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Leia: Um dia de modelo dentro do presídio

20 setembro 2012 - 13h40
Campograndenews



Toda terça-feira há uma reunião e um convidado, mas desta vez o programa é um dos mais animados no Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi, em Campo Grande. Maquiagem, penteados, fotos e a cena muda. As presas aparecem produzidas, prontas para imagens que vão render books, como os de modelos.

De cabelos escovados, lápis nos olhos, sombra, batom, unhas esmaltadas, elas vão abrindo o sorriso. A produção depende de voluntárias. A fotógrafa Shirley Pereira, de 35 anos, é uma delas. Com a câmera, passou a tarde no presídio. “O interessante é que nem precisou incentivar. Elas são as artistas e eu na verdade só estou registrando”, conta.

A cabeleireira Eliane Ferreira Nunes, 33 anos, entre uma escovada e outra conversa com o Lado B e admite, estava com receio de passar pelos muros do presídio. “A gente pensa cada coisa, mas se vê de perto, não tem nada demais. É gente como a gente que precisa de oportunidade até pra ficar bonita. O que falta é isso, a oportunidade”.

Elas participam do projeto “Caminhar” que envolve 21 presas com bom comportamento. “Queremos colocá-las em situação de igualdade perante as mulheres lá fora. Ela merece ser feliz. Se elas agirem de acordo com os padrões da sociedade, podem conseguir muita coisa”, diz a coordenadora do projeto, a psicóloga Rosana Aparecida”.

Como em um salão de beleza, as mulheres vão arrumando o visual e contando histórias pessoais, falando sobre motivos, trajetória no crime e a vontade de sair dali.

Margareth Vilela, de 49 anos, tem curso superior. Formada em história, acabou presa pela quarta vez em abril de 2011, por estelionato. Mas apesar dos pesares, ela diz que nunca perdeu a vaidade. “Nos alojamentos, não tem secador como hoje, mas o cabelo está sempre está arrumado e as unhas feitas. “Fazemos unha toda semana, quem se cuida lá fora, também se cuida aqui”.

A liberdade ainda é o sonho da maioria, mas muitas estão ali não pela primeira vez. Aos 54 anos, Nivalda Tolentino já saiu, voltou, e agora será modelo pela primeira vez. No presídio há 1 ano e 10 meses, por tráfico de drogas, o que ela queria mesmo era a liberdade.”Isso não tem. O que dá para fazer aqui dentro, nós fazemos esperando chegar logo o dia de ir embora”.

Mas por alguns instantes a vontade parece se realizar. “Arrumei o cabelo, fiz sobrancelha, não estou me sentindo presa neste momento. Estou linda, poderosa. Só me falta mesmo a liberdade para eu ficar ainda mais bonita”.

A mais nova da turma, Andréia Rodrigues, tem apenas 19 anos. A estudante chegou em fevereiro, também depois de presa por tráfico de drogas, e encontrou o que classifica de “inferno”.

Com o tempo a impressão se transformou um pouco, por conta de momento como os de terça-feira. Só falta alguém para elogiar. “Se eu estou chamando atenção? Posso até estar, mas de quem?”, comenta.

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