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Wilder Morais toma posse como senador na vaga de Demóstenes Torres

13 julho 2012 - 13h10
Uol

De forma rápida e inesperada, o primeiro suplente do senador cassado Demóstenes Torres tomou posse na manhã desta sexta-feira (13) no plenário do Senado, assim que foi aberta a sessão. Wilder Pedro de Morais (DEM-GO), 44, assinou o termo de posse e fez o juramento previsto no regimento interno da Casa.

"Prometo guardar a Constituição Federal e as leis do país, desempenhar fiel e lealmente o mandato de senador que o povo me conferiu e sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil", afirmou. Morais é sócio de uma construtora e, ao mesmo tempo, acumulava o cargo de secretário de Estado de Infraestrutura de Goiás, no governo de Marconi Perillo (PSDB).

A posse de Wilder surpreendeu os próprios senadores. Segundo a Agência Senado, ele ligou hoje cedo para os integrantes da Mesa, comunicando que estava em Brasília e que desejava tomar posse. O 4º secretário, senador Ciro Nogueira (PP-PI), conduziu a rápida cerimônia de posse.

Assistiram o juramento os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e Ana Amélia (PP-RS). Encerrada a cerimônia de posse, o novo senador retirou-se do plenário.

Morais tinha até 60 dias para tomar posse, mas assumiu o cargo 24 horas depois da cassação de Demóstenes ser publicada no "Diário Oficial" do Senado. Com a posse, o novo senador terá mais seis anos e meio de mandato --o que restava para ser concluído por Demóstenes.

A posse inesperada foi interpretada como uma manobra para fugir da imprensa, já que Morais --assim como o ex-senador-- também é acusado de envolvimento com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, pivô da crise que destruiu a imagem de Demóstenes. O novo senador, aliás, é ex-marido de Andressa Mendonça, atual mulher de Cachoeira.

Em áudios da Polícia Federal divulgados pela "Folha de S.Paulo", Morais chama Cachoeira de "Vossa Excelência" e atribui ao contraventor sua entrada na carreira política --tanto na suplência de Demóstenes quanto na secretaria de Goiás.

Morais afirmou ontem, no Twitter, que as indicações não partiram de Cachoeira. "Áudio exibido pela imprensa mostrando Carlos Cachoeira dizendo q (sic) me indicou a suplente e secretário é fragmento de uma conversa... Discutíamos sobre questões de foro íntimo, que resultou na minha separação da esposa. Ao contrário do que vem sendo divulgado, meu real propósito não foi mostrar gratidão, mas pôr fim a uma conversa constrangedora. Se a íntegra da conversa fosse divulgada, a interpretação dos fatos certamente seria outra", postou.

Perfil
Com a cassação de Demóstenes, na última quarta-feira (11), o DEM recuperou sua vaga no Senado. Morais é sócio de uma construtora e, ao mesmo tempo, era secretário de Estado de Infraestrutura de Goiás.

Dono de um patrimônio declarado no Tribunal Superior Eleitoral de R$ 14,4 milhões, ele é um empresário do setor de construção civil e sócio da construtora Orca, responsável por grandes empreendimentos espalhados no Centro-Oeste, entre eles shoppings e hipermercados.

Admirador declarado de Demóstenes no passado, Morais chegou a doar R$ 700 mil para a sua campanha de senador em 2010 --com tal valor, ele aparece como segundo maior doador de campanha do ex-senador. Levado, então, para a política pelo amigo, Morais assumiu o seu primeiro cargo público como titular da Secretaria de Infraestrutura no governo de Marconi Perillo (PSDB-GO) no início do ano passado.


Perillo, por sinal, já teve que explicar na CPI do Cachoeira o seu envolvimento com o bicheiro e a suposta influência dele no governo do Estado e Wilder provavelmente também deverá ser cobrado pela sua relação próxima com Cachoeira.

O contraventor participou de jantares promovidos na casa do empresário e teria sido justamente num desses encontros que conheceu Andressa. Os dois casais (Morais e Andressa, e Cachoeira e a ex) eram amigos e costumavam sair juntos antes de Andressa resolver trocá-lo pelo bicheiro. Morais é pai dos dois filhos de Andressa, que ganhou o título de “musa da CPI”.

Segundo seu perfil na página da Secretaria de Infraestrutura de Goiás, Wilder Morais nasceu em Taquaral de Goiás e é formado em Engenharia Civil pela Universidade Católica de Goiás. O cargo de secretário de Estado de Infraestrutura é a sua primeira experiência na vida pública. Além disso, Morais é também presidente do Conselho de Administração da CelgPar.

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