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Dispara o consumo de droga em Dourados

08 agosto 2012 - 00h00Por Fonte: Dourados Agora
Assim como acontece no resto do país, Dourados assiste a um crescimento expressivo no consumo de maconha e pasta base de cocaína. O aumento no número de usuários é demonstrado pela crescente procura nos centros de atendimentos para dependentes químicos na cidade, pelo acréscimo na quantidade de apreensões da droga e crimes ocasionados por envolvimento com entorpecentes.

Atualmente, no Centro de Atendimento Psicossocial Álcool e Drogas Caps-Ad, a maioria dos usuários de drogas que buscam tratamento são dependentes de pasta base. Uma pequena parcela é de crack, assim como de outras drogas. Já houve casos de viciados em oxi, entorpecente que surgiu no país em 2011 e ganhou proporções por todos os estados.

Uma grande maioria desses usuários entraram para o mundo das drogas após conhecer a maconha, considerada a mais leve entre os ilícitos. A informação é constatada por meio de entrevistas com os usuários. “Toda a pessoa que procura atendimento é submetida a uma triagem feita com equipe multidisciplinar. E de fato constatamos ao longo desses oito anos de Caps em Dourados que uma grande maioria começou utilizando maconha e depois passou para outras drogas”, diz a coordenadora do Caps-ad, a psicóloga Terezinha Ines Bonfim.

A discussão de que a maconha seria a porta de entrada para outras drogas divide opiniões em todo o mundo. Várias pesquisas foram feitas nesse sentido em importantes universidades do Brasil e exterior. O resultado direciona para ambos os lados: há conclusões de que a maconha pode levar o usuário a se viciar em outras drogas, mais tarde, como também há pesquisas que descartam qualquer tipo de possibilidade.

Sem contestar pesquisas, em Dourados, pelo menos, uma grande parcela dos usuários que querem deixar o caminho das drogas iniciou com a maconha. Para esclarecer algumas dúvidas a reportagem foi ao Caps-Ad falar com alguns usuários e constatou que muitos deles, não satisfeitos com a maconha, passaram a consumir outras drogas, para sentir efeitos mais intensos.

Esse é o exemplo de João (nome fictício), que aos 48 anos tenta se livrar da pasta base. Pai de duas filhas, ele viu de perto o desmoronamento da família depois do vício. Tudo começou de uma forma leve, quando ele tinha 17 anos, e com o tempo ganhou proporção, até João se ver no fundo do poço, totalmente dependente das drogas. “Eu era muito novo e na amizade com amigos passei a fumar maconha e depois passei para outras drogas. Nos últimos anos eu não me via mais sem a pasta base”, confidenciou João, que há 4 meses faz tratamento no Caps-Ad.

Sem saída, os usuários procuram o serviço para se livrar das drogas, mas não é fácil. O vício deixa a pessoa tensa, facilitando a recaída. Terezinha explica que é possível abandonar as drogas, desde que o usuário siga todas as recomendações da equipe multiprofissional. “Aqui oferecemos tratamentos com médicos clinico geral e psiquiatra, psicólogo, enfermeiro, além disso desenvolvemos projetos de qualificação de mão de obra, em parceria com outras entidades”, pontua a coordenadora do Caps-Ad. Dependendo do grau de vício e da disponibilidade, o usuário pode frequentar a entidade em período integral. Ele recebe alimentação, cursos, terapia.

Por dia, o Caps-Ad atende em média 35 pacientes. A maior parte deles são usuários de álcool. Entre as drogas, a pasta base é a que mais leva pacientes a procurar tratamento. Os homens ganham disparadamente no consumo de ilícitos. No Caps-Ad, os usuários de drogas, em sua maioria, têm entre 25 a 40 anos. Já o álcool lidera a faixa etária de homens com mais idade: dos 40 a 60 anos.

Drogas

Embora a pasta base lidere a quantidade de usuários que buscam tratamento no Caps-Ad, a maconha continua sendo o entorpecente mais apreendido na cidade de Dourados, seguido da pasta base e crack, praticamente empatados. Não há estatísticas para especificar a quantidade de usuários por drogas, mas segundo o tenente Teodoro Caramalac, da Polícia Militar, a maconha é a droga mais presente nas bocas de fumo na cidade.

Ele acredita que os universitários têm sido um dos principais públicos das bocas. Grande parte dos estudantes são de outros cidades, sendo a maioria do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais. Estima-se que há em Dourados pelo menos 20 mil universitários.

Apreensões

Para se ter uma ideia do volume de apreensões de drogas no Estado, balanço dos primeiros sete meses de desse ano, feito somente pelo Departamento de Operações de Fronteira (DOF), mostram que as apreensões neste período somam mais 12,7 mil quilos de maconha; 75,967 kg de cocaína; 10 bolas de haxixe; 73,627 kg de pasta base; 12 pedras de crack e 2,130 kg de oxi. Os números também revelam que 132 pessoas foram presas por tráfico de drogas.

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