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Professor de física: profissional em extinção no MS

03 outubro 2012 - 15h50
Diario MS



A carência de professores de física para lecionar, principalmente, em escolas públicas do ensino básico já é reconhecida, tanto pelos profissionais da área quanto pelo Ministério da Educação. E o problema não é uma exclusividade de Mato Grosso do Sul. Os motivos que levam a essa é que é questionada pelo pesquisador na área de educação em ciências, Roberto Nardi, que esteve em Dourados para a Bienal de Física da Uems (Universidade Estadual de MS).

Na opinião do pesquisador da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), o problema não está na quantidade de profissionais formados nas instituições de ensino superior, mas no mercado de trabalho que eles encontram depois de se formarem. “O regime de trabalho do professor no ensino básico é cruel”, acredita.

Nardi calcula uma rotina média de 40 horas/aula semanais para um professor do ensino básico, com 40 alunos em cada sala. “Será que com 40 alunos em sala é possível dar uma aula consistente?”, questiona. Para ele, a expansão no número de crianças e adolescentes inclusos na escola vem resultado em salas de aulas inchadas.

As condições desfavoráveis aliadas a outros quesitos como o salário baixo estariam, portanto, fazendo com que os formados migrem para a pós-graduação e outras atividades profissionais, como concursos do Banco do Brasil e Correios, que “absorvem bem” os profissionais da física, matemática e outros cursos na área de exatas.

Outra consequência seria ainda a falta de uma formação apropriada no ensino médio para que os alunos se sintam instigados a frequentar uma faculdade de exatas. Para o pesquisador, ainda “é preciso cuidar mais do professor”, para que ele saia da faculdade mais preparado para lecionar e, posterior a isso, tenha uma formação continuada.

NA ESCOLA
O segredo da professora de física há seis anos, Luana Barbiero Vieira, é levar aos alunos do ensino médico a aplicação prática da física no dia-a-dia. “A gente passa atividades como, por exemplo, o calculo do consumo de energia em casa, quando eles veem como podem aplicar, o aprendizado e o interesse pelo conteúdo é maior”, acredita.

Ela se formou na Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) em 2005, onde hoje também dá 10 aulas em vários cursos. Sua turma iniciou com 40 acadêmicos e se formaram apenas três, contanto com ela. “É um curso bastante desafiador, só fica mesmo quem gosta muito da área”, acredita. Luana ainda afirma que o que aprendeu no ensino médio não a preparou para a universidade, mas que a estrutura curricular das universidades nos últimos dois anos tem contemplado melhor a licenciatura, o que deve resultar num melhor preparo dos profissionais para a sala de aula.

O pesquisador Roberto Nardi é uma das principais referências brasileiras no Ensino de Ciências e coordenou o último triênio desta área na Capes. Ele é um dos participantes da III Bienal de Física, que acontece esta semana na Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). O evento inclui em sua programação, conferência, mesa redonda, entre outras atividades.

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