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Presidente de Sindicato se defende de acusações do Cimi

Presidente de Sindicato se defende de acusações do Cimi

01 dezembro 2011 - 19h34Por Dourados News
O presidente do Sindicato Rural de Iguatemi, Márcio Morgatto, falou na tarde da última quarta-feira com a imprensa em Campo Grande, onde foi buscar apoio na Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul – Famasul para se defender das acusações que o Conselho Indigenista Missionário – Cimi fez contra ele.

Márcio é acusado de ter ameaçado uma caravana de indigenistas, indígenas e representantes do Governo Federal que se dirigia para a região do acampamento indígena tekoha Pyelitoi- Mbarakay no último final de semana. “Meu nome foi veiculado na mídia de Mato grosso do Sul e de todo o Brasil com se eu fosse um criminoso. Foram várias mentiras veiculadas na imprensa. Me admiro muito, um representante da Presidência da República agir de tal forma”, desabafou Morgatto, durante entrevista coletiva realizada na Famasul (Federação de Agricultura de Mato Grosso do Sul).

Durante a entrevista ele apresentou um vídeo onde diz ter sido desrespeitado por um representante do governo federal, que seria Paulo Maldos, Secretário Nacional de Articulação da Presidência da República.

“Quem é você pra me pedir informações? Eu sou da Presidência da República e não aceitamos nenhuma investigação e nem agressão. Vocês estão obstruindo nosso caminho”, dizia Paulo Maldos para Márcio em um dos trechos do vídeo.

Versões

Na versão de Márcio, ele teria recebido uma ligação de um produtor rural que teria lhe contado que viu viaturas brancas e ônibus com índios. Foi aí que ele a localidade. “Quando estava me dirigindo à região, vi uma caminhonete branca e perguntei o que estava acontecendo e quem eram aquelas pessoas (que estavam na caminhonete). Mas o passageiro, que estava ao lado do motorista, já desceu me dizendo que eu não tinha direito nenhum de questionar nada”, contou Márcio.

No vídeo é possível ouvir a voz do Secretário Nacional dizendo: “Viemos aqui pra resolver a situação... você não sabe o que tá acontecendo com os índios?” e a discussão continua, mostrando a todo instante que ali os representantes dos Direitos Humanos, da Presidência da República, entre outras entidades, não tinham que dar satisfação a ninguém.

“Seja de qual hierarquia a pessoa for, é preciso falar a verdade e ser educado com as pessoas. Eu só fui saber se tava havendo algum problema e vieram cheio de agressões verbais e ameaças pra cima de mim”, continuou Márcio.

“Mas quando fui saber no outro dia, na imprensa, disseram que eu tinha ameaçado autoridades da Presidência e até ameaçado colocar fogo num ônibus com indígenas dentro. Isso é um absurdo! Se havia ali autoridades da Força Nacional de Segurança, porque então eu não fui abordado, preso ou investigado no local mesmo?”, questionou Márcio.

Já na versão do Cimi, Márcio teria ameaçado a equipe e teria chamado também o prefeito José Roberto Felippe Arcoverde (PSDB) para conter a caravana. Os missionários afirmam que havia fazendeiros junto com o presidente do Sindicato Rural e eles estavam com máquinas fotográficas e uma “caneta espiã”. “[Eles] passaram a filmar e fotografar ostensivamente as lideranças indígenas, apoiadores e mesmo os integrantes da comitiva oficial. Além disso, o presidente do Sindicato Rural, portando-se como uma autoridade policial, passou a exigir a identificação do coordenador da comitiva, o secretário Nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, ao que se seguiu uma intensa discussão entre ambos”, diz o Cimi.

Os agentes da Força Nacional identificaram os fazendeiros e o presidente do sindicato rural e obrigaram que os produtores pagassem as fotos que já tinham tirado. “No entanto, as filmagens feitas pelo presidente do sindicato rural não foram deletadas, uma vez que o mesmo repassou a “caneta espiã” que portava a pessoas que passaram pelo local numa camionete cor prata”, denuncia o Cimi.

Márcio confirmou a história das máquinas fotográficas. “Chegaram a pegar a máquina de um fotógrafo da cidade. Disseram pra eu entregar as imagens também, mas eu disse que já não estavam mais comigo, que uma pessoa tinha levado para a cidade. Mas estou com este vídeo, uma grande prova do que ocorreu”, continuou o presidente do Sindicato Rural de Iguatemi.

Em outra parte da discussão, é possível ouvir mais um pouco Paulo Maldos falando: “Você me respeita, sou representante da Presidência da República”; e Márcio retrucou: “O senhor também tem que me respeitar da mesma forma que eu respeito o senhor. Eu me apresentei desde o início e o senhor não”. No final da coletiva, Márcio disse ainda: “Ele se mostrou muito irritado. Não abordei ninguém, não obstruí o caminho de ninguém”.

O Cimi disse

“Os Kaiowá Guarani que foram filmados pelo presidente do Sindicato Rural de Iguatemi estão muito apreensivos, uma vez que são lideranças de outros acampamentos e muitos deles têm sido ameaçados na região. O fato ocorrido demonstra a total inexistência de limites por parte desse setor anti-indígena no estado do Mato Grosso do Sul. Se essas pessoas não se intimidam, em plena luz do dia, nem mesmo diante de agentes armados da Força Nacional de Segurança, o que são capazes de fazer, à noite, a indígenas desarmados que vivem em acampamentos e barracos sem o mínimo de proteção e segurança?”, questionam os agentes do Cimi.

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