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Polícia

Tios, primo e avó indiciados por associação criminosa e tortura de menino de 4 anos

Suspeitos podem responder por corrupção de menores devido a desenho de criança

04 março 2016 - 19h31Por Fonte: correiodoestado
O inquérito que investiga tortura durante ritual de magia negra contra um menino de 4 anos foi concluído nesta sexta-feira (4) e será encaminhado ainda hoje para o Ministério Público Estadual (MPE). Tios avós da criança, de 36 e 41 anos, avó de 61 anos e um primo de 18 anos foram indiciados por tortura duplamente qualificada e associação criminosa. Eles também poderão responder por corrupção de menores devido a um desenho da filha do casal, de 9 anos, comprovar que a tortura era cometida na frente das crianças.

De acordo com o titular da Delegacia Especializada de Atendimento a Infância e Juventude (Depca), Paulo Sérgio Lauretto, a diretora de uma escola municipal também foi citada no inquérito por omissão. De acordo com ele, no dia 16 de fevereiro a tia do menino o levou a escola e a criança foi recusada pela diretora por conta dos machucados, no entanto, ela não acionou o Conselho Tutelar nem a Polícia.

Vizinhos também foram ouvidos e disseram que quase nunca viam o menino e, nas poucas vezes em que foi visto, ele estava sempre de roupas com mangas compridas, capuz e boné.

“Toda essa situação poderia ter sido evitada. Não deram a devida atenção, não olharam essa criança quando deveria ser olhada, só a enxergaram quando ela deixou de ser invisível e ela deixou de ser invisível quando toda a situação veio a tona e ela já estava neste estado”, disse o delegado.

Ainda conforme o delegado, assistentes sociais do abrigo onde a criança estava antes de ser adotada pelo casal não foram responsabilizados porque as torturas começaram depois do período de acompanhamento.

No entanto, em fevereiro assistentes sociais voltaram a entrar em contato com a mulher para questionar sobre a educação do menino. A tia disse que ele não estava frequentando a escola por conta de ter sido rejeitado pela diretora por estar com ferimentos causados por uma queda.

O abrigo entrou em contato com a diretora no dia 22 de fevereiro. A mulher confirmou que só aceitaria a criança mediante laudo médico porque ela estava com muitos ferimentos. Diante da informação, assistentes acionaram o Conselho Tutelar, que foi a casa da tia e o encontraram com muitos machucados, encaminhando-o à Santa Casa, onde ele continua internado e pode ter alta nos próximos dias.

Na ocasião, a Polícia Civil foi acionada, o casal foi preso e as filhas biológicas, de 9 e 12 anos, foram encaminhadas ao Conselho Tutelar. Ao serem ouvidas por psicólogas, uma delas não conseguiu se expressar e em técnicas específicas usadas nesse caso, fez um desenho onde aparece o local onde aconteciam os rituais de magia negra. Conforme o delegado, isso comprova que a criança presenciou os rituais de tortura.

Ainda segundo o delegado, ficou provado durante as investigações que o menino foi adotado pelo casal já com a intenção de ser usado nos rituais, que só começou efetivamente depois de passado o período de fiscalização do abrigo.Os pais biológicos do menino não foram ouvidos ou procurados pela polícia. "Os pais não tem responsabilidade porque o menino foi destituído da família por estarem em situação de vulnerabilidade. A responsabilidade passou a ser dos tios que adotaram", disse.

As filhas dos tios e o menino serão acompanhados pelo Conselho Tutelar e devem ficar em abrigo. O inquérito será distribuído na Vara da Infância, 23ª Promotoria de Justiça e 7ª Vara Criminal. Laudos médicos, que ainda não ficaram prontos, serão anexados posteriormente.

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