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Banho de sangue no estádio de Porto Said não foi puro acaso

Banho de sangue no estádio de Porto Said não foi puro acaso

04 fevereiro 2012 - 07h28
DA DEUTSCHE WELLE, NA ALEMANHA


Apesar de todas as falhas, conselho militar se afirma como única garantia de ordem no Egito. Circunstâncias de choques entre jogadores e torcedores deixam muitas questões em aberto, opina articulista da DW Loay Mudhoon.

Para o governo militar do Egito, os choques sangrentos entre os torcedores dos clubes de futebol Al Ahly, do Cairo, e Al Masry, de Porto Said, na quinta-feira (02), não passaram de um "lamentável incidente esportivo".

Porém são numerosos os indícios de que a orgia de brutalidade em Porto Said tenha sido encenada. Seja como for, a violência aberta dos fãs resultando em mais de 70 mortos e centenas de feridos se encaixa nos planos dos militares.

Nos Estados árabes sob regime autoritário, as mesquitas e os estádios de futebol são praticamente os únicos locais onde as pessoas podem se expressar de forma relativamente livre, já que essas instituições escapam ao controle do aparato de segurança estatal.

E esse é possivelmente o motivo por que torcedores e frequentadores de mesquitas desempenham um papel central nos levantes do mundo árabe.

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