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Produtos de beleza para crianças: pode?

Especialistas recomendam cautela

24 setembro 2013 - 15h50
Revista Crescer



A menina vê a mãe se maquiando todo dia de manhã, fazendo as unhas no salão todo sábado e comprando uma pilha de produtos para o cabelo. Inevitavelmente, um dia ela vai perguntar se não pode participar da “brincadeira”. Pode até parecer inofensivo deixar as crianças passarem um pouco de batom, mas o ideal é que isso aconteça com pouca frequência.

Produtos que os adultos usam diariamente, como base, blush, batom e esmalte não são indicados para crianças. “Cosméticos têm muita química e a pele da criança absorve todos esses compostos. Eles podem causar vermelhidão, coceira e manchas” afirma Alessandra Cavalcante, pediatra do Hospital e Maternidade São Luiz (SP). Isso porque a pele da criança é mais sensível que a do adulto e seu sistema imunológico não está maduro o suficiente para lidar com algumas substâncias.



Da mesma forma, produtos para cabelo, como tintura e os usados em escovas progressivas, também devem ficar longe dos menores. Eles são absorvidos pelo couro cabeludo e podem danificar os fios, que são mais finos e frágeis. Fazer escova e chapinha, mesmo que o processo não envolva química, também só de vez em quando. Além de ressecar, eles podem causar queda de cabelo. “Quando tem um casamento, uma festinha, tudo bem pintar a unha sem tirar as cutículas, passar um brilho na boca e escovar o cabelo. Isso só não pode ser uma rotina da criança”, defende Alessandra. Mas lembre-se: só após os 4 anos e com produtos específicos para a criança, com registro no Ministério da Saúde.

Além das questões de saúde, há o problema da introdução precoce de valores estéticos. “Os pais precisam respeitar a beleza dos filhos. Uma menina não sabe que o cabelo liso é mais legal, alguém falou isso para ela. Temos hoje um sério problema de autoestima, porque seguimos um padrão de beleza europeia sem ter corpo de europeia. A gente vive brigando com esse padrão e acaba passando isso para os nossos filhos”, diz Mara Pusch, psicóloga do Centro de Apoio à Adolescência da Unifesp.

Mas é claro que as meninas podem brincar de maquiagem ou andar com o sapato de salto da mãe de vez em quando, desde que elas o façam em clima de brincadeira, sem o compromisso com o que os adultos acham bonito. “Se a criança faz escova progressiva com 10 anos, ela nem tem a oportunidade de descobrir se gosta do seu cabelo”, diz a psicóloga.

Mara orienta os pais a conversarem desde cedo sobre questões de autoestima e valorizar a beleza dos filhos. Outra dica, para as mães que trabalham fora ou se arrumam durante a semana, é tirar alguns dias para ficar de cara lavada, shorts e sandálias de borracha, para mostrar aos filhos que o “natural” também é bacana. Além disso, é importante controlar televisão e jogos para que a criança tenha acesso apenas ao que é adequado à sua faixa etária, evitando assim conteúdos que possam despertar interesses precoces.

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