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Ao João o meu afeto
 

Júlio Ribeiro - 12-02-2007 - 07:40

 

Julio Ribeiro*

 

Somos herdeiros genéticos de nossos antepassados, incluindo, ai os genes dos répteis e de outros “animais”. Talvez isso explicasse o porquê indivíduos trajados de seres humanos desenvolvam comportamento, atitudes e pensamentos tão covardes e mesquinhos que envergonham as espécies mais peçonhentas do planeta.

 

A forma que o menino João perdeu a sua vida no Rio de Janeiro, despertou um ódio nacional, capaz de esmagar, debaixo dos pés, como uma barata os bandidos que o arrastaram por mais de sete quilômetros.

 

Em seu calvário, Joãozinho deixou além de gritos e gemidos de dor, um olhar desesperado. Ele tão amado e querido por seus pais, não entendia o que estava acontecendo. Ficou com medo, apavorou-se.

 

Ele sentia dor ainda, quando via seu corpo sendo ralado no asfalto. Não se sabe a hora que Deus teve misericórdia de sua agonia e tirou-lhe sua vida. No final seu corpo estava dilacerado, com ossos expostos e sem cabeça.

 

Para aumentar a humilharão os bandidos faziam “zig zag” com o carro. Chamaram-no de “judas” (boneco malhado na Semana Santa) e quando finalmente pararam o veículo o ultimo gesto de quem estava no banco de trás foi empurrar com os pés os restos mortais do menino.

 

Quem crê sabe que Joãozinho já é um anjinho e já caminha e brinca nos jardins da casa de Deus de mãos dadas com Jesus.

 

Diante de tanto sofrimento em sua morte é possível de se imaginar o menino chegando ao céu e questionando do por que sua vida fora tirada daquela forma tão violenta. “Poxa Jesus acho que sofri mais do que você?”

 

Cabe sim a nós que ficamos com a dor, com o ódio e com a indignação buscar respostas a esse questionamento.

 

Diariamente crianças são mortas: por fome, por guerra, por doenças, por falta de segurança, por acidente de trânsito e ficamos indiferentes.

 

 

Ficamos indiferentes e ainda batemos palmas para nossos governantes responsáveis diretos por essa tragédia. Choramos a morte do menino João, mas convivemos passivamente com a corrupção, esperando quem sabe um dia Deus resolve - lá por nós.

 

Já passou da hora dos políticos e autoridades perceber que é preciso dar segurança ao povo, pois em uma disputa direta com os bandidos, um cidadão de bem perde feio se não tiver  a proteção do Estado. Está ai o corpo dilacerado do Joãozinho para provar.

 

 

Joãozinho! Você é um mártir. Sua dor e seus restos mortais espalhados pelas avenidas cariocas serviram de lição de moral para essa sociedade que se prepara para o carnaval. Você mostrou que essa “Força Nacional” não está com nada. Você alertou ao governador que ele precisa trabalhar mais rápido pela paz de todos.

 

Na verdade menino, você despertou em todos nós que é preciso amar muito mais os nossos filhos. Você morreu sim, mas ressuscitou no coração da gente e agora é o menino mais amado do povo do brasileiro.

 

Prometo: Toda vez que eu der um abraço no meu filho vou dedicar um pouco do afeto para você.

 

*Bacharel em Administração. E-mail: julioribeiroms@hotmail.com Editor do: www.camacarinoticias.com.br

Júlio Ribeiro - Bacharel em Administração de Empresas, membro do Grupo Literário Arandú e da ONG ambientalista Salvar. E-mail: julioribeiroms@hotmail.com



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