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Indígenas acampados reivindicam nova aldeia em Dourados

27 setembro 2012 - 00h00Por Fonte: Matéria
A cidade de Dourados poderá ter uma nova aldeia localizada em uma área de 1 mil hectare entre o jardim Guaicurus e o Parque das Nações II. É que há 42 anos um grupo de 80 índios da etnia guarani-caiuá ocuparam a área, intitulada Nhu Porã e lutam para que esta seja demarcada como terra indígena. De acordo com Valdemir Cáceres, liderança da comunidade, há registros de que em 1910 os avós dele, juntamente com outras famílias indígenas residiam no local e foram expulsas devido a um processo de colonização.

A Fundação Nacional do Índio realiza estudos em Dourados e mais cinco cidades desde 2007, cumprindo um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público Federal. O objetivo é cumprir a Legislação que deu prazo de 5 anos, já vencidos, para que as terras indígenas sejam demarcadas.

De acordo com o indígena Valdemir Cáceres, a nova aldeia Nhu Porã (Campo Bonito) é uma homenagem aos antepassados que foram expulsos de sua área. “Aqui moravam as famílias do pai do meu pai que era Julião Cáceres, Gonçalves Cáceres e José Vilhalba. Algum tempo depois ficamos sabendo que a área estava sob posse de um fazendeiro que havia morrido e deixado a área para um advogado cuidar. Nesta época estávamos em Caarapó e cidades vizinhas de Dourados. Resolvemos chamar os descendentes e vir para cá na tentativa de conquistar a nossa terra. Não abrimos mão disso porque foi uma injustiça o que fizeram com o nosso povo. Esta terra era bem maior e sua extensão chegava no que é hoje o Estádio Douradão. Já perdemos todas estas áreas, mas esta que nos resta não vamos perder”, destaca.



MPF

De acordo com a Agência Brasil, um convênio firmado pelo Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul permitirá que um grupo de historiadores e estudantes universitários passe um “pente-fino” em cerca de 100 mil documentos que dizem respeito ao processo de colonização do estado, que teve início em 1915 e segue até os dias de hoje.

O principal objetivo é catalogar documentos históricos referentes à expulsão dos indígenas e a ocupação dessas terras por colonos e grupos particulares. O estudo poderá beneficiar os índios sul-mato-grossenses, subsidiando ações judiciais pelo reconhecimento e ampliação de terras indígenas, “uma das principais e mais urgentes demandas dos índios de Mato Grosso do Sul”, conforme afirma o MPF, em nota.

De acordo com o procurador da República Marco Antônio Delfino de Almeida, saber o que ocorreu às populações que viviam na região pode ajudar os índios a obterem suas antigas terras. Ao todo, 70 mil índios vivem em MS.

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