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Índios acusam grupo liderado por fazendeiro famoso de novo ataque no sul de MS

11 setembro 2012 - 00h00Por Fonte: Midiamax
Os índios guarani-kaiowá que ocupam desde 10 de agosto uma área declarada como terra indígena no município de Paranhos, a 477 quilômetros de Campo Grande, denunciaram que teriam sofrido novo ataque por parte de pistoleiros na última sexta-feira (7).

Não houve feridos e a Força Nacional esteve no local, acionada pela Funai (Fundação Nacional do Índio).

Segundo relatos de índios que estão na tekohá (lugar onde se vive, no idioma nativo) Arroyo Corá, aproximadamente dez homens em uma caminhonete e mais dois a cavalo teriam se aproximado do grupo atirando para o alto.

Fazendeiro 'famoso'

Os indígenas fugiram para mata fechada até o final dos disparos. Segundo informações da Funai, o grupo chegou a ser abordado pelos homens da Força Nacional e agiu sob comando de um fazendeiro conhecido na região.

O nome apontado pelos índios é o mesmo citado por vários entrevistados pela reportagem há algumas semanas em Paranhos. O fazendeiro é apontado como um dos produtores rurais mais revoltados com a ‘retomada’ das terras, como os índios estão chamando o movimento.

“Tem um fazendeiro conhecido aí da região que falou pra todo mundo aqui: posso até sair, e entregar para os bugres, mas assim que a poeira baixar, eu lavo essa terra de sangue”, relata um dos produtores.

Ele se referia justamente ao fazendeiro agora apontado pelos índios como líder do ataque desta sexta-feira (7). Na ocasião, o proprietário rural foi procurado pela reportagem mas não foi localizado em Paranhos.

Os pistoleiros teriam ameaçado os índios de Arroyo Corá de morte, caso não deixem a terra ‘retomada’.

Segundo ataque

Os guarani ocupam áreas onde estão instaladas fazendas e dizem que novas ‘retomadas’ devem acontecer em protesto contra a Portaria 303 da AGU (Advocacia-Geral da União), que colocaria em questionamento 90% das demarcações de terras em Mato Grosso do Sul, segundo a Famasul (Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul).

No último dia 10 de agosto, um grupo de aproximadamente 200 índios, incluindo mulheres e crianças, ocupou a fazenda Campina, que fica na tekohá Arroyo Corá. Houve disparos de armas de fogo e os guarani dizem que um homem, de aproximadamente 50 anos de idade, identificado como Eduardo Pires, está desaparecido desde então.

Eles também consideram a morte de um bebê como consequência do ataque. Apesar de o laudo ter apontado causas naturais para o falecimento da menina, Beatriz Centurião, de 20 anos, conta que se desequilibrou no momento em que fugia dos tiros disparados contra os índios e a filha dela, de apenas nove meses de idade, acabou ferida. A menina foi sepultada em Arroyo Corá.

A Funai (Fundação Nacional do Índio) confirmou o confronto. Servidores do órgão estiveram no local com homens da Força Nacional e da Polícia Federal. Cápsulas vazias de diversos calibres foram recolhidas e um inquérito foi instaurado para investigar o episódio a pedido do MPF (Ministério Público Federal).

Segundo a Polícia Federal, a Funai já foi oficiada para ajudar na confirmação da identidade do homem desaparecido. Nos primeiros relatos, o índio chegou a ser confundido com um irmão que acabou localizado na aldeia.

Federal 'encima'

Recentemente, em Aral Moreira, município próximo, o líder indígena Nísio Gomes também desapareceu após um ataque de pistoleiros contra índios na tekohá Guayviry. No começo, a versão dos índios foi questionada e testemunhas chegaram a ser indiciados pela Polícia Federal, que depois admitiu os indícios da morte do indígena.

Dezoito pessoas acabaram na cadeia, incluindo o presidente do Sindicato Rural de Aral Moreira, e houve indiciamentos. Poucos produtores rurais aceitam falar abertamente sobre a situação, com medo de consequências judiciais. "A Polícia Federal tá encima", diz um proprietário que conversou com a equipe, mas exigiu não ser identificado.

Na última semana, a Polícia Federal indiciou por 'incitação à violência' um proprietário de terra da região que disse, em vídeo e entrevista gravada, estar chamando os fazendeiros para a guerra contra os índios.

“A maioria dos fazendeiros está comigo. Arma aqui é só querer. Eu armo esses fazendeiros da fronteira rapidinho, porque o Paraguai fica logo ali, e na guerra não tem bandido”, avisou.

Em Paranhos, produtores rurais contam que já existem fazendeiros maiores desistindo de lutar pela posse da área. Mas afirmam que o sentimento de revolta pode fomentar atos de vingança.

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