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Jovem indígena de Caarapó fica em 1° lugar em dois vestibulares para medicina

23 janeiro 2015 - 13h29Por Fonte: riobrilhantenews
A jovem indígena da aldeia Tey’kuê, em caarapó, Dara Ramires Lemes (19) passou em 1° lugar em dois vestibulares para medicina no início de janeiro. O primeiro resultado saiu na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM no Rio Grande do Sul, na qual concorria com 121 pessoas para duas vagas no curso, alcançando o tão desejado 1° lugar.

Na última terça-feira (20) saiu o resultado do vestibular da Universidade Federal de São Carlos – UFSCAR no interior de São Paulo, onde Dara conseguiu fazer 32 pontos de 40 questões. “Estou muito feliz, pois estudei de 8 a 10h por dia, durante um ano, para conquistar isso. Minha ficha ainda não caiu, mas acredito que só vai cair quando eu estiver lá na universidade”, conta a adolescente cheia de expectativas.

Dara durante toda sua vida estudou na escola estadual indígena Yvy Poty, localizada na aldeia Tey’kuê, que foi considerada a escola com a pior nota no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2014 com média 412,65. Porém com o resultado da jovem, a escola perdeu este posto e ganhou destaque, pois apesar do ranking mostrar um resultado negativo, ela tem sim alunos considerados ‘nota 10’.

No Enem, Dara alcançou 760.0 em redação, mostrando que a escola tem professores capacitados. “Desde criança estudei na escola indígena, sempre fui esforçada e os professores nunca me negaram ajuda, sempre que tinha dúvidas eles me ajudavam, e hoje eu devo o resultado dos vestibulares a eles também, pois se não fosse a disponibilidade e paciência deles talvez eu não teria ficado em 1° lugar”, agradece.

Segundo a estudante, uma escola não se faz com professores, mas sim com alunos dispostos a aprender. “Quando eu estudava lá, até durante as aulas vagas eu procurava os professores para tirar algumas dúvidas. E acredito que a escola apareceu com essa nota no Enem por que muitos alunos foram em um dia fazer a prova e no outro não apareceram”, ressalta a estudante indígena.

Dara já decidiu cursar medicina na UFSCAR e diz que seu maior objetivo é terminar o curso e voltar para Caarapó e ajudar sua comunidade pois, segundo ela, há a necessidade de médicos que falam a língua Guarani dentro da aldeia. “Nós indígenas temos uma dificuldade muito grande de se comunicar com o branco e agora para complicar mais ainda nossa dificuldade veio para a aldeia dois médicos cubanos participantes do programa Mais Médicos do governo federal. Ai você pensa, se já é difícil nós se comunicarmos com pessoas que falam o português, imagina com pessoas que falam uma língua mais diferente ainda”, explica.

Ainda segundo a jovem, com sua presença na aldeia, como médica, ela poderá ajudar mais os índios, pois entenderá claramente qual doença está afligindo-os, além disso ela terá uma facilidade maior de comunicação com eles, pois ela já fala a língua e sua família é de lá.

Antes do preparatório para o vestibular, a jovem indígena jogou futebol no Clube Atlético Mineiro em Minas Gerais na categoria adulto por dois anos. “Sempre quis fazer medicina, porém jogava futebol na escola, comecei a participar de torneios e de peneiradas até que fui selecionada para ir a MG e fui. E fiquei lá durante o ensino médio, quando terminei eu resolvi voltar para Caarapó e estudar para o vestibular”, diz.

Agora o futebol ficou como apenas um hobby e se formará em medicina daqui a seis anos de muito estudo. “Eu costumo dizer que enquanto eu estava estudando mus concorrentes estavam dormindo, pois estudei muito apesar das dificuldades. Me dediquei e quanto mais difícil parecia o obstáculo mais eu me esforçava e hoje sou a 1° indígena caarapoense a passar em 1° lugar no vestibular de medicina”, finaliza Dara, contando como conquistou o curso desejado.

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