Menu
Busca segunda, 26 de outubro de 2020

Temer: PMDB escolherá outro ministro 'ficha limpa' como Rossi

17 agosto 2011 - 23h09Por Terra

O vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou ontem que o Ministério da Agricultura continuará sob responsabilidade dos peemedebistas e que os caciques do partido irão escolher entre quatro e cinco nomes para ocupar a nova vaga. A nova escolha seria analisada amanhã pela presidente Dilma Rousseff, que, após não ter conseguido que o demissionário Wagner Rossi permanecesse na pasta, pediu que a cúpula do PMDB se reunisse e apresentasse candidatos à vaga. Mais tarde nesta noite, o Palácio do Planalto informou que o secretário executivo do Ministério da Agricultura, José Gerardo Fontelles, assumirá a pasta interinamente em substituição a Rossi.

"O impacto é o Wagner sair muito bem, prestigiado pela presidente, prestigiado pelo setor da agricultura. Não há preocupação em relação a isso. O governo continua trabalhando e continua substituindo aqueles que saíram. Ela terá que ser ficha limpa como foi o ministro Wagner Rossi, porque ele foi capaz de responder a todas as questões sem deixar nenhuma dúvida em relação aos questionamentos", defendeu Temer após reunir integrantes do partido. Novas reuniões para consolidar o nome do sucessor de Rossi deverão ocorrer ainda esta noite no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente.

Conforme relato de Temer, a presidente fez um apelo no início da noite para que Wagner Rossi não deixasse o governo, mas o peemedebista alegou estar sendo pressionado por sua família. "(Saiu) Por razões familiares, a família o pressionou enormemente depois de ele ter saído maravilhosamente em todas as entrevistas, na Câmara Federal, no Senado Federal, de ter defendido não só sua dignidade pessoal, mas especialmente sua atuação no ministério. Pediu-me que o levasse à presidente Dilma, eu o levei e ele foi com uma carta pedindo a demissão. Imediatamente a presidente Dilma insistiu muitíssimo para que ele permanecesse, salientando que ele é um dos melhores ministros do governo. Ela lamentou muitíssimo e me pediu que reunisse o PMDB e indicasse até amanhã de manhã um novo ministro para substituir o Wagner Rossi", disse Michel Temer.

A queda do ministro da Agricultura

Em decisão que surpreendeu a própria presidente Dilma Rousseff, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), pediu demissão no dia 17 de agosto de 2011, após uma série de denúncias contra sua pasta e órgãos ligados a ela. Em sua nota de despedida, ele alegou que deixava o cargo a pedido da família e afirmou que todas as acusações são falsas, tendo objetivos políticos como a destituição da aliança de apoio à presidente e ao vice, Michel Temer.

A revista Veja publicou, no final de julho, denúncias do ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Oscar Jucá Neto de que um consórcio entre o PMDB e o PTB controlaria o Ministério da Agricultura para arrecadar dinheiro. O denunciante é irmão do senador Romero Jucá, líder do governo no Senado, e foi exonerado após denúncia da própria revista de que teria autorizado o pagamento de R$ 8 milhões a uma empresa "fantasma". Outra reportagem afirmou que um lobista, Júlio Froés, atuaria dentro da pasta preparando editais, analisaria processos de licitação e cuidaria dos interesses de empresas que concorriam a verbas. Segundo a revista, o homem teria ligações com Rossi e com o então secretário-executivo do ministério, Milton Ortolan. Ambos negaram envolvimento, mas Ortolan pediu demissão em 6 agosto. Em seu lugar foi escolhido o assessor especial do ministro José Gerardo Fontelles, que acabou assumindo o lugar do próprio Rossi interinamente.

No dia 16 de agosto, o Correio Braziliense publicou reportagem que afirmava que Rossi e um filho sempre são vistos embarcando em um jato da empresa Ourofino Agronegócios. Conforme a publicação, o faturamento da Ourofino cresceu 81% depois que a empresa foi incluída como fornecedora de vacinas para a campanha contra a febre aftosa. O ministro admitiu que pegou "carona" algumas vezes na aeronave, mas negou favorecimento à empresa e disse que o processo para a companhia produzir o medicamento teve início em 2006, antes de ir para o ministério. Contudo, a Comissão de Ética da Presidência anunciou que iria analisar a denúncia. Por fim, no dia em que Rossi decidiu pedir demissão, o ex-chefe da comissão de licitação da pasta Israel Leonardo Batista afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, que Fróes lhe entregou um envelope com dinheiro depois da assinatura de contrato milionário da pasta com uma empresa que o lobista representava. A Polícia Federal instaurou um inquérito para tratar o caso.

Deixe seu Comentário

Leia Também

COTAÇÃO
Dólar fecha em queda nesta segunda-feira
SAÚDE
Doença falciforme é tema de evento desta terça-feira
AMAMBAI
Polícia Militar Rodoviária apreende 654 kg de maconha em veículo acidentado na rodovia
CONECTANDO VIDAS
Projeto chega a MS com a missão de facilitar contato entre pacientes covid e familiares