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Homem que cuidou de pai com Alzheimer é diagnosticado com a doença

21 setembro 2012 - 14h00
UOL





Carlos Stocco, 70 anos, cuidou do pai, Antônio Stocco, que tinha Alzheimer e morreu há oito anos. Há um ano ele foi diagnosticado com princípio da doença e voltou a frequentar as reuniões e encontros sobre a doença para saber as mudanças e novos medicamentos para se tratar. Durante a conversa com o UOL, Carlos não conseguia lembrar datas específicas, mas se recordava bem das experiências do passado. Ele afirma que não ficou surpreso com o diagnóstico e conta como foi cuidar do seu pai.

Leia o depoimento:

Quando o geriatra diagnosticou meu pai, Antonio Stocco, com Alzheimer sai do consultório não sabia nem escrever o nome da doença para procurar a respeito na internet. Por não ter conhecimento sobre a doença, não chorei e não tive nenhuma reação ao saber do diagnóstico.

Logo comecei a procurar grupos em que eu pudesse me informar, fui a vários deles, dos mais específicos e técnicos aos que ajudavam os familiares a lidar com a doença. Como estava aposentado, tinha tempo de frequentar as reuniões.

Portanto, quando fui diagnosticado com princípio de Alzheimer há um ano a primeira coisa que voltei a fazer foi frequentar as reuniões para me atualizar sobre as mudanças e os novos medicamentos para tratar a doença.

Quando meu pai morreu, há sete anos, eu frequentava às reuniões em solidariedade, mas depois acabei parando de vez de frequentar o grupo.

Nos primeiros sinais da doença procurei um geriatra de um hospital particular que aplicou diversos testes, mas ainda assim era preciso fazer o exame neuropsicológico para confirmar a doença, mas o teste era muito caro.

Procurei o Hospital São Paulo, fiz o teste e o médico disse que por eu ter um bom nível de instrução era ainda mais difícil identificar a doença, mas que preferia começar a tratar agora do que esperar para cuidar da doença quando eu já estivesse 'lelé'.

Hoje, eu tomo o mesmo remédio de uma pessoa que já tem Alzheimer em fase inicial. Como sempre soube que era forte candidato, não fiquei surpreso com o diagnóstico e pude começar a tomar remédios desde o início, ao contrário do meu pai, que identificou a doença bem tarde e não havia mais chance de resolver o problema com medicação.

Depois de seis meses que ele foi diagnosticado, eu o levei ao Hospital São Paulo e o médico que o examinou afirmou que ele já deveria estar com Alzheimer há uns cinco anos, o que explicou bastante alguns comportamentos que ele já estava tendo, como sumiço de dinheiro e se eximir das responsabilidades.

Eu costumava levá-lo ao barbeiro que é do lado de casa e ele voltava sozinho, mas comecei a notar que a doença estava o afetando muito quando o barbeiro apareceu em casa com ele, pois ele não sabia mais como voltar.

Nesses momentos as reuniões que eu frequentava ajudaram muito, pois eu via os depoimentos e já me preparava para lidar com situação quando ela acontecesse.

Mas meu pai foi muito bom durante a doença, muito tranquilo. Ele nunca foi agressivo comigo ou me mordeu, como algumas pessoas relatavam que seus familiares faziam.

Quando a doença ficou mais avançada era bem difícil a hora de tomar banho e os remédios. Ele não conseguia mais engolir e engasgava com líquidos.

Enquanto ele estava doente eu voltei a trabalhar e levava ele para uma casa de repouso ao lado do meu trabalho todos os dias. Era engraçado porque mesmo debilitado pela doença ele ia o caminho inteiro falando e era capaz até mesmo de ler os anúncios na rua.

Ele ficou internado por dois meses no final da vida, só se alimentava por sonda. Nós ainda assim tentamos manter ele casa, mas ficou muito complicado. Procuramos uma clínica e ele morreu depois de um mês.

Eu o visitei todos os dias, sempre ia lá fazer a barba. Eu ainda acho que ele morreu reconhecendo os familiares porque nos últimos dias ele sorria e se sentia bem quando tinha contato com a gente.

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