtores rurais de Dourados e de Laguna Carapã estariam com dificuldades para receber pelas terras arrendadas.

A situação passou a ficar mais crítica em 2015, com a empresa encontrando dificuldades inclusive de pagar o salário de funcionários.

O Dourados News também mostrou que os trabalhadores da usina estariam sofrendo com os cortes de convênios médicos e comerciais, além das demissões sem a verba indenizatória.

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