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Moradores têm medo que Maníaco da Cruz volte; família mudou de cidade

10 outubro 2011 - 13h50
Campograndenews

Entre os cerca de 30 mil habitantes da pequena Rio Brilhante a notícia de que o “Maníaco da Cruz” será solto já se espalhou há tempos. É difícil encontrar um morador que não se lembre do adolescente aparentemente pacato, que aterrorizou a todos depois de matar três pessoas de forma brutal.

Há três anos o adolescente está preso na Unei de Ponta Porã, mas já teve a liberdade solicitada pela defensoria pública e deve voltar ao convívio da sociedade nos próximos dias.

“A gente tem medo. Não sabe o que ele pode voltar a fazer”, diz a vizinha da casa onde o adolescente morava, Irene dos Anjos, de 65 anos.

O prazo para a internação do adolescente, de três anos, venceu no sábado (8) e sua desinternação só depende do parecer do judiciário, que deve se manifestar na quinta-feira (13), após o feriado.

A simples idéia da liberdade para alguns é motivo de histeria. “Deus me livre, morro de medo. Tomara que ele não veia para cá. Meu Deus”, desabafa uma funcionária da escola onde o Maníaco estudava, que não quis se identificar.

Todo o medo tem como motivo a preocupação com as pessoas próximas, principalmente, filhas e netas. “Tenho medo por causa das minhas filhas. A gente não fica o tempo todo junto e não tem como saber o que pode acontecer”, preocupa-se, a inspetora da mesma escola, Isabela Benites, de 58 anos.

Mas a maioria dos moradores acreditam que o Maníaco não volta para Rio Brilhante, já que existem boatos de que o adolescente estaria jurado de morte na cidade, e toda sua família já mudou-se para Dourados.

“Ah, acho que para cá ele não volta. Toda a família já mudou, deve ser por isso e eles não devem voltar. Tomara”, diz o funcionário de um supermercado.

Casa vazia - A casa onde o adolescente morava com a mãe e dois irmãos está vazia. A do lado, onde morava a tia, também foi abandonada. Com as paredes pintadas e placas de aluga-se, os imóveis esperam novos moradores e anunciam a mudança.

“Está desocupada a casa, ninguém quer morar lá porque sabem que era do Maníaco”, diz a mãe da primeira vítima do Maníaco, Cláudia Cardenas, de 61 anos.

De acordo com vizinhos, a família mudou no mês de agosto deste ano, sem deixar o endereço novo ou se despedir. A informação preliminar é de que os familiares se mudaram para Dourados, onde a mãe do Maníaco estaria trabalhando em uma escola. Em Rio Brilhante, ela era coordenadora da escola onde o Maníaco estudava.

Quando o adolescente foi apreendido pelos crimes, no dia 9 de outubro de 2008, a família também deixou a casa após o imóvel ser alvo de manifestação de um grupo com cerca de 300 pessoas. Os vizinhos ficaram revoltados ao saber da autoria dos assassinatos e queriam colocar fogo na casa.

Agora, a suspeita é de que os familiares tenham se mudado definitivamente, já pensando na liberdade do Maníaco com o recomeço da vida em uma nova cidade. Revolta contra a mãe - Moradores e familiares das vítimas explicam que a família do Maníaco, principalmente a mãe, também eram vistos como tendo uma parcela de culpa para a autoria dos crimes.

“Uma mãe sabe o que se passa dentro de casa. Como que ela não entrava no quarto dele e via àquelas coisas? Ela disse que ele não deixava ela entrar, mas nem que fosse para limpar ou às vezes, ela ia ter visto, tinha que desconfiar”, questiona a tia da segunda vítima, Márcia Gomes da Silva, de 25 anos.

A mãe da segunda vítima lembra que o Maníaco queimou as roupas do filho e da segunda vítima dentro de casa. “Ele tinha as coisas guardadas e depois colocou fogo em casa. Uma mãe vê o que está passando”, diz.

Para ela, se a família do Maníaco tivesse percebido e denunciado o que se passava dentro de casa os crimes poderiam ter sido evitados. As mortes aconteceram no dia 2 de julho, o pedreiro Catalino Cardenas, de 33 anos; 24 de agosto, a frentista Letícia Neves de Oliveira, de 22 anos; e 6 de outubro, a estudante Gleice Kelly da Silva, de 13 anos.

No quarto do adolescente foram encontrados posters do Maníaco do Parque e de um diabo.Havia também revistas pornográficas, CDs, um envelope de cor azul, dentro do qual havia um papel com nome das vítimas, escrito em vermelho, três jornais com reportagens sobre os assassinatos e pertences das vítimas – como roupas e celulares.

Na época, em depoimento à Polícia, a mãe do Maníaco negou ter visto os objetos dos crimes em casa e saber das mortes. Ela ainda afirmou que a tragédia tirou a vida não só das vítimas, mas também do seu filho. “Perdi meu filho também”, disse.

A inspetora da escola onde trabalhava, Isabela, garante não acreditar que a mãe sabia dos crimes. A mãe é reconhecida como uma pessoa “muito gente boa e excelente coordenadora”.

“Quando começaram as mortes ela chegava e falava com a gente, nossa que horror coitada dessas famílias. Ela não sabia de nada, com certeza”, diz.

Alguém suspeitava? - Mas em meio a crimes tão brutais, cometido por um adolescente, será que é possível dizer que alguém suspeitava? Entre os vizinhos e uma das tias do Maníaco a resposta é não.

O garoto de 16 anos estudava e trabalhava, aparentemente era educado e nunca tinha se metido em confusão. Segundo as pessoas próximas, o adolescente começou a usar roupas pretas e ter idolatria por coisas demoníacas pouco tempo antes dos crimes.

Ele chegou a fazer primeira comunhão na Igreja Católica e depois, já na adolescência, freqüentou a Igreja Universal. Na época em que foi apreendido, sua mãe disse a imprensa que o filho “ultimamente não andava acreditando muito em Deus”.

Mas o gosto por roupas pretas e o cabelo comprido nunca despertaram a atenção de ninguém. “Ah, ele era normal. Ficava sempre com os amigos aqui por perto”, diz o vizinho, Valdir Nardine, de 27 anos.

No entanto, ele conta que o adolescente adquiriu o costume de ir ao cemitério de madrugada. “Não sei o que eles iam fazer lá”, conta.

A inspetora da escola lembra dele quando freqüentava a Igreja Universal e diz que ele era um menino bom, não acreditando ainda que foi capaz de cometer os assassinatos.

“Um menino tão educado ele era. Não acreditava que ele conseguiu fazer isso”, diz.

Maníaco - O adolescente tinha três contas no site de relacionamento Orkut, uma em nome de Dog Hell, outra para a Banda Apocalipse, que estava em organização e o garoto fazia parte, além de uma com o nome dele e as inscrições: +++ Dark Lacridegue+++ - O suicídio faz com que os amigos e famílias se sintam seus assassinos - Vicent Vangog.

O nome de Maníaco da Cruz surgiu devido a forma que deixava o corpo das vítimas: braças e pernas formando uma cruz.

Para cometer os crimes ele utilizava luvas cirúrgicas. Ele estrangulava as vítimas e terminava de matá-las com faca, arma com a qual ele escreveu INRI (Jesus Nazareno Rei dos Judeus) no peito do primeiro alvo.

O adolescente disse que escolhia as vítimas aleatoriamente e decidia se elas mereciam morrer após “julgá-las” como puras ou impuras, mediante questionamentos sobre valores morais, fé e sexualidade.

Ele chegou a abordar uma menina, cerca de 10 dias antes de matar Gleice, e depois de conversar julgou que ela era pura e merecia continuar viva. A jovem foi liberada sem nenhum machucado físico.

Seis outros adolescentes foram indiciados pela Polícia Civil por participação nas mortes. A investigação apontou que os amigos do Maníaco sabiam dos assassinatos, porque ele fazia questão de contar em detalhes, mas não disseram nada à Polícia. O grupo faria parte de uma seita demoníaca, liderada pelo Maníaco.

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