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Na ausência de Cristina Kirchner, vice argentino mantém perfil discreto

17 janeiro 2012 - 15h23
EFE

O vice-presidente argentino, Amado Boudou, mantém o perfil discreto e foge de assuntos conflituosos em suas funções à frente do Poder Executivo, quando a partir desta terça-feira resta apenas uma semana para o fim da licença de Cristina Fernández de Kirchner, que se recupera de uma operação.

Boudou protagonizou três atos públicos desde o início de seu período à frente do Governo, no último dia 4 de janeiro, quando substituiu Cristina, que nesse mesmo dia extirpou a glândula tireóide depois de um diagnóstico inicial de câncer que logo em seguida foi descartado.

Ao contrário da presidente, que costumava liderar atos oficiais diariamente, o vice-presidente passa boa parte do dia em seu escritório, onde recebe funcionários e governadores em reuniões particulares.

"O Governo parece hibernar enquanto espera o retorno da presidente. Boudou evita assuntos conflituosos, se mostra cauteloso, moderado e com perfil discreto para tentar neutralizar os riscos de reprovação de setores do Governo", afirmou à Agência Efe o analista Jorge Arias.

Boudou, economista de 48 anos que ganhou popularidade por seu perfil roqueiro durante o primeiro mandato de Cristina, quando foi ministro da Economia, ficou à frente do Poder Executivo apenas 25 dias depois de assumir como vice-presidente.

Meios de comunicação locais informaram que o economista visitou Cristina mais de uma vez na residência presidencial de Olivos, nos arredores de Buenos Aires, onde se recupera "muito bem" da cirurgia, segundo fontes oficiais.

A presidente "foi operada no dia 4 de janeiro e já no dia 6 falava por telefone com o vice-presidente para passar instruções. A ausência real e concreta dela do poder real durou apenas dois dias", frisou o analista Rosendo Fraga.

Nos poucos discursos que fez, Boudou se referiu várias vezes à liderança de Cristina, da mesma forma que os ministros do Governo, que também se mantêm discretos nos últimos dias.

De todas as formas, os especialistas não informaram detalhes da evolução da presidente, que se prepara para retomar suas funções em meio ao clima de distanciamento com poderosos líderes sindicais governistas, cortes de despesas e medidas protecionistas aplicadas pelo Governo para enfrentar a crise internacional.

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