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Estudantes completam um mês em greve de fome no Chile

17 agosto 2011 - 12h44Por AFP
Cerca 40 estudantes do ensino médio completaram na terça-feira um mês de greve de fome (ingerindo apenas líquidos), em meio a uma série de manifestações que ocorrem há meses no país para protestar contra o descaso em relação ao sistema de ensino vigente.

Estudantes e professores exigem "garantias" para aceitar um diálogo com o governo.
"Temos pedido aos gritos para que o senhor presidente escute os estudantes chilenos", disse uma das alunas à imprensa local.
Três alunos em greve fome na região de Buin, na periferia de Santiago, radicalizaram sua postura e anunciaram que também deixarão de consumir líquidos.

"No caso dos três jovens de Buin, a situação é bastante preocupante, pois trata-se de uma greve de fome em um estágio muito sério. Eles já perderam oito quilos e sofreram uma diminuição significativa da massa muscular, apresentando ainda baixa pressão arterial, cólicas intensas e desidratação", disse o ministro da Saúde, Jaime Máñalich.

Na segunda-feira, no entanto, dirigentes estudantis acenaram para a possibilidade de estabelecer um diálogo com o Congresso - algo que haviam descartado no fim de semana - e ratificaram a convocação para uma nova greve nacional nesta quinta-feira.

A resposta do fim de semana "não havia sido um ''não'' definitivo", disse nesta terça-feira um dos líderes estudantis, Giorgio Jackson, que exigiu "garantias" ao Governo para iniciar o diálogo.

"Por mais que possa haver uma intenção muito boa, há temas, como o orçamento, que não dependem dos parlamentares", explicou Jackson.

"Há estudantes que estão ocupando colégios
há dois ou três meses e é bastante difícil pensar que eles deixarão seus postos sem garantias de avanços para suas reivindicações", disse.

O conflito estudantil no Chile tem paralisado há quase três meses grande parte do setor educativo, tanto universitário como de ensino médio.

Os estudantes exigem educação pública gratuita e de qualidade para todos, em um país que tem um dos sistemas educativos mais segregados do mundo, produto das reformas neoliberais aplicadas pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), que reduziu a menos da metade o aporte estatal à educação.

Cinco grandes protestos públicos foram desenvolvidos ao longo de mais de nove semanas de mobilização.

Em resposta, o governo entregou duas propostas, que foram consideradas como "insuficientes" pelos estudantes.

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