Menu
Busca sexta, 23 de outubro de 2020
Meio Ambiente

Queda de oxigênio desafia vida aquática no ecossistema pantaneiro

No período da decoada, os peixes mais fragilizados morrem

18 abril 2016 - 12h36Por Fonte: correiodoestado
Junto ao período de cheias no Pantanal sul-mato-grossense ocorre também fenômeno que pode ser considerado perverso ao meio ambiente, apesar da discordância de alguns especialistas. A decoada, como é chamado o processo de redução do oxigênio das águas do Rio Paraguai conforme ele avança sobre a vegetação seca a ser alagada, mata milhares de peixes e outros animais todos os anos, mas está longe de ser considerada maléfica.

Tais mortes já começaram e é justamente em abril que a maior parte delas ocorre. Sejam peixes com e sem escamas, quanto arraias e até mexilhões dourados, a decoada não poupa nenhum. Com o oxigênio da água em quase zero, esses animais sucumbem e se tornam alvos fáceis para outros membros da fauna, como as aves pantaneiras, jacarés e também o ser humano.

A pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pantanal, Márcia Divina de Oliveira afirma que os primeiros registros escritos do fenômeno datam da década de 80 e chegou-se a supor que as queimadas e outros danos ambientais provocados pelo homem fossem a origem da decoada.
Atualmente esta ideia já foi descartada e vê-se inclusive que a decoada é necessária, justamente por permitir a renovação das espécies e que sobrevivam apenas aqueles animais que, de fato, são mais fortes.

O diretor-presidente da Fundação de Meio Ambiente do Pantanal, da prefeitura de Corumbá, Antônio Rondon da Silva sustenta que "não podemos colocar isso (a decoada) como calamidade ou caso trágico. É algo natural, que serve para apurar a qualidade das espécies. Os peixes mais fragilizados morrem, os mais fortes sobrevivem".

Para a pesquisadora da Embrapa, por ser um processo natural, a decoada também não pode ser vista como uma tragédia e até comenta que haveria mecanismos para reduzir as perdas e as mortes, como drenar parte da planície pantaneira. "Se modificarmos o ambiente podemos reduzir as mortes, mas se trem decoada é porque a própria natureza está trabalhando", defende.

Deixe seu Comentário

Leia Também

ECONOMIA
Resgates superam investimentos no Tesouro Direto em R$ 168,48 milhões
EDUCAÇÃO
Censo mostra que ensino a distância ganha espaço no ensino superior
ECONOMIA
Contas externas têm em setembro sexto mês seguido de saldo positivo
INTERNACIONAL
Brasil e outros 31 países assinam declaração sobre saúde da mulher