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Russomanno: "Não sou um cavalo paraguaio"

08 agosto 2012 - 15h40
brasileconomico


Na eleição de 2010, Celso Russomanno recebeu dos seus adversários o selo nada lisongeiro de "cavalo paraguaio", aquele que não aguenta até a chegada. Outros disseram que seu desenpenho era igual ao voo de uma galinha.

O motivo foi que a boa colocação nas pesquisas para o governo paulista durou apenas até o começo dos programas na TV. Depois disso, quem cresceu foi Gilberto Kassab, que acabaria vencendo.

Nessa entrevista exclusiva ao Brasil Econômico, Russomanno se mostra confiante que dessa vez, com mais tempo de TV e o PTB ao seu lado, tudo será diferente. O candidato fala também de todas as controvérsias, denúncias e rumores que cercam o seu nome.

Na última pesquisa do Ibope você apareceu em empate técnico com o José Serra (PSDB): 26% contra 25%. Faltam exatamente dois meses para o primeiro turno. O que você diria aos que chamaram sua candidatura de "voo de galinha" ou "cavalo paraguaio"?

As pessoas não conhecem o meu trabalho no Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Inadec). Faço cinco reportagens por semana. Ou seja: em 22 anos de trabalho, fiz umas 240 matérias por ano.

Só que no Inadec eu atendi 350 mil pessoas desde 1995. Multiplique esse trabalho pelo tamanho das famílias das pessoas que passaram por lá. Esse é o meu número.

E não é um número de voo de galinha. Em todas as eleições tive votações expressivas. Essas coisas os analistas políticos não conhecem. Acham que meu trabalho é só midiático.

Mas não há como negar que sua exposição na TV Record, que tem forte influência sobre seu partido, o PRB, foi um fator decisivo para o bom desempenho nas pesquisas. O presidente da legenda inclusive foi dirigente da emissora durante muitos anos...

Não fui convidado a participar apenas de programas da Record. Eu dou audiência. Não há segredo.

Ninguém nessa disputa acirrada entre as emissoras vai convidar alguém se não der audiência. A pergunta que faço é a seguinte: nesses programas eu falei de política? Não.

Eu falei que era candidato? Não. Deixa eu fazer mais uma pergunta. Vou dar o exemplo do Zezé di Camargo, porque ele é meu padrinho de casamento. E se eu disser que ele é candidato a vereador?

Ele é?

Não é. O que quero dizer é que se alguém aparecer na mídia, mas ninguém souber que ele é candidato, não adianta nada. Nem no meu quadro de defesa do consumidor no programa "Balanço Geral" falei de candidatura.

Então não há ligação nenhuma entre a TV Record, a Igreja Universal e a sua candidatura?

Estou na CNT, Rede Brasil e Record por causa de audiência e do meu trabalho. Quando terminou meu mandato de deputado, recebi um monte de convites de todas as emissoras.

Sou um profissional, um jornalista como vocês. Em relação ao PRB: vocês sabiam que 80% dos membros do partido não são evangélicos?

Não...

Dos 20% restantes, só 5% são da Igreja Universal. O fundador do PRB foi o José de Alencar, que era um católico fervoroso.

Evidente que a mídia faz um monte de ilações sobre meu crescimento político. Cada um quer arrumar uma explicação.

O cenário nessa altura do calendário surpreendeu muita gente que esperava
uma polarização entre Serra e Haddad.

Mas lá atrás, quando o Serra ainda não era candidato, eu era líder nas pesquisas. Ou seja: não mudou nada. Ou cavalo paraguaio andou mais do que devia ou a galinha voou além do que esperavam (risos).

Os petistas têm mais tempo e marqueteiros renomados. Até quando acha que vai durar sua liderança? Os petistas acham que viram em setembro...

Marqueteiro ganha dinheiro como?

Ganhando eleições...

Ou dizendo que vai ganhar a eleição. Mas nem sempre ganha. Marqueteiro precisa achar uma desculpa para explicar o que eles dizem ser um fenômeno. Não se constrói um eleitorado em seis meses ou um ano.

Quanto tempo de TV tem a sua candidatura?

Dois minutos e pouco.

O que pretende fazer nesse espaço de tempo para convencer o eleitor?

Pretendo fazer quatro vezes o que faço em um comercial de 30 segundos para meus clientes da produtora. Em 30 segundos eu dou o recado para fazer publicidade de um produto ou uma marca. Minha produtora foi fundada em 1982.

O Haddad tem a Dilma e o Lula, o Chalita tem o Michel Temer e o Serra tem o Geraldo Alckmin e o Fernando Henrique. Você pretende gravar depoimentos de quem?

O Celso Russomanno vai usar os padrinhos e as madrinhas dele: o povo de São Paulo. Enquanto eles dizem que têm padrinhos políticos, eu digo que tenho o povo.

Hoje eu andei 20 metros no Largo 13 de Maio (em Santo Amaro, Zona Sul da capital), e recebi duas denúncias: uma contra a Marabraz e outra contra as Casas Bahia. Fui atender os consumidores no meio da campanha.

Quais eram as denúncias?

Uma senhora disse que comprou um tanquinho na Casas Bahia. Passou quatro meses e não entregaram, sendo que já estava pago. A outra foi uma pessoa que comprou um treliche para os filhos, mas eles estavam dormindo no chão há 25 dias.

No caso da caminhada, foi engraçado. Tinham várias emissoras de TV, todos os jornais, uns 15 fotógrafos. Aí o gerente desce e tem quinhentos disparos de flash em cima.

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