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Festa cancelada

Em meio a clima de tensão na fronteira, igreja em MS cancela festa

Em meio a clima de tensão na fronteira, igreja em MS cancela festa

21 junho 2016 - 08h45Por Fonte: G1
Nos últimos quatro dias, foram registradas quatro execuções e dois grandes tiroteios na cidade que fica a 326 quilômetros da capital sul-mato-grossense. Na noite desse domingo, perto da linha que separa Brasil e Paraguai, três pessoas foram executadas, dois paraguaios e um brasileiro.

Segundo a Polícia Nacional, um carro branco com quatro pessoas passou atirando contra um grupo que estava na rua. Os atiradores fugiram e foram perseguidos pela polícia. A polícia não descarta que as últimas execuções tenham ligação com o atentado que matou o traficante Jorge Rafaat, há seis dias.

semelhanças entre os crimes, principalmente nas armas usadas. Nos dois casos foram usados fuzis exclusivos das forças de segurança. No atentado da traficante, os atiradores tinham uma metralhadora capaz de derrubar um helicóptero.

A segurança já foi reforçada tanto do lado paraguaio quanto do lado brasileiro. Em Pedro Juan Caballero, foram designados 150 policiais de Assunção. Para Ponta Porã, foi solicitado o apoio da Polícia Militar de Campo Grande.

"Por se tratar de uma linha da fronteira o comando não pode se valer do improviso", disse o tenente coronel da PM, Waldomiro Centurião.

Fronteira
O juiz federal Odilon de Oliveira diz que o Brasil não cuida da faixa de fronteira que corresponde a 29% do território nacional. Segundo o magistrado, a falta de segurança na fronteira é um problema da União e não do estado.

"O policiamento da União é a Polícia Federal e depois a atuação subsidiária do Exército Brasileiro. O Exército Brasileiro tem a obrigação primordial de cuidar da segurança, defender o nosso país, essa é a função principal", afirmou Odilon.

O secretário estadual de Segurança, José Carlos Barbosa, afirma que o estado não tem condições de 1,5 mil quilômetros de fronteira. Desse total,cerca de 550 quilômetros são fronteira seca entre Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia.

"Qualquer país desenvolvido do mundo as proteções de fronteiras são feitas pelas forças federais, o baixo efetivo da Polícia Federal, o baixo efetivo da Polícia Rodoviária Federal faz com que os estados tenham de assumir essa missão, só que o estado obviamente precisa dessa ajuda do governo federal", disse o secretário.

Prisões

O narcotraficante Jorge Rafaat foi morto em uma emboscada na noite de terça-feira (14), em Pedro Juan Caballero, a menos de 500 metros da linha internacional que divide Brasil e Paraguai. Os atiradores usaram uma metralhadora ponto 50, que foi adaptada em uma caminhonete, na parte dos bancos traseiros, que foram retirados.

Nove pessoas foram presas depois do atentado, segundo a agente fiscal Camila Rojas.

Oito eram seguranças de Rafaat e foram presos por usarem armas proibidas no país. O outro preso é um brasileiro suspeito de manusear a metralhadora ponto 50. Ele ficou ferido e está internado em estado grave. O carioca tem antecedentes criminais relacionados a uma facção criminosa que atua em São Paulo, segundo a agente fiscal.

O crime teria sido motivado por disputa de território, segundo Camila, mas a investigação ainda não tem autoria definida, apenas o autor material, que é o suspeito preso.

"Estamos investigando um homicídio doloso e tudo indica que a motivação tenha sido por disputa de território e o que se pode concluir é que seja entre é que essa disputa seja entre organizações criminosas rivais, pela forma que ocorreu, evidências e as armas usadas no atentado", esclareceu Camila.

Disputa

A morte de Rafaat é mais um capítulo da disputa de poder entre facções de narcotraficantes na fronteira, segundo o delegado de Polícia Civil de Ponta Porã, Jarley Inácio.

Ele explica que a "extensa faixa de fronteira seca propicia a entrada de todo tipo de ilícito no Brasil" e ressalta que "as organizações criminosas perceberam isso ao longo do tempo". Desde então, "essa disputa trouxe para Ponta Porã índices de homicídios que têm aumentado nos últimos anos".

Filme de terror

Moradores da região de fronteira ficaram assustados com o atentado. Uma testemunha paraguaia disse que parecia "filme de terror". Ela passava pelo local quando viu o carro com a metralhadora atirar contra o carro de Rafaat. "Tive medo de morrer porque os tiros não paravam. Eu só rezava", fala a jovem.

No dia seguinte à execução, a loja de pneus do traficante foi incendiada e na madrugada de sexta-feira uma empresa de segurança também foi atacada a tiros e um segurança foi feito refém.

'Rei da fronteira'

Rafaat foi condenado pela Justiça brasileira por tráfico internacional de drogas em 2014, mas vivia no Paraguai como empresário de sucesso.

Ele era conhecido como o "rei da fronteira". A polícia apreendeu muitas armas e munição, deteve sete suspeitos e acredita que o motivo de crime tenha sido uma disputa pelo controle do tráfico de drogas na região.

O processo que levou à condenação de Rafaat foi presidido pelo juiz federal Odilon de Oliveira. "A população da fronteira, dos dois lados, tem que conviver com essa insegurança. Na fronteira, todo dia, morre gente assassinada, isso é histórico, já faz parte do cotidiano daquela gente", disse o magistrado.


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