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Dupla jura que vai resistir ao sertanejo universitário

17 setembro 2012 - 16h50
Campograndenews


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Eles estão entre as duplas na resistência pela valorização da música sertaneja de raiz. Alex e Yvan, os “Violeiros de Bodoquena”, lutaram, lutaram, conseguiram alcançar uma agenda cheia aos finais de semana, apesar de garantir que não gostam “de jeito nenhum” do estilo da moda: o universitário.

O forte é o repertório clássico. Nada de “Camaro Amarelo”, comenta Alex, o mais falador da dupla. “Preservamos a nossa essência, não tocamos o que toca na rádio. Não tocamos, porque senão seremos somente mais uma dupla”, justifica.

Resistir, porém, não parece um caminho fácil. Dia desses gravaram o arrocha “Periguete”, pensado na fama com um hit. “Sim, gravamos com a esperança de ter um hit chicletinho, não tem como falar que não”, admite.

Mas, se isso redime a dupla, não é algo que eles acreditem. Os dois dizem que é um meio de continuar fazendo o que gostam e sobreviver com isso.

“Não é por dinheiro. Quando eu saí da minha cidade, com o que eu ganhava, dava para viver e sobrava. Se fosse apenas por questão financeira, tinha continuado no interior. Mas eu sempre quis me tornar uma pessoa com o trabalho reconhecido. E parte disso já conseguimos, pois no Estado somos reconhecidos, temos público”, diz Alex.

No início, o maior desejo era um clichê de quase todos os sertanejos. “Sonhava com uma caminhonete, como uma Ranger. Era um sonho pequeno, mas vindo de onde vim, sem berço de ouro, era meu sonho, e eu já conquistei”.

Mas agora, a vontade é outra diz o sertanejo Yvan “A gente sonha com o dia em que vamos fazer uma parceria com a dupla Chrystian e Ralf”.

Alex era vocalista de uma banda show chamada “Ativista” em Bodoquena e mudou o rumo da carreira depois de um showmício para um candidato a prefeitura da cidade.

O rapaz foi convidado para ir a uma reunião do candidato adversário e então conheceu o grande parceiro, Yvan, um tocador de viola.

Passaram a se apresentar juntos e lembram ainda hoje da primeira música no repertório, “Desatino”, de Ronaldo Viola.

No começo, tocavam pela região, a troco de gasolina. “O cachê era muito pouco, não compensava. No fim das contas víamos que estávamos pagando para tocar”, lembra Alex.

Por onde passavam, o estilo “raiz” da dupla fazia admiradores que cobravam a gravação de um CD. “Ou qualquer coisa, para ouvir em casa, mas como gravar um CD era caro, e na cidade nem existe um estúdio, decidimos então gravar uma demo em um show”, lembra o cantor.

O CD caseiro rodou Bodoquena, cidades vizinhas, e os dois deram um jeito para que a gravação chegasse até Campo Grande. “Por sorte, a demo caiu nas mãos das pessoas certas e uma delas foi o nosso empresário, que nos convidou para ir a Campo Grande se apresentar no programa do Miltinho Viana em um domingo”.

Uma apresentação em Corumbá rendeu os R$ 300,00 para a viagem a Campo Grande. Por aqui, rodaram, rodaram, mas só conseguiram tocar quando uma dupla desistiu da apresentação em uma casa noturna da cidade.

“Chegamos às 20 horas, pelo menos 4 horas antes da casa abrir as portas. E ali começaram a surgir os convites para outras apresentações na Capital”, lembra Ivan.

Durante tempos, tocaram só por uma “ajuda de custo”, sem cachê, até conquistarem pontos como o Santa Fé, onde são residentes.

A dupla ainda não completou 10 anos de carreira, mas já carrega uma bagagem cheia de histórias. Até hoje lembram de uma das primeiras experiências.

Em Bonito, chegaram a tocar por 8 horas seguidas, das 20 às 4 da manhã, por apenas 50 reais, hotel, refeição e de quebra um passeio no balneário.

“O combinado eram de 4 horas, mas durante esse período o restaurante permaneceu vazio. Quando encerramos a apresentação para os garçons, chegou um grupo de turistas, então tocamos tudo de novo”. Mas ficaram se o passeio prometido.

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