terça, 27 de fevereiro de 2024

Governo zera IPI de carro 1.0 e baixa custo de empréstimos para reativar economia

22 maio 2012 - 09h45Por Estadão
Diante do desempenho fraco da economia, o governo anunciou ontem um pacote de R$ 2,7 bilhões para estimular o consumo, principalmente o de automóveis, e a aquisição de máquinas e equipamentos. Como fez na crise de 2008 e 2009, o Planalto cortou impostos, liberou mais dinheiro para empréstimos e reduziu juros. Ainda assim, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que será difícil crescer 4,5% este ano.

As medidas foram costuradas com os setores produtivo e financeiro, num compromisso 'inédito', segundo Mantega. Para reduzir o estoque das montadoras, o governo zerou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos automóveis de até 1.000 cilindradas e arrancou das montadoras um compromisso de reduzir a tabela em 2,5%. Com isso, o preço final dos populares deve cair cerca de 10%. Para os modelos com motor de mil a 2 mil cilindradas, a expectativa é que o preço final sofra redução de 7%.

'Isso atende à demanda do setor', disse o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini. 'Os estoques estão altos e é preciso fazer girar a máquina da indústria automobilística.'

A redução vale até o fim de agosto e o governo estima que deixará de arrecadar R$ 1,2 bilhão no período. As montadoras se comprometeram a não demitir durante a vigência do acordo. Para os modelos importados, continua valendo a alta de 30 pontos porcentuais no IPI.

Os bancos se comprometeram a reduzir a entrada e os juros, além de alongar prazos nos financiamentos. Em troca, serão liberados R$ 18 bilhões que hoje as instituições têm de manter no Banco Central e que não recebem juro, disse o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes. Na prática, o governo redirecionou ao setor de veículos o benefício dado aos grandes bancos, que depositavam recursos em casas menores. 'Eu confio na indústria automotiva e na Anfavea, e também confio nos bancos', disse Mantega, ao ser questionado sobre o compromisso.

Consumo. O pacote do governo incluiu ainda a redução da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nos empréstimos para pessoas físicas de 2,5% para 1,5%. Com isso, a arrecadação federal vai cair perto de R$ 900 milhões em um período de três meses. Porém, esse corte não tem prazo para acabar. O BNDES também vai reduzir o custo dos financiamentos de bens de capital.

Mais medidas estão a caminho. Mantega pediu à Caixa a simplificação da linha de crédito que permite utilizar recursos do FGTS para a compra de material de construção. Segundo o ministro, essa linha já é oferecida hoje, mas há muitas exigências. Mantega deixou claro que outros setores poderão ser beneficiados. 'Se faltar crédito, vamos liberar mais.

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