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Com déficit de mão-de-obra, construção civil importa trabalhadores

Com déficit de mão-de-obra, construção civil importa trabalhadores

15 dezembro 2011 - 13h50
Campograndenews


Provocada pela falta de qualificação e preferência pela informalidade, a escassez de mão-de-obra na construção civil em Campo Grande obriga que empreendimentos importem trabalhadores de outros estados. A estimativa é que o déficit chegue a três mil profissionais na Capital.

Localizado na saída para Cuiabá, o shopping Bosque dos Ipês é erguido, em sua maioria, por mãos de cearenses, sergipanos e maranhenses. “Fiz anúncio em rádios, jornais, contratei seis carros de som para circular pelos bairros de Campo Grande e não apareceu ninguém”, conta o gerente de obras Paulo Medina sobre a saga em busca de trabalhadores.

Com atrativo de salários 40% acima do piso e carteira assinada, a procura por profissionais começou em julho. “Três meses depois, vi que não ia ter jeito [de fechar a equipe]. Teria que trazer pessoal de fora”, salienta Medina.

Para manter o cronograma, a empresa importou mão-de-obra e arca com aluguel de seis alojamentos e transporte dos empregados. “Os estudos para a implantação do shopping foram feitos em 2008, antes do boom imobiliário. Hoje, a parte de construção civil já ultrapassou os valores previstos no orçamento”, afirma o gerente.

Ainda há cem vagas em aberto para carpinteiros, ferreiros (armadores) e serventes. A exigência é ter experiência profissional comprovada na Carteira de Trabalho. O salário é de R$ 1.4 mil, enquanto o piso salarial é de R$ 900.

Atualmente, são 530 trabalhadores na obra, que será inaugurada em novembro. Do total, 220 são de Mato Grosso do Sul. O restante vem de fora do Estado, como o carpinteiro Wilson Lima dos Santos, de 29 anos.

"Vim do Sergipe. Lá a situação está difícil, não tem oportunidades de trabalho”, relata. Ele conta que, no começo, veio em companhia de outros 17 trabalhadores. “Agora, mais de 80 já vieram do Sergipe. O salário compensa”.

Enquanto na terra natal do carpinteiro faltam empregos, em Campo Grande há mais oferta do que demanda de trabalhadores no mercado formal da construção civil.

“Há muita construção acontecendo ao mesmo tempo e o trabalhador tem possibilidade de escolher para onde vai”, analisa a coordenadora estadual de intermediação de empregos da Funtrab (Fundacao Social do Trabalho), Elen Souza.

Ontem, a fundação oferecia 33 vagas para pedreiro, 13 para servente, 16 para carpinteiro, cinco para armador de ferro, dois para encarregado e quatro para eletricista predial.

Em seu banco de dados, a Funtrab tem cadastro de 115 armadores, 383 mestre de obras, 73 carpinteiros, 2.948 serventes e 1.366 pedreiros. Apesar de o numero de oportunidade de emprego ser bem inferior ao numero de trabalhadores cadastrados, as vagas permanecem em aberto.

“Na verdade a mão de obra qualificada, nós encaminhamos. As pessoas não comparecem na entrevista, escolhem para onde querem ir”, salienta a coordenadora.

Informais – Os ganhos de trabalhar como autônomo também afastam os trabalhadores dos canteiros de obra com carteira assinada. “No mercado informal, ele ganha ate duas vezes mais. Mas precisa analisar que não tem décimo terceiro, férias, fundo de garantia, seguro em caso de acidente”, afirma Samuel Freitas, presidente da CGTB/MS (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil) e presidente licenciado do Sintracon (Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil).

Outro entrave para obter o emprego é a falta de qualificação. Segundo Freitas, em 2009 foi realizado um curso para 800 trabalhadores em Campo Grande. “Mas não deu para atender nem 10% da demanda”, frisa. Ainda não há previsão de um novo curso.

Campo Grande tem registrado no mercado formal 20 mil trabalhadores na construção civil, sendo necessários outros três mil para atender o ritmo das novas obras.

Inesperado – A chegada de empreendimentos como shoppings e residenciais à Capital aumentou de forma rápida e em curto espaço de tempo o número de vagas no setor.

“De alguns anos para cá, a cidade começou a crescer de uma forma que não era esperada”, analisa Samuel Freitas. Até então, a construção civil passava por período de penúria. “Em 2003, tivemos o pior ano. Só seis mil trabalhadores tinham carteira assinada”, recorda Freitas.

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