|
Waldir Guerra - 10-09-2007 - 14:33
Dos mais de seiscentos artigos escritos por mim e publicados no Jornal O Progresso nesses últimos doze anos, duzentos deles, compõem o livro “Reflexões de segunda-feira” lançado em Dourados no dia 11 de maio passado e agora também em Pato Branco, PR
Para minha alegria – e muito orgulho, claro – fui convidado a lançar meu livro também na cidade de Pato Branco o que fiz na última quarta-feira, dia 5 de setembro, na Faculdade Mater Dei. O convite partiu de sua diretora Ivone Guerra, uma das mulheres mais dinâmicas que conheci em minha vida – que o confirme o jornalista Nicanor Coelho, presidente da Academia Douradense de Letras, que fez questão de se fazer presente no evento em Pato Branco e que a conheceu pessoalmente.
Nem sei se a alegria que senti naquela noite foi pelo lançamento do livro ou por ter visto presentes naquele evento tantos amigos que ainda tenho naquela cidade. Um deles esperou-me na escada para me entregar seu novo livro; era o médico – e também escritor – João Juglair Jr.
A Academia Patobranquense de Letras e Artes, tendo à frente seu presidente, Antonio Maciel Freire, também se fez presente com o comparecimento de vários de seus membros.
Políticos não poderiam faltar, afinal, foi lá que iniciei minha vida política; foi em Pato Branco que me elegi vereador e presidi por dois anos a Câmara de Vereadores no início da década de 60. O atual prefeito, Roberto Viganó, o ex-prefeito Astério Rigon – vereador de nossos tempos – e vereadores atuais, amigos sinceros e inesquecíveis. Uma alegria só.
Difícil continuar nominando as pessoas presentes àquele evento pelo simples fato de querer mostrar que, todos os presentes, foram importantes para mim. Foram e continuarão sendo. A gratidão que sinto se sobrepõe à satisfação de ter encontrado – e também de ter sido prestigiado – com a presença de uma centena de bons amigos.
E já que me propus falar de Pato Branco vou lembrar que no dia 9 de outubro próximo a Capital do Sudoeste Paranaense vai comemorar o cinqüentenário da Revolta dos Colonos. Foi em 1957 que os patobranquenses se sublevaram contra os desmandos de duas companhias colonizadoras que extorquiam, espancavam e matavam os colonos que se negavam a assinar contratos. Contratos que os obrigavam a adquirir as terras que já ocupavam a dezenas de anos.
Jovem, recém chegado à cidade, também participei daquela revolta. Aliás, nenhuma pessoa que eu saiba ficou de fora daquelas manifestações. Toda a população da pequena cidade de então saiu à rua e em frente à Rádio Colméia, incitados pelo radialista Ivo Tomazzoni, milhares de homens armados foram se organizando em grupos, tomaram as armas depositadas no Fórum local, constituíram uma Junta Governativa e assumiram o poder total da cidade.
Centenas de homens chegavam, a todo o momento, do interior – e até mesmo de outros estados – para fortalecer a revolta e também para defender a cidade contra a reação dos jagunços das colonizadoras que apoiados pelas forças policiais do governador Moisés Lupion poderiam iniciar um verdadeiro massacre.
Daquela Revolta dos Colonos resultou uma intervenção do governo federal na região acabando por legalizar todas as terras aos seus legítimos donos, os posseiros. Hoje é uma das regiões mais rica e próspera do Brasil e sua gente, forjada naquele levante, ainda mantém aquele espírito rebelde e empreendedor daqueles dias de 1957. Gente boa, brasileiros de verdade, por isso do meu orgulho em lançar meu livro também em Pato Branco.
* Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal. wguerra@terra.com.br/
Waldir Guerra - Cidadão douradense; foi vereador, secretário do Estado e deputado federal.
|