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Acupuntura pelo SUS crescem quase 7 vezes em 5 anos

10 janeiro 2013 - 14h40
G1



Um levantamento feito pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostra que o número de sessões de acupuntura feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado cresceu quase sete vezes em cinco anos. Em 2011, foram 264,4 mil aplicações de agulhas com fins terapêuticos, contra 39,6 mil em 2007.

Em 2012, a média mensal de sessões de acupuntura teve um aumento de 11% em relação ao ano anterior. Até setembro do ano passado, quando há dados disponíveis, haviam sido feitas 219,9 mil aplicações dessa técnica da medicina tradicional chinesa na rede pública paulista.


Segundo dados da secretaria, 221 unidades de saúde do estado oferecem esse serviço. As indicações mais frequentes são para problemas como ansiedade, insônia e dores agudas ou crônicas (enxaqueca, fibromialgia, dor na coluna lombar, hérnia de disco, artrite e artrose).

O acupunturista e fisiatra Marcos Yudi Yamamoto, do Hospital do Coração (HCor), explica que, para quem tem dor crônica, o método pode apresentar resultados em três a sete sessões. Já para casos de dor aguda, a crise em geral melhora na mesma hora.

"A acupuntura serve para tratar a dor, não a doença. Por isso, o paciente precisa primeiro de um diagnóstico clínico, para saber o que tem. Também indicamos exercícios e condicionamento físico como forma de prevenção", destaca o médico.

Dependendo de cada caso, a pessoa pode fazer uma ou duas sessões por semana, ou até uma por mês. E a maioria dos adeptos das "agulhadas", segundo Yamamoto, é do sexo feminino. O fisiatra diz que as "picadinhas" na pele são suportáveis, mas os homens têm mais medo. Cada agulha é esterilizada e descartável, de uso único.

"As contraindicações são para pessoas com problemas de coagulação do sangue ou deficiências nos glóbulos brancos, que afetam o sistema imunológico", alerta. Mas pacientes com HIV que estejam em tratamento com antirretrovirais podem fazer acupuntura normalmente.



Indicação para casos de câncer

A acupuntura também tem sido recomendada para pacientes com câncer, pois alivia os sintomas da quimioterapia, como náusea, vômito e boca seca. O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) oferece o serviço desde 2009 para pessoas que estão em tratamento.

Segundo a fisiatra Rebeca Boltes, que montou o Ambulatório de Acupuntura do Icesp e atua na área de reabilitação, a técnica pode ser iniciada em qualquer etapa da doença e serve para todos os tipos de tumor. Além de agulhas, eles fazem auriculoterapia, que envolve a aplicação de sementes em pontos específicos da orelha.

"Muitas pessoas já sentem um alívio na primeira sessão. Mas isso depende da gravidade e do tipo dos sintomas, e também da idade do paciente", diz Rebeca.

De acordo com ela, depois da China, o Brasil é um dos países onde mais se faz acupuntura.

O ambulatório do Icesp atende cerca de 60 pessoas por semana. Aquelas que terminam o tratamento do câncer e desejam continuar a acupuntura são encaminhadas para alguma unidade pública perto de casa.



Quem pode aplicar?

A discussão sobre qual profissional pode indicar e fazer acupuntura tem sido ampla, e tramita desde 2002 no Congresso com o projeto do Ato Médico. Segundo Rebeca, como a técnica é feita muitas vezes em pessoas doentes, é preciso checar antes a indicação, as contraindicações e os riscos.

"A gente acredita que a acupuntura feita só por médicos possa ser uma contribuição, para aumentar a segurança. Mas há os profissionais não médicos, como fisioterapeutas, chineses e outros especialistas, que trouxeram a acupuntura para o Brasil, atuam nisso há anos, têm conhecimento e tradição.

Eles também deveriam ser avaliados e absorvidos", afirma a fisiatra.
De acordo com ela, porém, a medida deveria valer apenas para os profissionais que já atuam na área, e não daqui para frente.

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