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12 julho 2012 - 15h35
EFE

A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou nesta quinta-feira o que qualificou de "monopólio" dos meios de comunicação públicos no Paraguai e disse que no país reina um "clima de tensão e de intimidações" contra a categoria jornalística.

"Três semanas depois do golpe parlamentar que derrubou o presidente Fernando Lugo, em 22 de junho de 2012, um clima de tensão e de intimidações reina entre os meios de comunicação públicos", afirmou a RSF de sua sede em Paris, em comunicado.

A organização informou que "a aparente trégua imposta pela visita do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, em 2 e 3 de julho passado, não durou" e acrescentou que "inevitavelmente, a liberdade de informação sofrerá com as pressões contra jornalistas e especialmente um nicho da categoria conhecido por sua oposição à ofensiva parlamentar de 22 de junho".

"Os fatos que chegam a nós demonstram, infelizmente, a intenção de tomar o controle do serviço público de comunicação com um objetivo claro: minimizar ao máximo as condições e consequências da destituição de Lugo".

A RSF falou em "manobras para pôr de lado jornalistas considerados incômodos, e mesmo para censurar parcialmente alguns programas". A ONG também falou em defesa das "garantias constitucionais" em matéria de liberdade de imprensa.

Outro aspecto dos meios de comunicação públicos criados sob o mandato de Lugo foi abordado: seriam "alvo estratégico para o novo poder" e "constituíram ao mesmo tempo, desde 22 de junho, o núcleo de concentração das mobilizações civis contra o golpe parlamentar", ainda segundo a organização internacional.

"A tensão", de acordo com a RSF, "muito forte no interior, também é percebida na programação no ar". Um exemplo seria o programa da "Radio Nacional" "Ape há Pepe" ("aqui e lá", em guarani), em que participam paraguaios que vivem no exterior, que foi suspenso em 23 de junho e voltou ao ar uma semana depois.

Também foi citado o programa "Microfone Aberto", da "TV Publica", e o programa "Rede Publica", da "Radio Nacional", e a ONG acrescentou que "a rádio pública 'ZP 12' de Pilar, fechada desde 24 de junho, oficialmente devido a um corte de eletricidade, pôde voltar ao ar o 11 de julho, após a reparação de sua equipe".

A RSF se referiu à Lei de Telecomunicações e considerou que "diversas modificações recentes poderiam afetar o futuro das rádios comunitárias, que possuem poucos recursos e com frequência esperam uma licença de difusão".

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