Menu
Busca terça, 29 de setembro de 2020

Desconhecimento dificultam uso da camisinha feminina

Desconhecimento dificultam uso da camisinha feminina

13 agosto 2011 - 22h14Por Agência Notisa
A negociação para uso de preservativo durante relações sexuais pode ser complicada, principalmente em casais estáveis, situação em que seu uso pode ser interpretado como desconfiança quanto à fidelidade do(a) parceiro(a). Outra dificuldade reside no fato do uso da camisinha masculina, método mais conhecido, estar nas mãos dos homens, diminuindo a autonomia das mulheres no momento de se protegerem. O artigo “Percepções de casais heterossexuais acerca do uso da camisinha feminina”, publicado este ano na Revista Escola Anna Nery, considera que o maior incentivo e esclarecimento quanto à camisinha feminina são uma alternativa “para minimizar as desigualdades de poder de negociação”.

Segundo o trabalho, de autoria da doutora em enfermagem Vera Lúcia de Oliveira Gomes e equipe do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Enfermagem, Gênero e Sociedade – GEPEGS (RS), como a AIDS cada vez mais infecta mulheres, novos esforços são necessários para que esta população seja protegida. Entre as mulheres, mostram dados do artigo, a via de transmissão heterossexual é responsável por 94,9% das transmissões, de maneira que a “negociação do sexo seguro, até então vinculada quase que exclusivamente à prostituição, passou a ter um reconhecimento público e político como algo positivo”, consideram as autoras.

Na avaliação das pesquisadoras, “as iniciativas governamentais, desenvolvidas pela Coordenação Nacional de DST/AIDS para conter a propagação da epidemia junto às mulheres, vêm apresentando resultados tímidos e insatisfatórios”. O artigo considera que as iniciativas em direção à promoção e divulgação do uso da camisinha masculina são pertinentes e devem ser incentivadas, mas considera que é necessária a criação de programas de esclarecimento quanto à possibilidade de uso da camisinha feminina, alternativa que, acreditam as autoras, daria à mulher acesso a um “método que poderia lhe dar autonomia de decisão”. Além disso, o artigo destaca como pontos positivos da camisinha feminina: “a praticidade no uso, a viabilidade de colocação horas antes do contato sexual, a possibilidade de a mulher conhecer melhor sua própria anatomia, bem como suprir a falta de lubrificação vaginal comum na menopausa”.

Para avaliar o nível de conhecimento e percepções vantajosas e desvantajosas sobre o uso da camisinha feminina, foi realizada pesquisa com 12 moças e um rapaz, acadêmicos de enfermagem do sul do país, e seus respectivos companheiros, totalizando 26 jovens, entre 20 e 27 anos. Os jovens responderam a questionários autoaplicáveis, antes e após um ato sexual protegido por camisinha feminina, que buscavam avaliar o que se conhecia sobre este método, e suas percepções “acerca da colocação da camisinha, do transcurso da relação sexual com camisinha e da retirada da camisinha feminina”, relata o trabalho.

Um ponto destacado pelas autoras após análise das avaliações dos participantes é que a camisinha feminina se apresentou como um método “desconhecido” por parte dos jovens e causador de “estranheza até mesmo entre acadêmicos dos últimos semestres do curso de graduação em enfermagem”. O desconhecimento dos próprios profissionais de saúde que deveriam guiar leigos e ajudá-los a escolher as melhores alternativas para lidar com sua sexualidade mostra que “a formação de médicos e enfermeiros se restringe a aspectos biológicos da reprodução e contracepção, não valorizando o preparo ao lidar com os mitos, boatos e valores”, dizem as autoras no artigo, citando estudo realizado com provedores de serviços de atenção à mulher em New York.

As avaliações quanto ao ato sexual protegido por camisinha feminina foram discordantes: “uns enfocam o desconforto, dor e aparência grotesca, outros abordam a praticidade, confiabilidade e prazer”, afirmam as pesquisadoras. Para elas, tanto nos depoimentos que valorizavam aspectos positivos quanto nos que destacavam os negativos, observou-se a existência de um “reconhecimento de que a falta de familiaridade com o método e o desconhecimento são fatores que levam ao estranhamento, desencadeando a maior parte das dificuldades”. Tal fato, acreditam, corrobora o pressuposto de que o “desconhecimento acerca da correta utilização da camisinha feminina, bem como de seus benefícios e dificuldades, estão inibindo seu uso em nível individual e dificultando sua adoção nos programas públicos”.

Por fim, as autoras reforçam que não defendem a substituição da distribuição e divulgação da camisinha masculina pela feminina, mas sim que haja programas concomitantes de incentivo e esclarecimento sobre o uso desta segunda alternativa, que pode se tornar viável a partir da identificação e problematização dos principais entraves ao uso da camisinha feminina, entre eles: “as dúvidas, preconceitos e acessibilidade”.

A elaboração e implementação de “programas de educação em saúde, de divulgação, de subsídio e de distribuição da camisinha feminina”, somado à expansão do uso rotineiro entre acadêmicos de enfermagem e integrantes das equipes de saúde desse método de prevenção, por meio do acesso gratuito, segundo as autoras, também podem contribuir para que a camisinha feminina torne-se mais popular entre a população.

Deixe seu Comentário

Leia Também

BRASIL
Justiça Federal manda soltar acusados de invadir celular de Moro
ECONOMIA
Antecipação do INSS poderá ser pedida sem limitação de distância
ECONOMIA
Déficit primário do Governo Central atinge R$ 96,1 bilhões em agosto
NOTÍCIAS
1ª Câmara Cível considera regular a devolução de bem à revendedora