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Cada centavo economizado na Saúde irá para assistência da população, diz novo ministro da saúde

03 janeiro 2019 - 08h00Por G1

O novo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) ontem (2/1), durante cerimônia de transmissão de cargo, que "cada centavo" economizado pela pasta ao longo de sua gestão irá para a assistência da população.

Médico e ex-secretário de Saúde de Campo Grande, Mandetta estava no segundo mandato de deputado federal e não disputou as eleições deste ano. Ele tomou posse tomou posse oficialmente como ministro em cerimônia realizada logo após o novo presidente da República ser empossado. Nesta quarta, o seu antecessor na pasta, Gilberto Occhi, transmitiu o cargo a ele.

Entre as autoridades presentes à cerimônia estavam os ministros Osmar Terra (Cidadania), Tereza Cristina (Agricultura) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), além do novo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e parlamentares.

Em seu discurso, o novo ministro declarou que sua gestão será pautada pela redução de gastos. "Cada centavo economizado por esse ministério tem que ir para objeto fim, que é a assistência. Não dá para gastar dinheiro sem saber", afirmou.

Ele ponderou que a pasta possui um orçamento "muito grande" e que "é muito fácil esquecer que R$ 1 mil é muito dinheiro". "É muito dinheiro", ressaltou Mandetta.

O ministro também disse que pretende focar na saúde básica no país e revisar a questão da saúde indígena. "Estamos com indicadores de saúde muito aquém do minimamente do que é gasto com saúde indígena", afirmou.

Mandetta anunciou ainda a criação da Secretaria de Atenção à Saúde Básica, separando esse setor dos procedimentos de média e alta complexidade hospitalar. Hoje, as áreas estão reunidas sob a alçada de uma única secretaria .

Mandetta quer criar ainda um terceiro turno nas unidades de saúde, ampliando o horário de atendimento, mas não detalhou prazos ou metas.

Defendeu ainda a melhoria na gestão das informações do setor de saúde no país, especialmente com a informatização. "Quem não tem informação não pode gerir", afirmou. Na avaliação do novo ministro, é como se fosse um "voo no escuro".

Ele acrescentou que também que deseja"um sistema privado forte" e "solidário", mas "com menos queixas" e melhor prestação de serviço aos idosos. "Não há volta, mas há muito espaço para a melhoria", afirmou.

Diálogo com o Legislativo

Ao começar o seu pronunciamento, Mandetta fez um relato sobre as origens da sua família, contou sobre a sua formação como médico e atuação profissional e fez uma retrospectiva da sua gestão como secretário municipal de Campo Grande. Disse que, no cargo, teve que enfrentar desafios, como uma epidemia de dengue, e "tempos intensos de trabalho pelo SUS".

Ao falar sobre os oito anos como deputado federal, disse que sempre apostou na "democracia e no diálogo" com a oposição e que pretende, quando convidado, "estar sempre muito presente na Câmara e no Senado".

Governo de transição

Ainda durante fase do governo de transição, Mandetta já havia anunciado que uma das ações prioritárias da pasta será dar um "choque de gestão" nos hospitais federais da cidade do Rio de Janeiro, que conta com seis hospitais sob a alçada do governo federal.

Na ocasião, ele disse em entrevista à imprensa que esses hospitais estão passando por "inúmeros problemas" e há relatos de milícias organizando filas de atendimento.

Ele também anunciou que o Ministério da Saúde vai focar na vacinação de populações da Região Norte, especialmente em razão dos registros de surtos de sarampo em Roraima, Amazonas e Pará com a migração de venezuelanos para o país.

Mandetta defendeu ainda uma revisão das regras do programa Mais Médicos, que, na avaliação dele, tem muitos pontos de "improvisação".

Alinhado ao discurso de Bolsonaro, o novo ministro sempre foi crítico à presença dos médicos cubanos no Mais Médicos, que deixaram o programa após críticas de Bolsonaro.

Perfil

Mandetta nasceu em Campo Grande, município que se tornou a capital do Mato Grosso do Sul, estado criado em 1977. Caçula em uma família com cinco filhos, o futuro ministro seguiu a profissão do pai, o médico Hélio Mandetta.

Conforme o site do deputado, ele estudou no Colégio Dom Bosco, em Campo Grande, onde integrou a equipe de natação da escola. Aos 15 anos, fez intercâmbio nos Estados Unidos.

De volta ao Brasil, Mandetta cursou medicina na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro. Concluiu o curso em 1989 e, junto com a mulher Terezinha, retornou ao Mato Grosso do Sul.

Mandetta fez residência em ortopedia na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul e ainda cursou uma especialização em ortopedia em Atlanta (EUA).

O site do futuro ministro ainda registra que ele trabalhou como médico em hospitais militares e na Santa Casa de Campo Grande.

Em seu estado, Mandetta foi dirigente de plano de saúde e secretário municipal. Ele presidiu a Unimed de Campo Grande entre 2001 e 2004 e, ao encerrar sua gestão, assumiu a secretaria de Saúde de Campo Grande.

O futuro ministro comandou a secretaria de 2005 a 2010, durante a gestão do então prefeito Nelsinho Traud. Mandetta era filiado ao MDB e migrou para o DEM para concorrer a deputado federal em 2010. Foi eleito com 78,7 mil votos e reeleito, quatro anos depois, com 57,3 mil votos.

Neste ano, Mandetta decidiu não disputar um terceiro mandato de deputado federal.

Ele é o terceiro ministro do DEM na equipe de Bolsonaro. Além dele, também são filiados ao partido Onyx Lorenzoni (Casa Civil) e Tereza Cristina (Agricultura). No total, a equipe ministerial é composta por 22 integrantes – sete a mais do que os 15 anunciados por Bolsonaro durante a campanha presidencial.

Alvo de inquérito

Mandetta é investigado por suposta fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2 no contrato para implementar um sistema de informatização na saúde em Campo Grande, no período no qual foi secretário.

O novo ministro teve os bens bloqueados em uma ação civil pública relativa ao caso. Aos jornais "O Globo" e "Folha de S.Paulo", ele negou qualquer irregularidade na aquisição e instalação do sistema de Gerenciamento de Informações Integradas da Saúde (Gisa) e disse que explicou o caso a Bolsonaro.

O Gisa custou quase R$ 10 milhões entre recursos federais e municipais. Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontou um prejuízo de cerca de R$ 6 milhões em pagamentos indevidos por serviços não executados.

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