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Saúde

Zika vírus pode se espalhar pelo País e a prevenção é combater o mosquito Aedes aegypti

24 novembro 2015 - 14h09Por Fonte: diarionline
A nova doença transmitida pelo Aedes aegypti está causando aflição em gestantes do Nordeste, isso porque o Zika vírus está sendo investigado na relação entre a doença e o crescente número de casos de microcefalia em bebês. Como o vírus é transmitido por um mosquito, há grande chance do restante do País também enfrentar epidemia de ZIKAV (Zika vírus), já que o vetor transmissor da doença, o Aedes aegypti, existe em todo o Brasil e é o responsável por transmitir também a Dengue e a Chikungunya.

Em Corumbá, a Vigilância em Saúde do município está continuamente realizando trabalho de prevenção ao mosquito transmissor das doenças. Desde o início de 2015, até o dia 14 de novembro, foram notificados em Corumbá 694 casos de Dengue, sendo 25 positivos. Quanto à Chikungunya, foram notificados 18 casos, sendo 06 confirmados e 04 aguardando resultado. De acordo com a coordenadora do setor, Viviane Ametlla, o ano inteiro o município tem trabalhado no controle do mosquito, não registrando até o momento nenhum caso de Zika.

“Agora a gente pede ainda mais o apoio da população porque vem o período chuvoso que é propício ao mosquito e a população precisa colaborar com a gente, não deixando aberto nada que possa juntar água, ficar atento inclusive a ralo de banheiro e reservatório que fica atrás da geladeira”, reiterou Viviane ao Diário Corumbaense.

Segundo ela, a Prefeitura de Corumbá está com proposta de trabalho integrado entre as secretarias para o combate ao mosquito transmissor da Dengue, Febre Chikungunya e Zika vírus, através do programa Corumbá Bela e Saudável. Dentro do projeto, são articuladas as secretarias de Saúde, de Infraestrutura e Fundação de Meio Ambiente. Com relação às gestantes, o município está programando a vinda de um infectologista, ainda neste ano de 2015, para dar palestra à classe médica sobre a doença e sua relação com casos de microcefalia.

O que diz o Ministério da Saúde

Durante coletiva de imprensa realizada no dia 17 de novembro, o diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, afirmou que 80% dos infectados pelo vírus não apresentam sintomas, por isso é impossível estimar a magnitude do problema. Ele orientou que as gestantes e suas famílias se previnam da doença combatendo o mosquito, utilizando repelentes e utilizando calça e camisa de manga comprida. Para ele, a tendência é que o surto de microcefalia se espalhe pelo País, caso se comprove a relação com o Zika vírus.

Mais de 14 pesquisadores da Fiocruz de Pernambuco estão investigando se o Zika vírus tem alguma relação com o desenvolvimento da microcefalia em fetos, como suspeita o Ministério da Saúde. Em sete Estados do Nordeste, onde está havendo surto da doença, já foram registrados mais de 400 casos de microcefalia.

As primeiras pesquisas confirmaram presença de Zika vírus em exames de líquido amniótico em dois fetos com microcefalia na Paraíba. Segundo a revista EXAME, a Organização Mundial da Saúde já foi comunicada sobre os resultados divulgados no dia 17 de novembro. As gestantes com fetos confirmados com microcefalia afirmaram ter apresentado sintomas do Zika vírus no início da gestação. De acordo com o grau da doença, a criança pode apresentar deficiência mental, problemas de visão, auditivos, convulsões e dificuldades de locomoção.

Os casos de microcefalia foram registrados em Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Ceará e Bahia. A maior parte foi identificada nos últimos três meses. No entanto, em Dourados, no Mato Grosso do Sul, uma gestante deu à luz a um bebê com microcefalia e a mãe teria apresentado sintomas do Zika vírus antes do parto, conforme o site Dourados News. De acordo com a notícia publicada, a mulher teria viajado para Roraima, na região Norte do País, e ao retornar apresentou os sintomas do vírus. O caso chegou à vigilância epidemiológica de Dourados no último dia 20.

O que é a microcefalia

A pediatra Beatriz Beltrame explica no site “Tua Saúde” que a microcefalia é uma doença caracterizada pelo tamanho menor que o normal da cabeça da criança com a enfermidade. Isso ocorre porque os ossos da cabeça, que ao nascimento estão separados, se unem muito cedo, impedindo o crescimento normal e saudável do cérebro. O problema não tem cura e pode impedir da criança ser, durante toda a sua vida, uma pessoa independente.

A criança pode ter dificuldades para se locomover e fazer suas necessidades básicas sozinha e, dependendo da gravidade da microcefalia, ela pode apresentar outras síndromes. Elas podem ter atraso mental, déficit intelectual, paralisia, convulsões, epilepsia, autismo e rigidez muscular.

Todas estas alterações podem acontecer porque o cérebro precisa de espaço para que possa atingir o seu desenvolvimento máximo, mas como o crânio não permite o crescimento do cérebro, suas funções ficam comprometidas, afetando todo o corpo. Infecções como rubéola, citomegalovírus e toxoplasmose durante a gravidez aumentam o risco do bebê ter microcefalia.

Consumo de cigarro, álcool ou drogas como cocaína e heroína durante a gravidez; Síndrome de Rett; envenenamento por mercúrio ou cobre; meningite; desnutrição; HIV materno; doenças metabólicas na mãe como fenilcetonúria; exposição à radiação durante a gestação; uso de medicamentos contra epilepsia, hepatite ou câncer, nos primeiros 3 meses de gravidez também pode ocasionar a microcefalia. Além disso, existe suspeita de que doenças como dengue, Zika vírus ou febre chikungunya durante a gestação também estejam ligadas à microcefalia.

Histórico do Zika vírus no Brasil

De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia, o Zika vírus (ZIKAV) até agora não atingiu mortalmente ninguém, um dos aspectos que pode comprovar a inexistência de febre hemorrágica nos indivíduos infectados por esse vírus. A nova febre também é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Em 1947, constatou-se a presença do Vírus Zika em macacos no local, cujo nome batizou a doença: Floresta Zika, em Uganda. Somente em 1954 os primeiros seres humanos foram contaminados, na Nigéria. Porém, em 2007, o vírus deixou o continente africano e asiático gerando um surto na Oceania, acometendo 75% da população das Ilhas Yap, na Micronésia. A França teve 55 mil infectados em um período de três meses, sendo o único país da Europa que enfrentou o vírus, no ano de 2013.

Um surto recente do Zika teve registro em abril passado no Brasil, na cidade de Salvador (BA). Doença desconhecida até então, afetou várias pessoas com sintomas semelhantes aos da gripe, seguido de erupções cutâneas e dor nas articulações. Pesquisadores do Instituto de Ciências da Saúde (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) relacionaram os casos ao vírus. A primeira amostra de sangue contaminada com este vírus foi descrita em Camaçari (BA), em outubro de 2014.

Sintomas e tratamento

Conforme o médico Arthur Frazão, do site “Tua Saúde”, o Zika vírus deixa no enfermo sintomas semelhantes aos da Dengue, sendo que de forma mais branda, podendo desaparecer entre quatro e sete dias. O vírus provoca febre entre 37,8° C e 38,5° C, dor nas articulações, principalmente nas mãos e nos pés, dor muscular e dor de cabeça localizada principalmente por trás dos olhos.

A doença causa cansaço físico e mental, além de manchas avermelhadas na pele, que se iniciam na face e podem se espalhar pelo corpo, podendo ser confundida com sarampo. Os olhos ficam hipersensíveis e pode acontecer conjuntivite, com sensação de picadas nos olhos que leva o paciente a lacrimejar, além de inchaço nas pálpebras e secreção amarelada. Com menos frequência, também são observados sintomas como dor no abdômen, náuseas, vômitos, diarreia ou prisão de ventre, aftas e coceira pelo corpo.

O tratamento pode ser feito com dosagens de paracetamol ou dipirona para controle de febre, uso de anti-inflamatórios, como o Ibuprofeno, para diminuir as dores nas articulações, colírio por causa dos sintomas nos olhos e remédios antialérgicos. É importante que o paciente descanse e tenha alimentação rica em vitaminas e minerais, além de beber muita água. Remédios que contenham ácido acetil salicílico não devem ser utilizados porque, assim como na Dengue, podem aumentar riscos de hemorragias.

Prevenção

Conforme a Sociedade Brasileira de Infectologia, a melhor forma de prevenção é combatendo o mosquito Aedes aegypti. Medidas como armazenar lixo em sacos plásticos fechados; manter a caixa d’água completamente vedada; não deixar água acumulada em calhas e coletores de águas pluviais; recolher recipientes que possam ser reservatórios de água parada, como garrafas, galões, baldes e pneus, conservando-os guardados e ou tampados; encher com areia os pratinhos dos vasos de plantas e tratar água de piscinas e espelhos d’água com cloro são ações fundamentais e contribuem para evitar a disseminação do vírus transmissor da doença.

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