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PRIVATIZAÇÃO DA AMAZÔNIA, A BOLA DA VEZ
 

Valfrido Chaves - 06-10-2006 - 18:00

 A floresta que ser perde no horizonte, as águas que correm na imensidão verde, a riqueza da flora e da fauna, a Amazônia exuberante e brasileira está fazendo saltar os olhos de cobiça dos países de língua inglesa do chamado primeiro mundo. A Inglaterra e os Estados Unidos degradaram suas áreas verdes e agora pretendem disputar a Amazônia com propostas no mínimo indecentes, como privatização, terceirização etc.

Essa idéia não é nova, mas agora ela é a bola da vez. Basta atentar para o incidente aéreo que aconteceu há poucos dias envolvendo um Boeing 737/800 da Gol e um jato Legacy 600 da companhia norte-americana ExcelAire. No jato, por estranha coincidência, viajava o sr. Joe Sharkey, jornalista americano que estava no Brasil como freelancer para uma revista de negócios de viagem.

Interessante que logo depois do acidente, esse jornalista retornou para os Estados Unidos e começou a falar barbaridade sobre o tráfego aéreo do Brasil. Suas declarações tentaram mostrar ao mundo que o controle do tráfego aéreo na região não é seguro, sempre na tentativa sutil de criar uma imagem ruim da presença do Brasil na Amazônia. Sobre o jornalista pesa uma nuvem de desconfiança.

O Correio Brasiliense apurou que as autoridades policiais envolvidas com os depoimentos já admitem que o repórter do diário The New York Times mentiu, mesmo após jurar dizer a verdade, sob pena da lei. “O depoimento dele (Joe Sharkey) é praticamente igual ao dos outros passageiros. Parece que foi orquestrado, que todos eles combinaram de falar a mesma coisa”, acrescentou a fonte. “Com certeza, ele mentiu”.

Sharkey contou à polícia nada ter visto antes ou após a colisão. “Agora, ele diz à imprensa que viu uma sombra e que os passageiros perceberam a aproximação de algo.” Momentos antes de depor, ainda na ante-sala da Diretoria da Polícia Civil, Joe Sharkey teria comentado que nunca sentira tanto medo na vida — referindo-se ao choque com o Boeing.

“Eu me lembro que ele comentou ter enfrentado os 30 piores minutos de sua existência”, comentou a fonte. Diante do escrivão de polícia, o repórter alegou que não tinha percebido nada no momento da colisão. E assegurou que o piloto logo conseguiu estabilizar o Legacy 600.

“Ele está se contradizendo o tempo todo”, disse. Ainda, em seu depoimento, o norte-americano revelou ter algum conhecimento sobre aviação, graças a pesquisas sobre o assunto, e admitiu que está escrevendo um livro. No entanto, em duas entrevistas ao Correio, ele afirmou não ter nenhuma especialidade na área e chegou a se definir “ignorante sobre tecnologia de aviões”. Inexplicavelmente, foi capaz de criticar o sistema de controle de tráfego aéreo da Amazônia.

Acredito que para a grande maioria dos brasileiros esse terrível acidente e o aspecto criminoso de que está revestido, parece confuso e sem sentido. No entanto, é bom lembrar de que o candidato das privatizações está disputando o segundo turno para presidente do Brasil.

O tucano Geraldo Alckmin, segundo reportagem recente do jornal Financial Times, “ele é o preferido dos círculos financeiros de Wall Street”. Por que será? Wall Street não dá sua preferência em troca simplesmente do nariz burguês do candidato. Existe um ganho imenso em jogo, um ganho para os americanos. Vale lembrar que eles assentaram uma base militar em território paraguaio, que daria apoio logístico para uma eventual ocupação da Amazônia.

Nesse sentido é bom prestar atenção nas palavras do sr. David Miliband, Ministro do Meio Ambiente da Inglaterra, que, no encontro do G-8 em Monterrey, no México, defendeu que a floresta Amazônica deve deixar de ser brasileira e ser administrada de forma privada, por um fundo internacional. A reação dura e rápida do Ministério das Relações Exteriores do Brasil fez com que ele se retratasse. E ainda tem gente que acha que o Governo Lula é fraco e condescendente com os outros países.

É evidente que o candidato Alckmin jamais admitiria esse interesse em privatizar a Amazônia, mas basta verificar os fatos que estão ocorrendo, e que já ocorreram no mandato do FHC, que privatizou boa parte do filé do patrimônio nacional. É bom saber que a região do acidente é de responsabilidade do Cindacta 4, área de atuação do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam).

Essa região de controle foi entregue durante o governo FHC à empresa estadunidense Raytheon Company, numa privatização marcada por escândalos. As pessoas têm que entender que esse é o projeto político do PSDB, privatizar, vender a troco de banana e encher as suas próprias burras. Por isso é que eles se atiram nesta eleição como alucinados pelo poder.

Só espero que o Brasil não demore muito a acordar deste berço esplêndido para uma dura realidade, que seria a Amazônia internacionalizada.

Valfrido Medeiros Chaves - Pantaneiro e Psicanalista



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