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DOURADOS

Reeducandas ampliam oportunidades de trabalho ao saírem da prisão

09 janeiro 2019 - 09h30Por Da redação

A certeza da possibilidade de um futuro melhor e a conquista de uma nova profissão resumem os sentimentos das reeducandas do Estabelecimento Penal Feminino de Regime Semiaberto de Dourados (EPFRSAA-D) durante o encerramento do “Curso de Formação Profissional para Jardineiro”. Ao todo, 30 mulheres concluíram a capacitação, que contou com carga horária de 345 horas/aula e representou oportunidade de ocupação lícita e rentável às internas dentro e fora da prisão.

“Para muitos o diploma que estamos recebendo pode parecer um simples pedaço de papel, mas para nós representa um futuro”, destacou a reeducanda Maria Arlete de Souza Soares durante a solenidade de encerramento. “Essa formatura mostra que realmente somos tratadas como seres humanos e mulheres em busca de uma vida longe do crime”, complementou agradecendo a oportunidade recebida.

A iniciativa foi realizada por meio da parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), 3ª Vara Criminal de Dourados e Ministério Público. A qualificação foi idealizada pelo juiz César de Souza Lima e o promotor Juliano Albuquerque, devido à escassez de profissionais qualificados na área na região de Dourados.

“Após contato com arquitetos da região, constatamos que havia muita falta de especialista em paisagismo, desta forma, achamos de extrema importância proporcionar esse curso para as mulheres em situação de prisão, já que anteriormente foi oferecido curso de cultivo de horta”, afirmou o juiz César, antigo titular da 3ª Vara Criminal, e que hoje responde pela 2ª Vara da Família. “Todas tiveram um ótimo aproveitamento das aulas e acreditamos que terão atividade remunerada garantida assim que conquistarem a liberdade”, ressaltou.

Nos últimos anos,  foram realizados 29 cursos na unidade penal com o apoio do Poder Judiciário. “É importante oferecermos vários cursos, pois cada pessoa tem uma habilidade diferente. A capacitação profissional aumenta a autoestima das internas, que se sentem mais valorizadas. Já temos alguns cursos previstos em artesanato, peruca e bijuteria”, informou ainda o juiz César de Souza Lima.

Presente no evento, o diretor-presidente da Agepen, Aud de Oliveira Chaves, parabenizou a todos os envolvidos pelo desenvolvimento da iniciativa. “Isso demonstra o quanto o envolvimento das parcerias e as colaborações são importantes para a Agepen, que são essenciais para alcançarmos a nossa missão que é a ressocialização de detentos”, disse destacando que em quase dois anos de gestão foi possível dobrar o número de parcerias com empresas privadas e órgãos públicos, que é uma forma de proporcionar trabalho remunerado e remição da pena aos custodiados.

Com aulas teóricas e práticas, as internas aprenderam sobre plantio, manutenção e paisagismo, além de adquirir conhecimentos sobre o PH do solo, cultivo, adubação, organização de viveiros, poda, controle de pragas e produção de plantas ornamentais. A capacitação teve início em agosto e prosseguiu até janeiro, além do certificado as participantes receberam remição na pena por estudo, conforme prevê a Lei de Execução Penal.

Para  a interna Francisca Tenório do Nascimento, o curso foi desenvolvido por ela e as colegas “da melhor forma possível, com muita dedicação e interesse”. “Aprendemos muito e garanto que estamos aptas a exercer as atividades de jardinagem e executamos tudo que nos foi colocado com prazer, só tenho a agradecer pela confiança e por terem acreditado no nosso potencial”, complementou.

Em discurso, a diretora da unidade penal, Luzia Ferreira, ressaltou a motivação e dedicação da coordenadora do curso, Mara Lima, e da instrutora Monad Clemente, para que fosse oferecido essa qualificação profissional de forma tão aprofundada para as internas da unidade. Além disso, parabenizou o empenho de toda a equipe de servidores, o apoio do juiz Cesar e de todos os envolvidos.

A coordenadora do curso e designer de interiores, Mara Lima, frisou que foi uma oportunidade extremamente gratificante, pela resposta e o interesse que as alunas demonstraram durante as aulas. “Foi árduo, foi puxado, mas elas superaram nossas expectativas e realmente abraçaram essa chance com toda força possível”, afirmou parabenizando o esforço das participantes. “A sementinha foi lançada, basta vocês cultivarem”, incentivou.

Já o promotor da 8ª Promotoria de Justiça de Dourados, Juliano Albuquerque, destacou principalmente o caráter humanizado do presídio, que oferece cursos e oportunidades de trabalho às internas.

Os trabalhos de jardinagem feitos pelas internas do semiaberto feminino de Dourados estão disponíveis para a venda no presídio. São Kokedamas, plantas em vasos ornamentais, entre outros, tudo com preços especiais.

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