sexta, 23 de fevereiro de 2024

Brasil desenvolve primeiro mosquito transgênico para controle da dengue

15 maio 2012 - 08h58Por Isaúde.net
Pesquisadores do interior da Bahia estão combatendo o Aedes aegypti com a criação de mosquitos transgênicos. Os testes científicos, iniciados há um ano, buscam viabilizar a utilização de mosquitos transgênicos para reduzir a população dos insetos transmissores do vírus da dengue.

Os primeiros resultados foram apresentados à comunidade científica nacional e internacional, recentemente, em Juazeiro, situado no extremo norte da Bahia, onde está localizada a Biofábrica Moscamed Brasil - empresa que já desenvolve mosca transgênica para o controle de pragas que prejudicam a fruticultura irrigada no semi-árido nordestino, com a Universidade de São Paulo (USP) e com Oxitec, empresa incubadora da Universidade de Oxford.

Os primeiros experimentos científicos do mosquito transgênico anti-dengue foram realizados no bairro de Itaberaba, que detém cerca de dez mil habitantes, o segundo maior bairro em extensão de Juazeiro, onde são liberados por semana 500 mil mosquitos machos modificados geneticamente (Aedes aegypti) com intuito de combater a proliferação das fêmeas, principalmente adultas, transmissores do vírus da dengue. Esses mosquitos carregam um gene responsável pela morte das larvas durante seu desenvolvimento. O macho transgênico modificado passa essa informação para sua prole, o que a impede de atingir a fase adulta.

"É o adulto que faz a transmissão [do vírus], que toma sangue e que, na verdade, é o problema [da dengue]", disse a coordenadora do projeto científico, Margareth Capurro, bióloga da Universidade de São Paulo (USP) ao Jornal da Ciência. "São liberados apenas machos, que transmitem a letalidade, para cruzarem com as fêmeas. As fêmeas são os que picam e os que transmitem a doença", disse

Desempenho dos mosquitos

Com os rituais científicos, a pesquisadora calcula que mais da metade dos filhos dos mosquitos (de Itaberaba) já são transgênicos. "Podemos dizer basicamente que 80% da prole dos mosquitos já são transgênicos e que vão morrer. A morte desses é questão de dias, morrem ainda em larvas antes da fase adulta", explicou.

Ao falar dos resultados e seus impactos no controle da dengue, a cientista adianta: "Estamos com bons resultados em Itaberaba, cuja fase de testes, iniciada há um ano, deve terminar logo", acrescenta. Porém, de acordo com ela, ainda é cedo para se pensar como um programa de controle do vírus dengue. Pelo projeto aprovado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), os testes serão realizados em cinco bairros de Juazeiro, cidade com cerca de 230 mil habitantes. Testes foram iniciados nesta semana no bairro Mandacaru.

As escolhas determinantes de Juazeiro para a realização de testes de avaliação do mosquito transgênico é a localização da cidade, no sertão baiano, onde os mosquitos poderiam ser controlados com eficácia e a localização da Moscamed, que já libera machos estéreis para o controle da mosca da fruta.

Tendência internacional

Outros países começam a fazer testes com os mosquitos transgênicos. Mas ainda não consideram como um programa de combate à dengue. Exemplo são as Ilhas Cayman, os primeiros que fizeram uma liberação de mosquitos transgênicos, há dois anos; e a Malásia.

Deixe seu Comentário

Leia Também

GERAL

Antropólogos propõem incluir povo indígena em debate sobre bioeconomia

GERAL

Estudo aponta impacto etnorracial no desenvolvimento infantil

GERAL

STF pode agendar audiências para debater revisão da Lei da Anistia

INVESTIMENTO

Ministra do Departamento Econômico e Comercial da China vem a MS prospectar negócios