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Em oficina de presídio, detentas da Capital confeccionam lençóis para o Hospital de Câncer

08 janeiro 2019 - 14h45Por Da redação

No ritmo frenético das máquinas de costura, reeducandas do Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi” (EPFIIZ), na Capital, estão dedicando horas de trabalho diário para cumprirem a meta de confeccionarem 2 mil novos lençóis, que irão atender leitos do Hospital de Câncer Alfredo Abraão, beneficiando diretamente pacientes que lutam contra a doença.

A iniciativa é uma parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), Rede Feminina de Combate ao Câncer e o hospital e tem como foco unir a ocupação produtiva e aperfeiçoamento profissional de detentas em prol da sociedade.

Há cerca de três meses, nas mãos das internas, tecidos previamente cortados recebem os acabamentos necessários. Os trabalhos integram outra ação bastante positiva: a confecção no presídio de perucas para mulheres em tratamento contra o câncer. “As custodiadas que também costuram as perucas estão utilizando seus conhecimentos para confeccionarem os lençóis, que é nosso foco neste momento”, explica a chefe do setor de Trabalho do EPFIIZ, Michele Aparecida Fruhauf, responsável por coordenar as atividades.

No momento, três custodiadas atuam na produção e recebem remição de um dia na pena a cada três de serviços prestados, conforme estabelecido na Lei de Execução Penal. Em média, são confeccionados 60 lençóis por semana.

A interna Rosilene da Silva Floriano, 37 anos, é uma das costureiras. Há 9 meses ela trabalha com a confecção das perucas e agora está empenhada na costura de lençóis. A custodiada revela que não sabia nada da arte de costurar e aprendeu as técnicas todas no estabelecimento penal. “Achei ótimo, pois é uma nova profissão que aprendo e posso desempenhar lá fora”, comemora.

Natural de Santa Catarina, Elaine Soares Matias, 52 anos, é a companheira de labor na oficina há dois meses e vê o trabalho que contribui com a população como muito significativo. “Para mim está sendo bom saber que estou ajudando outras pessoas e, ao mesmo tempo, estou remindo minha pena”, afirma.

A representante da Rede Feminina, Dirce da Silva Ramos, que semanalmente vai até a unidade prisional acompanhar os trabalhos, comenta que, inicialmente a proposta seria de mil unidades a serem produzidas no presídio, mas foi preciso refazer os cálculos e dobrar a produção.

Ela também é responsável por acompanhar de perto a confecção das perucas e avalia essa parceria com o presídio como muito positiva.

“Necessitamos destes materiais e encontramos aqui no sistema penitenciário o apoio que precisamos”, agradece, destacando o empenho da direção do presídio e equipe de servidores para que o projeto aconteça.

Segundo o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, a equipe de servidores da instituição tem se empenhado para tornar possível a realização de projetos que beneficiam a população fora dos muros da prisão. “São várias as ações que a Agepen realiza, envolvendo obras em prédios públicos, hortas sociais, fabricação de brinquedos, de cadeiras de rodas etc”, detalha, reforçando que é uma forma do sistema penitenciário ter também este caráter retributivo e social.

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