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Ponta Porã e a sucessão de 2008
 

Paulo Rocaro - 18-07-2007 - 08:07

Juntando as declarações que se ouviu semana passada no encontro municipal do PT em Ponta Porã, a afirmação do governador André Puccinelli de que o PMDB pode se aliar ao PT ‘se o povo quiser’ e a posição do senador Delcídio do Amaral de que pretende disputar a reeleição em 2010 e o Governo do Estado em 2014, já é possível conjeturar o que pode acontecer aqui na fronteira nas eleições do ano que vem.

Pelo andar da carruagem, é de se prever que Ponta Porã terá no máximo três candidatos a prefeito em coligações possíveis: um do PSDB, um do PT e outro do PDT ou do PSB. No PSDB, o prefeito Flávio Kayatt deve ir à reeleição, amparado pela máquina e por pesquisas que ainda o colocam em situação de vantagem em relação aos demais.

Em seu grupo, deve contar com um vice do Democratas (ex-PFL) ou do PSC. Isso se Kayatt for encarar a briga. Sim, porque já teria confidenciado a amigos que está desanimado com o desgaste de ser Executivo e sonha em voltar à Assembléia Legislativa. Caso se poupe e apóie alguma candidatura tucana ou de aliados, teria quase garantida sua eleição para deputado estadual.

Na ala oposicionista, o PT se realinha para tentar voltar à prefeitura. Três nomes são cogitados para a tarefa: o do ex-prefeito Vagner Piantoni, o de sua esposa, Rosa Piantoni, que foi muito bem votada para deputada estadual e o do presidente da Câmara Municipal, vereador Marcelino Nunes de Oliveira. As articulações para composição de uma chapa petista envolvem o PMDB, o PSB e o PTB.

O PT tenta atrair o PMDB para a vaga de vice com a bênção do governador André Puccinelli, objetivo que também vem sendo perseguido pelos adversários, enquanto partidos menores orbitam, aguardando qualquer sinal de composição. Históricos peemedebistas já não vêem tanta dificuldade numa aliança com os petistas e teriam até um nome definido para vice: o vereador Landolfo Antunes.

Contudo, sabem que terão de formar uma frente de peso para convencer ‘Lando’ a aceitar a idéia, uma vez que o parlamentar também sugere a pretensão de ocupar o lugar de Flávio Kayatt. Nesta mesma situação estão os vereadores Chico Gimenez (PSB), que já está em franca campanha rumo ao Paço Municipal e Ramão de Deus (PTB, em vias de mudar), que tem externado seu desejo de ser candidato a prefeito.

As ‘amarrações’ prevêem ainda a candidatura de uma liderança do PDT, possivelmente coligado com o PPS do vice-prefeito Álvaro Soares, que tem ficado mais em Campo Grande do que em Ponta Porã, para fechar a terceira via. Para todos os partidos, a situação política atual no município é de que ‘nunca foi tão fácil ganhar uma eleição’, cada qual com sua razão em particular.

Mas para ‘fechar’ essas alianças, pelo menos três vereadores teriam de desistir de suas pretensões de administrar a cidade. Entre eles, o próprio presidente da Câmara Municipal, Marcelino Nunes de Oliveira (PT), o preferido de Kayatt caso o PSDB articule alguma aliança com o PT, embora nas atuais conjunturas seja uma hipótese difícil de ser concretizada.

O PT tem ainda no Estado uma guerra interna entre o senador Delcídio do Amaral e o ex-governador Zeca do PT. Os dois querem disputar uma cadeira no Senado em 2010. Para piorar, uma composição do partido com o PMDB colocaria definitivamente do outro lado da batalha o PSDB, que por enquanto ainda vive ‘de amores’ com os peemedebistas.

Bombardeados por escândalos em nível estadual e nacional, PMDB, PT, PSDB, PTB, DEM, PDT e PSB têm centrado foco nas articulações em nível municipal, porque todos foram colocados num mesmo patamar ético e moral. Por isso vemos hoje nas cidades do interior uma busca ansiosa por nomes que possam ser algo novo, forte, viável e confiável para as prefeituras ou para vice. É mais ou menos por aí...

* Paulo Rocaro – Escritor, jornalista, presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã e diretor da Sodema (Sociedade de Defesa do Meio Ambiente).

Paulo Rocaro -



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