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Oposição venezuelana fortalecida aposta tudo para derrotar Chávez

Oposição venezuelana fortalecida aposta tudo para derrotar Chávez

03 outubro 2012 - 17h40
AFP

A oposição venezuelana, unida e revitalizada, aposta tudo neste domingo para vencer Hugo Chávez, com um líder, Henrique Capriles Radonski, que se livrou da velha guarda e buscou casa por casa o voto das classes populares, sustento político do presidente.

"Nunca a oposição teve um candidato melhor. Capriles fez uma campanha espetacular, de proximidade com as pessoas e mostrando força", assegura o presidente do instituto de pesquisas Datanálisis, Luis Vicente León.

Da mesma forma que Chávez fez em sua primeira eleição, em 1998, este ex-governador do segundo estado mais importante do país (Miranda, norte) percorreu toda a Venezuela batendo nas portas dos bairros mais pobres e realizando caminhadas junto a multidões esperançosas por uma mudança.

Apesar de se manter atrás nas pesquisas em relação ao popular e poderoso Chávez - acusado pela oposição de utilizar os recursos públicos para fazer campanha - Capriles, de 40 anos, reduziu a brecha e poderá capitalizar o descontentamento acumulado em 14 anos de chavismo.

"Capriles tem essa capacidade de referir-se aos problemas concretos das pessoas, como educação e saúde. Sua mensagem é simples, mas propõe soluções e isso faz com que seja muito próximo ao cotidiano dos venezuelanos", assegura Teresa Albanes, presidente da comissão eleitoral da Mesa da Unidade Democrática (MUD), a coalizão que o apoia.

Mas o mérito não é a apenas do jovem e enérgico aspirante. Segundo analistas, esta posição de forca é o resultado de um contínuo esforço da oposição para deixar para trás os erros cometidos no passado e renovar sua imagem para diferenciar-se dos velhos partidos, cujo desgaste abriu caminho para a eleição de Chávez em 1998.

Na MUD, criada em 2009, "estão conscientes de que existem candidatos dos velhos partidos que geram muito mal-estar", explicou à AFP a historiadora Margarita López Maya, em alusão à Ação Democrática (AD) e ao Copei, que se alternaram no poder durante 40 anos e agora integram este bloco.

Capriles, do Partido Primeiro Justiça (social-cristão), faz parte de uma "liderança emergente, jovens que fizeram carreira política durante o chavismo", afirma López Maya.

"Sua figura está muito legitimada porque trabalha com acordos assinados por mais de 30 partidos e foi, além disso, eleito nas primárias", recorda.

Em 12 de fevereiro, a oposição venezuelana celebrou pela primeira vez eleições primárias para designar seu candidato presidencial, nas quais votaram três milhões de cidadãos (16% do padrão eleitoral) e Capriles obteve 62% dos votos, contra 29% de seu adversário direto, Pablo Pérez, do AD.

O êxito se somou assim aos últimos gols marcados pela oposição frente ao oficialismo: o triunfo do "não" no referendo constitucional de 2007 proposto por Chávez, a vitória nos estados mais ricos e povoados nas regionais de 2008 e a obtenção do maior número de votos nas parlamentares de 2010.

Para trás ficaram uma série de desacertos reconhecidos pela própria oposição, como o apoio de vários setores ao golpe de Estado que tirou Chávez brevemente do poder em 2002 ou o boicote das eleições parlamentares de 2005, que resultou na maioria absoluta do oficialismo na Assembleia Nacional.

"A oposição foi aprendendo e os grupos políticos compreenderam que não há outra maneira de recuperar uma verdadeira democracia no país a não ser indo unida às urnas", afirma Albanes.

Mas López Maya enfatiza um último ponto que fez de Capriles a candidatura mais sólida para enfrentar Chávez, reeleito comodamente em 2006 com 62% dos votos, frente aos 27% de Manuel Rosales.

"O país começou a se cansar do discurso belicoso, ofensivo e polarizador do governo. Está cansado dos problemas de gestão, insegurança e desemprego. Isso se vê desde 2010, quando a oposição pôde entrar pela primeira vez nos bairros pobres, porque seus habitantes, tradicionalmente apegados ao chavismo, queriam ouvir os novos candidatos", explicou.

Será que esse cansaço poderá virar o jogo para Capriles no próximo domingo?

León não descarta qualquer cenário, mas afirma que, mesmo em caso de derrota, "é muito provável que Capriles mantenha a liderança da oposição e é possível que aconteçam novos eventos eleitorais antes do fim do novo mandato de seis anos", comenta, em alusão a uma eventual recaída de Chávez, que em 2011 teve um diagnóstico de câncer.

"Para Capriles, a oportunidade (de ser presidente) continua perfeitamente viva, vença ou perca agora", conclui.

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