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Autópsia de Amy espanta os urubus da internet

25 agosto 2011 - 14h10
Autópsia de Amy espanta os urubus da internet

Folha

A morte de Amy Winehouse revelou o lado mais feio das redes sociais. Twitter, Facebook e redondezas explodiram em gracinhas e impropérios.

A cantora foi mais achincalhada do que Osama Bin Laden: seus problemas com as drogas e o álcool a transformaram num alvo permitido. Uma criatura inferior a nós, os "limpos", e que não só teve o fim que mereceu como também merece ser tripudiada por isto.

Nossa sociedade ainda encara o vício como uma fraqueza moral, não como a doença grave que realmente é. Fulano se afunda no pó ou na birita porque "não tem fibra". É um frouxo, um covarde, um verme. Joga pedra nele.

Em junho, Amy foi praticamente escorraçada do palco durante seu último show, em Belgrado. É até compreensível: o público pagou caro pelo ingresso e queria se divertir. Mas as fotos da moça em cena são de partir o coração. Em uma delas, Amy está abraçando a si mesma, o olhar perdido, buscando em seu interior o carinho que a plateia lhe negava.

Parece que este episódio patético a fez decidir tomar tento na vida. Em sua última semana, em Londres, foi vista recusando qualquer bebida alcoólica num restaurante. Nas últimas imagens com vida, aparece animada e com um ar saudável ao lado da afilhada artística Dionne Bromfield, num show intimista.

Poucos dias depois foi encontrada morta. Um prato cheio para os falsos moralistas de plantão. De nada adiantou a família alegar que ela talvez tivesse morrido por abstinência, não por overdose.

Esta semana finalmente saíram os primeiros resultados dos exames em seu cadáver. Traços de álcool, mas não de substâncias ilícitas. É bem possível que ela tenha mesmo empacotado por falta de uma delas. Os médicos recomendam a diminuição gradual, não um corte abrupto.

Mas é difícil imaginar uma personalidade radical como a de Amy Winehouse evitando medidas drásticas. Ela era tudo ou nada, e acabou pagando um preço alto por isto.

Foi irresponsável? Precisava de mais vigilância? Quem somos nós para julgar? Tudo indica que Amy sabia da gravidade de sua situação, e que estava lutando contra ela como podia.

Ainda falta um relatório completo do que de fato a matou. Mas acho que os urubus da internet já podem enfiar a viola no saco: Amy errou quando tentava acertar, e isto a torna tão humana quanto qualquer um.



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