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Meu coração desconfiava, diz mãe de jovem degolada sobre prisão de ex

21 setembro 2012 - 17h00
G1


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"Meu coração de mãe sempre desconfiou dele", afirmou nesta sexta-feira (21) ao G1 a costureira Vandete Moreira de Santana Vaz, de 47 anos, sobre a prisão do seu ex-genro por suspeita de ter participado do assassinato da filha dela. A universitária Lore de Santana Vaz, de 26 anos, foi encontrada degolado dentro de um carro abandonado em Santo André, no ABC, há mais de uma semana.

O ex-marido da vítima, o desempregado Alan dos Santos Peçanha, de 27, foi preso temporariamente na noite de quinta-feira (20) pela Polícia Civil por determinação da Justiça. Para a investigação, ele foi o mandante do crime: contratou dois outros homens para matar sua ex-mulher por desentendimentos financeiros com ela. Um dos comparsas, um funileiro, está detido; outro, um auxiliar de limpeza, é procurado.

“Queria a polícia provasse o contrário, provasse que não era o Alan, mas algo me dizia que era ele”, disse a costureira Vandete ao saber da prisão do ex-genro, com que sua filha se casou havia dois anos e se separou após seis meses de união. “Eu o chamava de filho e ele, ‘de minha velha’”. Alan não teve filhos com Lore.

Como o inquérito sobre a investigação do caso segue sobre segredo, por determinação judicial, a equipe do Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Santo André não quis divulgar informações sobre o assunto nesta sexta. Também não foi divulgado se Alan constituiu advogado, se o interrogatório dele terminou e o que alegou em sua defesa. Procurada nesta sexta, a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública (SSP), informou que o delegado Paulo Dionísio, que investiga o caso, pediu nesta sexta a suspensão do sigilo no inquérito à Justiça. Ele só poderá falar com a imprensa se a Justiça suspender o segredo.

Desconfiança

Segundo Vandete, a desconfiança sobre o ex-marido de sua filha surgiu por acaso. “Quando soube que minha filha foi assassinada, e que só haviam levado um celular e um rádio do carro, algo me disse que quem a matou a conhecia. Voltei para casa, peguei as fotos do casamento dela com o Alan e recortei o rosto dele. Também falei para o pai dele não deixá-lo ir ao velório da Lore”, disse a costureira. Lore foi sepultada em São Caetano do Sul.

A desconfiança sobre o ex-genro aumentou quando Vandete afirmou que reconheceu Alan em novas imagens obtidas pela polícia sobre o crime. As cenas mostrariam o ex-marido de Lore dirigindo um carro Chevrolet Kadett vinho usado na fuga dos dois homens que ele pagou para matar a universitária. “Eu disse para a polícia que era o Alan”.

Em entrevista ao G1, concedida na terça-feira (18) e publicada na quarta-feira (19), Vandete e o marido, João Luis Vaz, 52, haviam dito que não desconfiavam do pai do neto deles, do ex-marido e do atual namorado de Lore no assassinato da filha deles. “Só havia dito aquilo por orientação da polícia. Eu já desconfiava do Alan, mas os policiais me pediram para não falar nada dele para não atrapalhar as investigações”, explicou a costureira. Lore, que foi mãe aos 16 anos, tem um filho de 10 anos fruto do relacionamento dela com um outro homem. Quando completou 24 anos, havia se casado com Alan. Atualmente, namorava o o corretor de imóveis Vinícius Cândido Teixeira e trabalhava como modelo.

Antes da decretação do segredo no caso, a polícia havia divulgado à imprensa um vídeo gravado por câmeras de segurança que mostram o momento em que dois homens deixam o automóvel usado por Lore, um Fiat Uno, para voltar da União das Instituições Educacionais do Estado de São Paulo (Uniesp), em São Caetano do Sul, também no ABC.

Nas cenas, a dupla foge em um Kadett, que seria conduzido por Alan. Para a investigação, os outros dois homens que aparecem nas imagens são: Robert Pirovani Gama, 32, preso na madrugada desta sexta, e Raimundo Bezerra, 21, que é procurado e seria o dono do automóvel usado na fuga. O veículo foi localizado em São Bernardo do Campo. Cada um deles teria recebido R$ 1 mil para matar a estudante.

Motivação financeira

Informalmente, policiais que participam da apuração disseram à equipe de reportagem que a polícia esclareceu o crime. De acordo com a equipe do delegado Paulo Dionísio, Alan planejou e participou do assassinato dela. No entendimento da investigação, Lore teria sido morta por não dividir o dinheiro da venda da casa dos pais dela. Lore teve o pescoço e uma orelha cortados por uma faca e seus dentes estavam quebrados.

A mãe da estudante concordou com a tese de motivação financeira para explicar o violento crime, mas discordou que o problema fosse por conta de um imóvel.
“Quem a matou estava com muita raiva dela. Mas para mim, o real motivo do crime foi o fato de minha filha ficar cobrando dele R$ 3 mil a R$ 4 mil de um dinheiro que ela emprestou do banco para ele quando eram casados”, disse a costureira Vandete. “O Alan havia pedido para Lore fazer esse empréstimo para que ele pegasse o dinheiro e arrumasse o seu carro. Depois do divórcio, ele pagou algumas prestações para ela, mas fazia um ano que não pagava. Como o banco passou a cobrar juros, Lore voltou a procurá-lo, mas ele não queria mais pagar o que devia a ela".

Segundo Vandete, a persistência de sua filha em telefonar constantemente para o ex-marido deve ter irritado Alan. “Eu sempre disse à ela para deixar de cobrar o dinheiro dele. Ele nunca a agrediu, mas era nervoso, e eu tinha medo de ele pegá-la e dar uns tapas nela”, afirmou.
A polícia tentará colher material genético dos dois suspeitos presos para comparar por meio de exame de DNA com as amostras de pele retiradas sob as unhas de Lore. Ela teria lutado com os criminosos e os arranhado.

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