Menu
Busca quarta, 24 de abril de 2019
(67) 9.9973-5413
CINEMA

"Nasce uma Estrela" triunfa ao costurar conflitos pessoais aos da fama

10 outubro 2018 - 17h00Por IG Gente

Qualquer versão de “Nasce uma Estrela”, e já foram três no cinema antes desta protagonizada por Lady Gaga e Bradley Cooper , flerta com a ideia de ser um fenômeno cultural, um arrasa-quarteirão nos Oscars e um filme que polarize a crítica.

Esse projeto já figurava nos corredores da Warner há algum tempo e estava cotado para ser dirigido por Clint Eastwood que pensara em Beyoncé para estrelar. As coisas não fluíram, Clint enfileirou “15h17: Trem para Paris” e “The Mule”, que estreia em dezembro nos EUA, e “Nasce uma Estrela” caiu no colo de Bradley Cooper que estava à procura de algo para estrear como diretor.

A direção de Cooper é inegavelmente um dos muitos atrativos dessa nova versão da clássica história. “Música é essencialmente qualquer nota entre doze oitavas”, explana um personagem em um momento chave do longa-metragem. “Doze notas e a oitava repetição. É a mesma história contada de novo, e de novo. Tudo que um artista pode oferecer ao mundo é como ele vê aquelas doze notas”. A visão de Cooper é delicada e sombria, sem deixar de ser potente e envolvente.

Cooper também se destaca como ator. Sua interpretação do roqueiro veterano com um grave vício em drogas e álcool em busca de uma janela para a sua alma é tocante. Seu Jackson Maine é gentil e amoroso, mas também machista, possessivo e rancoroso. Cooper trabalha essas contradições com muito esmero e entrega uma performance cheia de sutilezas em notas que se alternam entre um sol e um mi maior.

Lady Gaga é uma força da natureza. Quando a atriz está em cena é difícil desviar os olhos dela. A pureza da jovem vislumbrada, mas com um ponto de vista muito forte sobre quem ela é e sobre quem ela não quer ser, encanta e Gaga domina a verdade de sua personagem com unhas e dentes. É uma atuação que se beneficia da generosidade de Cooper como intérprete e que atinge as escalas mais altas e emocionais quando Gaga canta.

Uma história de amor e fama

Bradley Cooper orienta seu diretor de fotografia Matthew Libitique no set de Nasce uma Estrela
A força dessa nova versão da história reside fundamentalmente na contraposição que estabelece na intensidade da história de amor entre Jackson e Ally (Gaga) e na maneira desencontrada com que encaram a fama . Jackson já viveu tudo aquilo que Ally está vivendo e está muito ressentido com o impacto que aquilo teve na sua vida e testemunhar em primeira mão o que acontece com Ally o incomoda profundamente. Ally, por seu turno, não pode absorver a experiência de Jackson por osmose e precisa viver sua própria experiência.

Esse choque tão nefasto e natural envolve um amor que sempre teve a música como eixo central, mas que derivava de necessidades circunstanciais dos envolvidos. Se Jackson via em Ally uma chance de recobrar a paixão por algo em sua vida, algo puro, intocado pelos tentáculos da cultura de celebridades, Ally estava sendo apresentada a um mundo de sonhos e facilidades e com um homem disposto a tudo por ela.

O poder de “Nasce uma Estrela”
 
A grande façanha do filme de Cooper está justamente na maneira habilidosa com que esses conflitos se relacionam e o roteiro (assinado por Cooper em parceria com Eric Roth) jamais deixa de respeitar as verdades – sejam elas absolutas ou relativas –de cada personagem.

“Nasce uma Estrela” se assevera como o grande fenômeno cultural que é – e múltiplas indicações ao Oscar estão a caminho – por agregar o fascínio de uma estrela obstinada, à evolução de um astro do cinema para um autor com algo a dizer, e por trazer algo novo, genuíno e ressonante em uma história tão conhecida.

 

Deixe seu Comentário

Leia Também

CINEMA
Academia anuncia mudanças em categorias do Oscar
JUSTIÇA
ISS para sociedades de advogados deve ser por valor fixo, decide STF
SAÚDE
Medicamento para tratar AME deve estar disponível no SUS em 180 dias
CAMPO GRANDE
Bandidos destroem parede, invadem restaurante e levam dinheiro do caixa