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Ségio Malheiros comenta sobre racismo e diz 'é muito difícil não sofrer sendo famoso ou não'

22 janeiro 2019 - 20h00Por Queem Acontece

Os anos 90 estão de volta – pelo menos em Verão 90, trama das 7 que estreia dia 29. Mas além de itens que hoje são peça de colecionadores, como walk-man e telefone fixo, sem falar em cortes repicados e calças de cintura alta, a novela de Paula Amaral e Izabel de Oliveira vai mostrar aspectos feios da época e que continuam até hoje, como o machismo e o racismo. “Apesar da gente ainda ver um Brasil extremamente preconceituoso e racista, nos anos 90 era bem mais difícil”, avisa Sergio Malheiros, que na história é um jovem negro de origem humilde que se apaixona por uma patricinha branca.

Diego, papel do ator, é filho de Janice (Cláudia Ohana) e Otoniel (Val Perré). Criado em um conjunto habitacional da Zona Sul do Rio, ele frequenta uma faculdade particular onde conhece Larissa (Marina Moschen), a rica noiva do milionário Quinzinho (Caio Paduan). “Ele é um cara humilde, pobre. Situações de preconceito que são corriqueiras na vida de qualquer jovem negro no Brasil o Diego enxerga de forma diferente. Ele tem uma profunda revolta em relação a esse status quo e essas situações que acontecem e que vão levá-lo a repensar o futuro”, adianta Sergio.

Para entender a realidade de um jovem da época, o ator foi atrás de quem viveu a década de 90. “Conversei com meus familiares, meus parentes, meu pai; principalmente meus tios que eram jovens e teriam mais ou menos a idade do meu personagem”, explica Sergio, relatando o que aprendeu. “A gente tinha uma polícia ainda mais truculenta, um resquício da ditadura ainda muito grande. Foi interessante entender como que esse caldeirão cultural pós-ditatura criou e moldou um pouco da cultura dos anos 90 carioca. Isso foi muito importante para mim”, diz ele.

Sergio, assim como seu personagem, já viveu episódios de preconceito na vida real. “Eu já passei muitas situações. Mas fui uma criança negra e famosa e não é que isso me protegia, mas as pessoas pensavam duas vezes antes de fazer alguma coisa comigo”, lembra, ressaltando que mesmo a popularidade que o blindava não impediu que fosse vítima de racismo.

“Não digo o preconceito de quanto te chamam de macaco na rua ou jogam uma banana, esse tipo de preconceito mais direto e agressivo não. Mas existe um preconceito estrutural, aquele que as pessoas pensam os lugares que você vai frequentar, ou te olham de um jeito que quando você entra em uma loja... Esse tipo está incrustado na nossa cultura e é muito difícil de não sofrer independentemente da sua classe social e sendo famoso ou não”, avisa.

As situações de racismo velado Sergio sente inclusive quando está com a namorada, Sophia Abrahão. “A gente é um casal interracial famoso, vamos restaurante caro e as pessoas olham torto. As pessoas não escondem. Isso acontece o tempo todo, dentro e fora do Brasil. É uma realidade”, afirma ele.

“Há outras, que às vezes são mais sutis. Quando a Sophia fala alguma coisa sobre o fato de eu ser negro, algumas pessoas dizem 'mas não, o Sergio não é negro', como se fosse uma ofensa falar que eu sou negro. É como se fosse um xingamento. Ou então falam ‘Sergio é mulato’ e é preciso a explicar a origem da palavra e como isso é uma forma preconceituosa de entender a negritude”, diz.

Mas o personagem tem outras camadas, como conta Sergio. "Diego também é surfista e o Carlos Burle (um dos maiores surfistas brasileiros) me ajudou muito. Ele me deu um livro sobre sua vida que me aproximou do mundo do surfe naquela época. Não só os equipamentos era muito diferentes, mas o estilo de surfe também", explica Sergio, ele mesmo adepto do esporte.

O romance do personagem com Larissa é outro fio condutor forte para Diego, que conhece a moça na faculdade de Administração e depois troca de curso. "Ele entra numa faculdade particular no Rio onde é um dos poucos negros a conseguir chegar lá, ainda mais nos anos 90. Mas, mesmo sendo um peixe fora d'água, Diego consegue trazer a Larissa um pouco para perto dele", diz. "Acaba que que essa relação de amizade que nasce na faculdade acaba virando uma de amor e issso no meio de um noivado em que a Larissa já está há muito tempo com Quinzinho", conta.

Trabalhando pela primeira vez com Val Perré e Claudia Ohana, ele é só elogios para seus pais na trama. "Sempre quis atuar com a Claudia até porque um grande amigo já tinha trabalhado com ela e sempre a elogiava. Val eu não conhecia e foi um presente, a gente conversa muito sobre o texto, como lemos e nos sentimos representados. E tenho que falar da Dira Paes, que está com a gente o tempo todo e dá muitas dicas", elogia.

Mesmo abordando temas mais pesados, Sergio faz questão de frisar que Verão 90 é alto astral, até por conta do momento político que o mundo atravessava. "Era uma fase extremo positivismo com o fim da Guerra Fria; os anos 90 começam já com uma sensação de um mundo melhor muito grande sob todos os aspectos. Isso tem na novela: ela é para frente", avisa.

"É bem diferente do que a gente está vivendo agora e eu acho que a arte está aí para trazer um pouco de alegria. Justamente nesse momento (atual) de pouca esperança assistir a uma novela sobre os anos 90 em que ingenuamente os jovens acreditavam que iam mudar o mundo... Olha, eu acho que esses jovens dos anos 90 vão se sentir muito homenageados e felizes de ver o resgate de um momento tão especial para a história deles", acredita.

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