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Reforma de pastagem contribui da conservação do solo à produção de leite

15 abril 2018 - 15h05Por Da redação

Se a agricultura familiar é a responsável por 70% dos alimentos que chegam às mesas dos brasileiros é preciso lembrar que esses produtos não caem do céu, mas que eles surgem da terra. E neste domingo, 15 de abril, data em que se celebra o Dia Nacional da Conservação do Solo, a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) apresenta mais um bom trabalho que vem sendo colocado em prática no interior do Estado, mais precisamente no município de Ribas do Rio Pardo, de recuperação de pastagem e, consequentemente, conservação da terra.

É lá, nos assentamentos Nossa Senhora das Graças e no Melodia, que 30 produtores de leite vêm recebendo a assistência técnica devida do zootecnista da Agraer, Antônio Marco Júnior, dentro da produção de leite. Iniciado no final de 2017, o trabalho tem mostrado bons resultados com pasto renovado, rebanho nutrido, solo protegido e, claro, o balde cheio com redução de custos.

“O Júnior é um menino muito bom que correu atrás das coisas, levou a gente para palestras para entender a importância do assunto. No sítio, consegui reduzir o número de animais e manter a mesma produção de 80 litros de leite/dia. Se antes eu tinha 10 cabeças no rebanho, agora, tenho seis. Fui vendendo algumas e para comprar outras de melhor genética, girolando”, afirma.

Para o zootecnista a melhor forma de garantir boa produção de leite é oferecer alimento cultivado dentro do sítio. “Na agricultura familiar o que falta é comida, alimentação, suficiente para as vacas manifestarem seu potencial. Dentro trabalho os produtores foram instruídos a preparar uma alimentação com quantidade e qualidade mais adequadas. O alimento mais barato que se possa fornecer aos animais é aquele produzido dentro da sua propriedade”, garante.

E para que isso de fato acontecesse os produtores foram orientados a começar do zero, ou seja, do trato do solo à construção de piquetes. Análise de solo, gradeação, calagem (aplicação de calcário para correção de acidez), adubos, aplicação das sementes das carpineiras (mombaça e braquiara), o plantio de cana-de-açúcar em uma área delimitada para alimentação animal, formação de piquetes e manutenção do pasto foram às medidas adotadas dentro do projeto.

“A gente comprou o calcário, mas a carreta era da Agraer, custo zero no frete, e porque teve parceria com a prefeitura no combustível. O Júnior também conseguiu com a Prefeitura a calcareadeira, não pagamos o aluguel, também, foi de graça a análise de solo. Recebemos cana de qualidade, melhorada”, disse o produtor Ademilson Vergot, do assentamento Nossa Senhora das Graças que se sente satisfeito com as mudas de cana-de-açúcar doadas pelo Cepaer (Centro de Pesquisa e Capacitação da Agraer), “ao contrário do milho que precisa de replantio, a vantagem da cana é que ela rebrota. A gente vai só corrigir o solo, adubar e tem como ter cana por três ou quatro anos sem se preocupar com as mudas”.

A indicação da cana foi feita pelo zootecnista por ser viável a realidade dos dois assentamentos principalmente no período de estiagem, inverno. “A cana, se plantada de maneira correta pode render de 120 a 150 toneladas de matéria verde por hectare, o que a torna interessante em uma pequena propriedade. E um alimento que tem menor valor nutricional se comparado a silagem de milho, por exemplo. Porém, tem como fazer correção de solo com o uso de ureia, elevando de 3% para 12% a quantidade de proteína”, explica o zootecnista Antônio Marcos Júnior.

“Com tudo o que fiz, tive um custo de R$ 3 mil na recuperação de três hectares, sendo que no ano passado entre as idas e vindas comprando silagem em Campo Grande, gastei R$ 4 mil. Hoje, tenho cana e o pasto de braquiara e mombaça. Tenho variedade uma maior oferta de alimento para as vacas que é para não enjoar. São bem tratadas e eu estou satisfeito com o esforço do Júnior”, conta Ademilson.

Satisfação compartilhada pelo produtor José Aparecido dos Santos, do assentamento Nossa Senhora das Graças. “Com as orientações do Júnior a gente está colocando na cabeça que o que geralmente falta para aumentarmos a produção e a mantermos durante todo o ano é a comida para o rebanho. Outra coisa também sempre falada é que o alimento mais barato deve ser o feito dentro da propriedade e, se fazer certinho e com orientação o resultado chega”.

Como o que o produtor Aldeci garante ter visto chegar ao seu sítio. “Como os outros fui aconselhado a plantar cana porque aqui eu não tenho local para guardar a silagem. Na seca, segurei o gado com cana e deu para atravessar. Eu não faço silagem, trituro a cana no mesmo dia e misturo com a ração”, diz.

E mesmo com os investimentos feitos em torno de R$ 7 mil na propriedade, Aldeci se vê agradecido. “Compensou sim. As vacas já têm bezerros, estão nutridas. Tem leite para as crias e para a comercialização. Elas não emagrecem, o pasto está verde e a gente tem que pensar que uma vaca come de 30 a 20 quilos e, quando não tinha, já cheguei a dar só 10 quilos. Hoje está mudado”.

Uma mudança que não começou do dia para a noite. Os produtores vêm desenvolvendo o trabalho a pelo menos um ano e meio, e a acessibilidade ao maquinário contribuiu com o andamento dos serviços. “Muitas vezes os produtores têm dificuldades em preparar o solo para plantio pela falta de maquinário nas pequenas propriedades e o custo elevado de terceirizar a hora máquina por hectares”, lembra o zootecnista da Agraer.

“Em 2016, fiz a recuperação de um hectare e, no ano passado, foi à vez de recuperar os três hectares restantes de pasto, e de meio hectarede cana, hoje, já tenho um hectare”, lembra Aldeci que aproveitou o momento para também buscar acesso ao crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). “Para ter leite tem que ter pasto e isso é certo. E sem auxílio dado pela Agraer ou dinheiro não se faz nada. Então, fiz um empréstimo de R$ 27 mil para compra de três vacas, uma trituradeira de cana, um reservatório e investi na reforma do pasto. A roda d’água eu fiz com por conta própria”.

E todas essas ações ajudam o produtor a enfrentar os problemas de mercado, contribuir com a qualidade do leite, garante a preservação do solo e, claro, um retorno financeiro. “Antes a produção ficava em 20 a 25 litros de leite e tem dias que já cheguei a 50 litros. A gente dobrou a produção e tudo isso devemos as parcerias. O trabalho do Júnior foi ótimo, um menino atencioso quando vem aos sítios”.

Atenção que veio desde análise de solo até a formação de piquetes. “A avaliação da atual situação do solo permite o cálculo correto da quantidade de produto, calcário e adubos, necessários a serem aplicados na área com base na cultivar [capim] a ser implantada. Uma causa frequente de insucesso na renovação de pastagem, que ocorre tanto com pequeno como com grande produtor é o plantio incorreto que se deve a quantidades insuficientes de sementes, escolha errada da espécie de forrageira para determinada área, compra de insumos em procedência, uso errado de fertilizante ou mau uso do solo que irá se degradar. Enfim, detalhes que fazem a diferença lá no fim do trabalho, produção de leite”, evidencia Júnior.

“Esse ano a gente está colocando a cabeça mais tranquila no travesseiro. A gente vem se preparando para enfrentar o período de seca, manter a produção e buscar um bom preço do leite”, completa o produtor Ademilson.

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