Menu
Busca sexta, 25 de setembro de 2020

Judoca da Cidade de Deus mantém trajetória meteórica com prata no Pan

Judoca da Cidade de Deus mantém trajetória meteórica com prata no Pan

29 outubro 2011 - 09h40
Uol

Nenhuma história no judô brasileiro é tão bonita quanto a de Rafaela Silva. Vinda de uma família de poucos recursos, ela nasceu e começou a lutar judô na Cidade de Deus, comunidade carente da zona norte-carioca. Descoberta no projeto social do medalhista olímpico Flavio Canto, nesta sexta-feira ela somou uma medalha de prata dos Jogos Pan-Americanos a um histórico impressionante.

Aos 19 anos, ela já é campeão mundial sub-20, vice-campeã mundial adulta e, para competir em Guadalajara, desbancou Ketleyn Quadros, a primeira brasileira a subir ao pódio no judô nos Jogos Olímpicos. Sétima do ranking mundial, ela sofreu com a maior experiência de sua rival, a cubana Yurisleidys Lupetey, 30 anos e campeã mundial de 2001.

Lupetey venceu em um dia que parecia ser da brasileira. Em sua estreia, aplicou um ippon na canadense Joliane Melançon. Na semifinal, o golpe perfeito não veio, mas ela dominou a colombiana Yadinys Amaris, por um waza-ari e três shidos – que equivalem a um ippon.

A medalha de prata mantém a grande temporada da carioca, após um desastre em 2010. No ano passado, ela teve problemas disciplinares e foi afastada da delegação que iria ao Mundial Sub-20 do Marrocos. Em 2011, ela já soma os títulos do Grand Prix de Dusseldorf e das Copas do Mundo de São Paulo e Salvador, além do vice-campeonato mundial em Paris. Após o Pan, ela passa rapidamente pelo Rio e já viaja para a África do Sul: ela é favorita para o título em seu terceiro Mudnial Sub-20, na Cidade do Cabo, no começo de novembro.

A Cidade de Deus

Rafaela começou a praticar o judô por insistência do pai, que queria tirar a menina briguenta das ruas. Ao lado da irmã, Raquel, que já fez parte da seleção, logo se destacou e passou a receber atenção especial de Canto e do técnico Geraldo Bernardes.

"Eu comecei no judô com cinco anos, perto de onde eu morava. Em 2000, passei a treinar no Reação [o instituto criado por Flávio Canto e seu técnico Geraldo Bernardes]. Meu pai reclamava que eu e minha irmã ficávamos muito tempo na rua. Então, eu fui fazer judô, e a Raquel foi fazer dança. No final, eu a convenci a vir para o judô também", diz Rafaela.

Canto, bronze nas Olimpíadas de Atenas-2004, não se cansa de elogiar a dupla: “Elas são as principais estrelas do Reação. Treinam desde o início, com o meu técnico (Geraldo Bernardes). É surpreendente ver como elas se desenvolveram rápido”.

"A gente tem muitos casos de transformação de sucesso no projeto. E as duas representam os dois caminhos que nós traçamos, unindo esporte e educação com sucesso. As duas estudam, a Raquel em universidade e a Rafaela em colégio, os dois particulares, por causa do projeto. Deixaram de ser bagunceiras na escola", completa.

Deixe seu Comentário

Leia Também

BR 267
Polícia Militar intercepta e apreende duas caminhonetes que seriam utilizadas pelo crime organizado na região de fronteira
ECONOMIA
Pedidos de seguro-desemprego caem 9,3% na primeira metade de setembro
PONTA PORÃ
Polícia Civil prende mulher que forjou o sequestro do próprio neto
JUSTIÇA
Réus condenados no Tribunal do Júri têm recurso negado