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CINEMA

"Nasce uma Estrela" triunfa ao costurar conflitos pessoais aos da fama

10 outubro 2018 - 17h00Por IG Gente

Qualquer versão de “Nasce uma Estrela”, e já foram três no cinema antes desta protagonizada por Lady Gaga e Bradley Cooper , flerta com a ideia de ser um fenômeno cultural, um arrasa-quarteirão nos Oscars e um filme que polarize a crítica.

Esse projeto já figurava nos corredores da Warner há algum tempo e estava cotado para ser dirigido por Clint Eastwood que pensara em Beyoncé para estrelar. As coisas não fluíram, Clint enfileirou “15h17: Trem para Paris” e “The Mule”, que estreia em dezembro nos EUA, e “Nasce uma Estrela” caiu no colo de Bradley Cooper que estava à procura de algo para estrear como diretor.

A direção de Cooper é inegavelmente um dos muitos atrativos dessa nova versão da clássica história. “Música é essencialmente qualquer nota entre doze oitavas”, explana um personagem em um momento chave do longa-metragem. “Doze notas e a oitava repetição. É a mesma história contada de novo, e de novo. Tudo que um artista pode oferecer ao mundo é como ele vê aquelas doze notas”. A visão de Cooper é delicada e sombria, sem deixar de ser potente e envolvente.

Cooper também se destaca como ator. Sua interpretação do roqueiro veterano com um grave vício em drogas e álcool em busca de uma janela para a sua alma é tocante. Seu Jackson Maine é gentil e amoroso, mas também machista, possessivo e rancoroso. Cooper trabalha essas contradições com muito esmero e entrega uma performance cheia de sutilezas em notas que se alternam entre um sol e um mi maior.

Lady Gaga é uma força da natureza. Quando a atriz está em cena é difícil desviar os olhos dela. A pureza da jovem vislumbrada, mas com um ponto de vista muito forte sobre quem ela é e sobre quem ela não quer ser, encanta e Gaga domina a verdade de sua personagem com unhas e dentes. É uma atuação que se beneficia da generosidade de Cooper como intérprete e que atinge as escalas mais altas e emocionais quando Gaga canta.

Uma história de amor e fama

Bradley Cooper orienta seu diretor de fotografia Matthew Libitique no set de Nasce uma Estrela
A força dessa nova versão da história reside fundamentalmente na contraposição que estabelece na intensidade da história de amor entre Jackson e Ally (Gaga) e na maneira desencontrada com que encaram a fama . Jackson já viveu tudo aquilo que Ally está vivendo e está muito ressentido com o impacto que aquilo teve na sua vida e testemunhar em primeira mão o que acontece com Ally o incomoda profundamente. Ally, por seu turno, não pode absorver a experiência de Jackson por osmose e precisa viver sua própria experiência.

Esse choque tão nefasto e natural envolve um amor que sempre teve a música como eixo central, mas que derivava de necessidades circunstanciais dos envolvidos. Se Jackson via em Ally uma chance de recobrar a paixão por algo em sua vida, algo puro, intocado pelos tentáculos da cultura de celebridades, Ally estava sendo apresentada a um mundo de sonhos e facilidades e com um homem disposto a tudo por ela.

O poder de “Nasce uma Estrela”
 
A grande façanha do filme de Cooper está justamente na maneira habilidosa com que esses conflitos se relacionam e o roteiro (assinado por Cooper em parceria com Eric Roth) jamais deixa de respeitar as verdades – sejam elas absolutas ou relativas –de cada personagem.

“Nasce uma Estrela” se assevera como o grande fenômeno cultural que é – e múltiplas indicações ao Oscar estão a caminho – por agregar o fascínio de uma estrela obstinada, à evolução de um astro do cinema para um autor com algo a dizer, e por trazer algo novo, genuíno e ressonante em uma história tão conhecida.

 

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