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Axl Rose faz 4 páginas de pedidos para o camarim no Rock in Rio

20 setembro 2011 - 15h50
Axl Rose faz 4 páginas de pedidos para o camarim no Rock in Rio

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Axl Rose foi e continua sendo o artista que dá mais trabalho. É a constatação de Ingrid Berger, coordenadora de backstage do Rock in Rio, cuja quarta edição brasileira começa neste fim de semana. A corrida vida no meio da produção é a paixão da senhora de olhos claros e sorriso fácil, responsável por atender aos pedidos mais extravagantes dos artistas que se apresentarão no festival.

Acesse o especial Rock in Rio

De 1991, a primeira edição em que atuou nos camarins como produtora da MTV, para cá, a grande mudança, segundo ela, é no cardápio dos astros. A “junk food” deu lugar, em boa parte dos camarins, aos alimentos orgânicos. Outra evolução se refere ao profissionalismo. Ficou mais fácil atender aos pedidos, que se tornaram menores e mais simples, com algumas exceções como o vocalista do Guns N’ Roses, banda que fecha o festival, no dia 2 de outubro, domingo.



Ingrid conta que as excentricidades das estrelas do rock, pop ou heavy metal diminuíram consideravelmente em um mundo musical menos romântico e mais profissional. A globalização também ajuda, conta a produtora, pois já não é difícil achar artigos importados nos shoppings e supermercados cariocas. A parte mais complicada é não poder prever o que acontecerá nos dia dos shows.

"A gente tem todas as informações que são passadas anteriormente, o que o artista vai querer, o que vai comer, quantas toalhas, se tem alergia a alguma coisa... Mas quando chega o dia, pode mudar tudo. Tenho uma equipe grande, tem um cara que sai correndo para comprar o elefante branco que pediram em cima da hora. Tem camareira, passadeira, estoquista...”, afirma.

Águas vulcânicas

Problema, para Ingrid, tem nome. Ela lembra dos caprichos de Prince na segunda edição do Rock in Rio, em 1991, e também de Axl Rose que, de acordo com a produtora, pouco mudou em relação ao cantor de duas décadas atrás.

“Já tive muito problema, o Axl é imprevisível, a gente nunca sabe o que ele quer. Em 91, foi o Prince que deu trabalho. Quando ele queria sair para comer em um restaurante, tinha de fechar tudo para ele comer sozinho. Há pessoas que querem águas vulcânicas, outras querem água de Fiji, milhões de toalhas, comidas específicas, um tem intolerância a glúten, o outro tem alergia a frutos do mar. Cada dia é uma gincana”, diz a produtora. “No Rock in Rio 2001, aquele pessoal mais jovem como Britney Spears deu trabalho também. Eram muitas exigências, muita segurança, nada podia”, continua.

Cerveja tcheca para o Axl

Ao responder sobre quem seria o mais chato da lista de artistas, ela não hesita. “Continua ganhando o Axl Rose. Ele sozinho tem quatro páginas de pedidos. É uma quantidade de coisas que não cabe nem dentro do lugar que ele vai ficar. Bebida, champagne só Cristal ou Krug, cerveja australiana Buddha Beer, uma cerveja tcheca que eu não acho de jeito nenhum. É uma gincana, saio com uma lista e tenho de achar”. Se não conseguir, a produtora avisa ao manager, não fala diretamente com artista.

Questionada se ainda existe uma espécie de segregação no backstage, por exemplo, entre artistas brasileiros e grandes nomes internacionais, ela afirmou que não há uma separação específica em relação aos músicos locais.

“A segurança bloqueia tanto que eles nem veem quem está do lado. Mas houve alguns Rock in Rio na Europa que foram fantásticos. Em 2006 e 2008, os artistas conversavam no lounge. O Sting conversando com o Colin Hay (Men at Work), o James Taylor batendo papo, foi muito legal. Já aqui vi, por exemplo, no dia em que o Neil Young tocou na última edição no Brasil, todos os artistas ficaram no palco para assistir. Entre eles também rola esse negócio de ídolo”, conta Ingrid que, apesar de não procurar por isso, desenvolveu uma amizade com alguns dos artistas.

“Não faço só Rock in Rio, então acaba que acontece uma aproximação em algum momento. Sting é um, Chris Martin do Coldplay, Santana, o Jack Johnson veio tirar uma foto comigo, de vez em quando acontece uma amizade”, conta Ingrid.

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