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Como os deprimidos usam a internet

21 junho 2012 - 11h54Por MSN
De que forma você gasta o tempo online? Checa o e-mail compulsivamente? Assiste a um monte de vídeos? Vive pulando entre os vários aplicativos da internet, de jogos a download de arquivos e salas de bate-papo?

Nós acreditamos que seu padrão de uso de internet diz algo a seu respeito. Especificamente, nossa pesquisa sugere que ele dá dicas do seu bem-estar mental.

Num estudo a ser publicado numa edição futura da revista "IEEE Technology and Society Magazine", nós e nossos colegas descobrimos que estudantes com sinais de depressão costumam a usar a internet de forma diferente de quem não apresenta tais sintomas.

Em fevereiro de 2011, recrutamos 216 universitários voluntários da Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri. Primeiro, fizemos os participantes preencherem uma versão de um questionário chamado Escala de Depressão do Centro de Estudos Epidemiológicos, amplamente empregado para medir níveis de depressão na população em geral. A pesquisa revelou que 30 por cento dos participantes atendiam aos critérios dos sintomas depressivos. (O número estava alinhado às estimativas nacionais segundo as quais de dez a 40 por cento dos estudantes universitários vivenciam tais sintomas em algum momento.)

A seguir, o departamento de tecnologia de informação da universidade nos deu os dados de uso da internet do campus dos participantes, para o mês de fevereiro. A intenção não era xeretar o que os estudantes procuravam ou para quem enviavam e-mails; meramente serviu para monitorar "como" estavam usando a internet, com dados sobre o fluxo do tráfego que a universidade costuma coletar, por exemplo, para consertar conexões de redes problemáticas

Por fim, realizamos uma análise estatística das pontuações de depressão e dos dados de uso da internet.

Houve dois grandes achados. Primeiro, identificamos várias características de emprego da internet ligadas à depressão. Trocando em miúdos, encontramos uma tendência. Em geral, quanto mais a pontuação do participante indicava depressão, mais sua utilização da internet trazia tais características. Por exemplo, 'pacotes p2p', indicando níveis elevados de troca de arquivos (como filmes e músicas).

Nossa segunda grande descoberta foi a existência de padrões de uso da internet estatisticamente elevados entre os participantes com sistemas depressivos, em comparação àqueles sem os sintomas. Isto é, encontramos indicadores: estilos de comportamento na internet que eram sinais de pessoas depressivas. Por exemplo, participantes com sintomas depressivos tendiam a um emprego bastante alto do e-mail. Talvez isso pudesse ser esperado. Uma pesquisa dos psicólogos Janet Morahan-Martin e Phyllis Schumacher demonstrou que conferir o e-mail com frequência pode estar ligado a níveis elevados de ansiedade, a qual em si tem a ver com os sintomas de depressão.

Outro exemplo: o uso da internet por deprimidos tendia a exibir alta 'entropia da duração do fluxo', o qual costuma ocorrer quando existe uma troca contínua entre aplicativos da internet, como e-mail, salas de bate-papo e jogos, podendo indicar dificuldade de concentração. Tal achado também é coerente com a literatura psicológica. De acordo com o Instituto Nacional da Saúde Mental, a dificuldade de concentração também é um sinal de sintomas depressivos entre os alunos.

Outros traços característicos de comportamento 'depressivo' na internet incluem quantidades maiores de tempo assistindo a vídeos, jogando e batendo papo.

Estudos anteriores examinaram a relação entre o uso da internet e a depressão, mas cogitamos que o nosso seja o primeiro a usar dados da própria internet, coletados anônima e discretamente, em vez de recorrer a pesquisas preenchidas pelos alunos acerca do emprego da internet, as quais são menos confiáveis.

Quais as aplicações práticas dessa pesquisa? Esperamos utilizar nossas descobertas para desenvolver um aplicativo que poderia ser instalado em computadores domésticos e aparelhos móveis. Ele monitoraria o uso da internet e alertaria quando seus padrões de uso pudessem sinalizar sintomas de depressão. O programa não substituiria a função de profissionais da saúde mental, mas seria uma forma mais econômica de levar as pessoas a buscar ajuda médica de forma prematura. Ele também pode ser uma ferramenta para os pais monitorarem os padrões de uso da internet ligados ao humor dos filhos.

Tal programa poderia ser utilizado em universidades, talvez instalado em redes do campus, para notificar orientadores psicológicos de estudantes cujos padrões de uso da internet indicarem comportamento depressivo. (Esta proposta, é claro, levanta questões ligadas à privacidade as quais ainda precisariam ser discutidas.)

Grupos de saúde mental recomendaram o exame em diversos cenários como um componente crítico para prevenir problemas de saúde mental entre os jovens. Nós acreditamos que monitorar o uso da internet possa fazer parte da solução.

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