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Execução de jornalista faz 100 dias e já está no arquivo morto

Execução de jornalista faz 100 dias e já está no arquivo morto

23 maio 2012 - 13h50
Mercosulnews


Na noite desta quarta-feira, por volta das 22 horas para ser mais exato, vai completar 100 dias em que o jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, que era mais conhecido por Paulo Rocaro, foi baleado e posteriormente registrada a sua morte algumas horas depois no pronto-socorro do Hospital Regional de Ponta Porã, na fronteira com o território paraguaio.
O jornalista que era um dos ativistas do PT (Partido dos Trabalhadores) perdeu a vida em conseqüência dos ferimentos que sofreu quando estava no interior de seu veículo, que foram provocados por tiros de pistola calibre nove milímetros, que teriam sido supostamente efetuados por um homem que estaria na garupa de uma motocicleta de cor escura, que estaria sendo pilotada por um segundo desconhecido.

Consumado o atentado contra o jornalista em pleno centro de Ponta Porã quando ele voltava para sua residência, após participar de uma reunião política na casa do ex-prefeito da cidade e grande amigo petista Vagner Piantoni, passados os 100 dias, até hoje, a família, os amigos, os colegas de trabalho e a comunidade em geral, não obtiveram ainda por parte da Polícia Civil que é a responsável pelas investigações, nenhuma informação sobre os pistoleiros ou os supostos mandantes de um dos inúmeros crimes impunes registrados naquela região do país.

Assim que tomei conhecimento de que Paulo Rocaro foi executado com os nove tiros, na noite de 12 de fevereiro passado, por ser também um grande amigo da sua pessoa, atrevi a escrever um artigo com o titulo “Execução de jornalista cairá no esquecimento em poucos dias” e pelo visto, o caso assim como muitos outros crimes de execuções sumarias ocorridos naquela região de fronteira, “já está no arquivo morto” da falida polícia, em especial a Polícia Civil do secretário Wantuir Brasil Jacini e companhia.

Abaixo vou dar uma refletida de novo sobre o artigo que escrevi para “comemorar” estes 100 dias de inoperância da polícia e principalmente da impunidade dada aos assassinos do jornalista e claro, aos supostos mandantes.

No artigo lembro que “...passada as fortes emoções pelo assassinato do jornalista e escritor e grande amigo Paulo Rocaro ocorrido na madrugada de segunda-feira em Ponta Porã após ele sofrer um atentado na noite de domingo quando se dirigia para a sua casa em seu veículo, embora eu torça para que queime a língua, acredito que este será mais um caso de pistolagem na região de fronteira que em poucos dias cairá no esquecimento, principalmente diante das circunstâncias e da plasticidade da ação dos criminosos, que em momento algum deixaram pistas”.

No artigo também digo que “...outro fator que me leva a acreditar num possível esquecimento do crime de execução que repercutiu no país interior, trata-se da guerra fria que Paulo Rocaro travava com delegados na cidade, cujo fato acabou até mesmo em registros de B.O (Boletim de Ocorrência) de ameaças de sua parte contra eles e um suposto processo que teria sido supostamente movido pelas autoridades policiais contra ele”.

No artigo atrevi a dizer que “...vingança, crime passional, por motivação política ou a mando de supostos contrabandistas ou narcotraficantes, enfim, a polícia tem várias linhas investigativas para elucidar a morte do jornalista, todavia, entendo que diante da fragilidade das polícias na região de fronteira, o caso deverá sim cair no esquecimento como muitos outros que ocorreram nas mesmas circunstancias operacionais dos autores, ou seja, com características de pistolagens a mando de um ou de um grupo” e acrescentei que “...uma coisa é certa: A morte do jornalista teria sim que ser esclarecida, pois a sociedade em um todo, seus amigos e em especial, os seus familiares precisam saber do porque do crime; quem os cometeu e principalmente, a mando de quem, disso não tenho nenhuma dúvida”.

Na oportunidade disse que “...li na imprensa eletrônica que as ligações telefônicas feitas e recebidas pelo jornalista Paulo Roberto Cardoso Rodrigues, conhecido profissionalmente como Paulo Rocaro, que foi morto a tiros em Ponta Porã, seriam analisadas para tentar desvendar o crime”, e aqui neste caso, acredito que foi tudo uma balela até o dia de hoje.

Ainda no artigo cito que “...o pedido da quebra do sigilo do telefone de Paulo Rocaro segundo a notícia vinda da fronteira, que é uma das regiões mais violenta do país por fazer divisa com o território paraguaio, teria sido feito à Justiça pelo delegado Odorico Ribeiro de Mendonça Mesquita, que assumiu o IP (Inquérito Policial)”.

O delegado disse a imprensa na época do crime que “...vamos ver para quais números ligava, com quem falava mais tempo”, afirmou o delegado a imprensa eletrônica, mais acredito que nada disso foi feito e se fez ele não informou à imprensa o que pode ter obtido de positivo ou negativo neste caso.

Lembro no artigo que “...não tive o prazer ainda de conhecer o delegado Odorico Mesquita, porém volto a repetir que sinceramente espero queimar a minha língua, mais não acredito que ele e seus agentes investiguem e descubram que matou o jornalista e principalmente que teria sido o suposto mandante ou mandantes” e pelo jeito estaria com razão nesta previsão, tanto que hoje faz 100 dias que aconteceu o crime e os autores e os supostos mandantes estão ainda impunes, e o que é pior, rindo de tudo isso, com certeza.

NAZIH EL KADRI

Por outro lado, no artigo lembro que quiseram atribuir a provável causa do assassinato de Paulo Rocaro ao livro “A Tempestade, Quando o crime assume a Lei para manter a ordem” que foi lançado há dez anos e acrescentei que “...sinceramente não acredito que o livro “A Tempestade” lançado com grande festa na noite do dia 27 de setembro de 2002 e que na qual fiz parte, fazendo o prefácio, e o então Delegado Regional de Polícia Civil de Ponta Porã, Nazih El Kadri, fez a apresentação da obra literária, tenha sido o pivô da morte dele”.

Lembrei que na apresentação daquele livro que foi recorde de vendas, Nazih El Kadri, um delegado de Polícia Civil que atuou duas vezes como Delegado Regional de Ponta Porã, no qual Paulo Rocaro se gabava em dizer para todo mundo, de ter na autoridade policial uma grande e sincera amizade escreveu a seguinte mensagem que foi publicada coincidentemente na página 13, o número do azar: “...Para mim é uma grande honra apresentar esta obra do meu amigo Paulo Rocaro, principalmente pelo fato de conhecê-lo há mais de 15 anos (na época) e pelo alto grau de profissionalismo que o autor possui no jornalismo policial. É um livro que certamente vai enriquecer a literatura sul-mato-grossense pela forma direta com que trata o assunto. É um orgulho para o município de Ponta Porã ter mais um escritor inserido no cenário nacional.

Saúdo o autor pelo brilhantismo da obra, cujo teor é perfeitamente compreensível e identificado com a realidade da segurança pública, embora composta de histórias e personagens fictícios. Realmente é um livro para ser lido e apreciado. Meus mais sinceros votos de sucesso ao autor. Nazih El Kadri, Delegado Regional de Polícia Civil.

Do mais, paz e bem, e que Deus cuide da alma do nobre jornalista com muita luz e ampare com muita paz espiritual, os seus familiares, colegas de trabalho e amigos…!!!. Depois desta, parei e fui, mais volto…!

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