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"Cordel Encantado", um encanto de novela

23 setembro 2011 - 16h00
"Cordel Encantado", um encanto de novela

Uol

Nunca acompanhei uma novela das seis. Nem quando eu conseguia estar em casa a essa hora, uns trocentos anos atrás. As tramas açucaradas me pareciam demasiado infantis mesmo quando eu ainda era criança.

Mas este ano, pela primeira vez na vida, uma obra deste horário me atiçou a curiosidade. Comecei a ler em todos os lugares que "Cordel Encantado" era um marco no gênero. Pessoas que seguiam a trama me confirmaram: roteiro, elenco, produção, era tudo primoroso. E a audiência em alta estava recompensando tanta qualidade.

Resolvi então assistir aos últimos capítulos da novela. Já tinha uma boa noção da história, que mistura cangaço e contos de fadas sem a menor cerimônia. E fiquei, hmm, encantado com o que vi.

O primeiro impacto é visual. "Cordel Encantado" foi gravada com modernas câmeras digitais F35. A textura e a profundidade da imagem são impressionantes, ainda mais se vistas numa TV de alta definição.

Os cenários e os figurinos combinam épocas diferentes mas formam um universo próprio e coerente, quase crível. Nada é muito realista: ninguém andava tão empetecado no sertão nordestino de quase um século atrás, mas quem se importa?

Também é verdade que os atores estão todos bem, sem exceção. Até mesmo aqueles que nunca foram associados a grandes interpretações deram conta do recado. É o caso de Marcelo Novaes, divertido como o gago Quiquiqui. Nomes consagrados como Osmar Prado ou Marcos Caruso, então, deitaram e rolaram. E que delícia rever veteraníssimas como Ilva Niño ou Berta Loran, há tempos sumidas do vídeo, ao lado de um batalhão de rostinhos (para mim) desconhecidos.

Nem tudo é perfeito, claro. O vilão Timóteo (Bruno Gagliasso) fugiu do hospital e passou três dias perambulando pela cidade de Brogodó sem que nada acontecesse ou alguém o reconhecesse. Enquanto isto eram realizados uns quarenta casamentos, com intermináveis juras de amor eterno.

As autoras Duca Rachid e Thelma Guedes acertaram ao criar personagens bem definidos: uma imensa maioria de bonzinhos e alguns malvados bem maus mesmo, sem nuances ou conflitos internos. Bem longe da atormentada Norma de "Insensato Coração", tão contraditória quanto implausível.

"Cordel Encantado" termina hoje como aquele raro exemplo do que acontece quando os deuses noveleiros entram num acordo. Tudo deu certo, sob os aplausos da crítica e do público. E até eu, que prefiro mais realismo e complexidade, fiquei com pena de não ter visto a novela mais vezes.


Tony Goes tem 50 anos. Nasceu no Rio de Janeiro mas vive em São Paulo desde pequeno. É publicitário em período integral e blogueiro, roteirista e colunista nas horas vagas. Escreveu para vários programas de TV e alguns longa-metragens, e assina a coluna "Pergunte ao Amigo Gay" na revista "Women's Health". Colaborador frequente da revista "Junior" e da Folha Ilustrada, foi um dos colunistas a comentar o "Big Brother 11" na Folha.com.

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