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Saúde pública pode ‘travar’ em Dourados

Saúde pública pode ‘travar’ em Dourados

06 junho 2012 - 16h30
Diario MS


Dois dos setores essenciais da saúde pública, o pronto atendimento e a alta complexidade podem “travar” a partir do próximo mês em Dourados. Isso é o que garantiu ontem ao Diário MS o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Demétrius do Lago Pareja. Para ele, caso o Governo do Estado não amplie os repasses de recursos para o setor, hospitais que atendem pelo SUS (Sistema Único de Saúde) devem ficar impossibilitados até mesmo de abrir as portas.

Isso porque, segundo Pareja, há um déficit mensal de R$ 3 milhões nos repasses destinados pelo poder público ao HE (Hospital Evangélico), que administra o HV (Hospital da Vida). Enquanto a Prefeitura de Dourados aplica R$ 4,2 milhões por mês na saúde, a União repassa R$ 5,7 milhões e o governo estadual apenas R$ 1,3 milhão. “Esse incremento só tem uma fonte plausível para a gente recorrer que é o Estado”, diz o presidente do Conselho.

“Os repasses deles geram R$ 15,6 milhões ao ano, enquanto que só no Hospital Regional de Campo Grande, são repassados algo em torno de R$ 120 milhões anuais”, explica, mencionando o fato de Dourados atender 35 municípios da região e o equivalente a 80% do que é atendido no hospital campo-grandense.

Esta defasagem financeira compromete o pronto atendimento e a alta complexidade no município, avalia. Para resolver o problema, Pareja informa que a classe política douradense se comprometeu em intermediar uma negociação com o Governo do Estado. Mesmo assim, as respostas precisam ser urgentes.
“Eu te digo que até o final de junho, se não resolver o problema, vai ‘travar’”, garante. “Isso significa não ter condições de atender e esse rico existe. Dentro de um mês, se não for tomada uma atitude, o Hospital Evangélico não ver ter condições de manter do Hospital da Vida”.

A situação é tão crítica que o corpo clínico desta unidade hospitalar está desde ontem atendendo apenas casos de urgência e emergência, em protesto contra as condições de trabalho. Eles ainda aguardam um posicionamento por parte da administração municipal. “O município tem que pressionar o Estado a negociar”, pondera o diretor clínico do HV, Luiz Carlos de Arruda Leme. “Estamos dispostos a esperar, mas se a situação continuar vamos ser obrigados a nos demitir”.

Essa possibilidade ventilada pelo corpo clínico do hospital foi adiantada ontem pelo Diário MS. “Se nós não atendermos esses 35 municípios, o que vai acontecer é que eles [pacientes] vão ter que ir para Campo Grande”, esclarece Leme.

A secretária de Estado de Saúde, Beatriz Figueiredo Dobashi, não foi encontrada pela reportagem para comentar o caso.
Quem sofre as consequências diretas do caos na saúde são pacientes como Zenaide Hipólito, 70. Ela deu entrada no HV ontem às 8h20 e permaneceu numa maca nos corredores até às 11h, quando foi levada a um leito. Segundo sua sobrinha, Bruna Dias, 23, a idosa, que sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) há oito anos, havia sido atendida num posto de saúde e encaminhada para o hospital. “Até agora não passou nenhum médico”, disse ao Diário MS mais de 10 horas após a entrada.

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