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CAMPO GRANDE

Reeducandas participam de ações da ‘Justiça pela Paz em Casa’

17 março 2019 - 09h35Por Da Redação

Relacionamentos abusivos, muitas vezes, são a causa do envolvimento de mulheres no mundo do crime. São esposas, namoradas e mães que, diante da violência física ou psicológica, acabam reproduzindo a conduta delituosa. Dentro deste contexto, o sistema penitenciário atualmente é o “lar” de muitas mulheres que cresceram ou conviveram intensamente com a violência dentro de suas próprias casas.

Com a proposta de levar conscientização e fortalecimento a esse público, presídios femininos de Campo Grande foram integrados nas ações da 13ª semana da “Justiça pela Paz em Casa”, com a apresentação de palestra pela juíza Jacqueline Machado a reeducandas que cumprem pena nos regimes semiaberto e fechado. Ao todo, 65 internas participaram da ação esta semana.

Com o tema “Violência contra a mulher – desigualdade de gênero”, a magistrada que também é coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar de MS, falou sobre as formas de abuso – “sejam os que deixam marcas no corpo ou na mente” – e como enfrentar esta situação.

Conforme a palestrante, muitas mulheres, que são vítimas, acabam se sentido culpadas por aquela situação, não tomam nenhuma atitude e continuam vivendo na condição abusiva. “Muitas vezes, elas convivem com tanta violência que acabam naturalizando isso e reproduzindo para seus filhos. Então é muito importante que esse ciclo de violência seja quebrado”, destacou.

A magistrada ressaltou que as informações repassadas buscam que, essas mulheres em situação de prisão, se conscientizem, repensem suas vidas e seus relacionamentos. “Para elas saírem daqui e viverem realmente a ressocialização precisam superar todos os traumas decorrentes das violências sofridas”, defendeu Jacqueline Machado.

A diretora do Estabelecimento Penal Feminino de Regimes Semiaberto e Aberto da capital, Cleide Freitas, classificou a palestra como uma ‘orientação para a vida delas’. “Fortalece estas mulheres, e ajuda a tirar delas este sentimento de culpa, além de evitar que sejam coagidas a prática de crimes”, comenta a dirigente.

Durante os encontros foi explicado que o berço de toda essa violência contra a mulher incide no mundo machista e patriarcal que a sociedade ainda vive. “Infelizmente, as mulheres ainda são vistas como propriedades. Desta forma, devemos mudar conceitos e a forma de educar nossos filhos, ressaltando a igualdade entre os sexos, o respeito e tolerância – que são a base para se viver harmonicamente com outras pessoas”, complementou a juíza.

Segundo a diretora do Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi, Mari Jane Boleti Carrilho, este tema é de extrema importância dentro das unidades penais femininas, já que leva conscientização e empoderamento às mulheres. “Existem inúmeras formas de violência e elas precisam conhecer quais os tipos, como denunciar e que existem toda uma rede de apoio para elas também”, argumentou.

Para a interna Fabiane Nunes Lima, 22 anos, esse assunto foi relevante, já que vivenciou tempos de violência e relacionamento abusivo. “Inclusive esta relação me trouxe até aqui, larguei minha filha de três anos e minha família em Rondônia para tentar viver com uma pessoa, que parecia ser boa, mas acabou se transformando em algo muito ruim. Me arrependo de não ter denunciado antes, fui coagida a fazer coisas que não eram da minha índole, mas aqui me sinto muito melhor do que quando estava em liberdade ao lado dele. Agora, só penso em cumprir minha pena e estar com minha família, ao lado da minha filha”, desabafou a reeducanda que cumpre pena por tráfico de drogas há quase dois anos.

Também foram abordados sobre a Lei Maria da Penha e as medidas protetivas, como o afastamento do agressor do lar e a proibição de aproximação e contato. E explicado que em caso de descumprimento e, se comunicado ao juízo competente, o agressor deverá ser preso. Ao final, as participantes receberam cartilhas explicativas e sorteio de brindes como camisetas e livros relacionados ao tema.

Participaram do encontro as chefes de Divisão da Agepen, Marinês Savoia (Promoção Social), Elaine Cecci (Trabalho) e Rita de Cássia Argolo Fonseca (Assistência Educacional); além de servidoras penitenciárias.

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