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Aumento de renda do eleitor reduzirá poder da máquina nas eleições, diz pesquisador

Aumento de renda do eleitor reduzirá poder da máquina nas eleições, diz pesquisador

11 maio 2012 - 09h35Por Marcos Santi/Mídia Max
O pesquisador Paulo Catanante, diretor do Ibrape (Instituto de Pesquisas e Análise de Opinião Publica), acredita que o aumento de renda da população, a melhoria da qualidade de vida dos eleitores, o acesso fácil às informações politicas, dentre outros, irá diminuir o poder da infuência dos politicos e da "máquina administrativa" nas eleições municipais deste ano. Outro aspecto que poderá influenciar no pleito, segundo ele, serão as mídias sociais eletrônicas.

O eleitor está mais moderno, atualizado e mais plugado na internet, acompanhando as notícias e compartilhando nas redes sociais. Pra se ter uma idéia, em Campo Grande, dois terços dos eleitores têm acesso a internet e 38% participam das redes sociais constantemente, segundo ele.

De acordo com Catanante, cerca de 64 mil eleitores da Capital mudaram da classe D/E para a classe C, ou seja, aumentaram suas rendas familiares em cerca de 100%. “Eles em muito contribuirão para decidir o processo eleitoral. São pessoas que estão caminhando com as próprias pernas e representam em torno de 18% do eleitorado da Capital”, explicou o pesquisador.

Para Catanante, o perfil do eleitor tem mudado de acordo com o aumento da renda e a melhoria da qualidade de vida, o que poderá ser refletido nas eleições. Vai ser uma eleição diferente por conta da nova classe C.

"É uma classe que está comprando carro, reformando e mobiliando a moradia, que tem filhos na faculdade, pensa diferente e politicamente está mais consciente. São eles os mais atentos aos comportamentos dos candidatos e do grupo ao qual pertencem, seus atos e feitos", argumentou.

O pesquisador também diz que os eleitores aguardam “novos acontecimentos políticos” para escolherem seus candidatos. “E obras não são acontecimentos políticos”, enfatizou. “Outra coisa é que as pessoas também querem saber quem são os apoiadores dos candidatos para então escolher”, complementou.

Além do crescimento da classe C, Catanante acredita que o aumento de eleitores na faixa etária de 16 a 30 anos pesará nas eleições da Capital. “Mais de 35% das pessoas que irão votar neste ano são jovens”, revelou o diretor do Ibrape, que prevê ainda uma forte influência da mídia eletrônica no pleito. “Os comícios eletrônicos, ou seja, o horario eleitoral gratuito, as redes sociais, notícias na internet, os debates entre candidatos, tudo isso irá influenciar muito na decisão do voto”, avaliou.

Essa dinâmica que ocorre com os brasileiros que chegaram à classe C se repetirá, segundo o pesquisador, com os demais que experimentaram ascensão em outras classes sociais.

Pesquisa não é instrumento para escolher pré-candidato

Sobre o período pré-eleitoral, Paulo Catanante não poupou críticas aos pré-candidatos indicados por meio de pesquisas. "Pesquisa não é ferramenta ideal para servir de base para escolha e definição de candidatura. O correto é o partido, os convencionais e os filiados definirem. Se as pesquisas são instrumentos para escolha do pré-candidato, então não há necessidade de existir partidos politicos, fazer convenções”, declarou.

Para Catanante, “a pesquisa não determina a decisão do eleitor, pesquisa influencia, sim, os investidores de campanhas, ocupantes de cargos eletivos, donos de mídias e empresários. O eleitor tem hombridade, capacidade e inteligência suficiente para decidir em quem votar independente de tabelas de resultados de pesquisas. A decisão soberana é do eleitor. Acho até que é subestimar a inteligência dos membros dos partidos, dos filiados, dos convencionais, usar pesquisa extemporâneas para indicar candidato."

Durante a pré-campanha, o representante do Ibrape defendeu que "as pesquisas extemporâneas devem ser utilizadas apenas para consumo interno de políticos, com objetivo principal de elaborar estudos de viabilidade de candidaturas, pois a pesquisa nada mais é que uma fotografia do momento. Não é época de campanha, o período não é eleitoral, o eleitor não está no clima de campanha,”, destacou.

Ele lembra que em Mato Grosso, quando da primeira campanha de Blairo Maggi, em 2002, ele pontuava com zero na pesquisa e foi eleito e reeleito governador em 2006. Em 1996, André Puccinelli tinha 2% (foi eleito prefeito); o senador Delcídio, em 2002, apareceu na primeira amostragem com 1%. A própria presidente Dilma, quando Lula fez a opção, era desconhecida do eleitorado e tinha apenas 4%.

Ao comentar o cenário em Mato Grosso do Sul, pela a experiencia de Paulo Catanante, o pesquisador afirmou que “aqui é o único lugar do Brasil que pesquisa é quesito para definir pré-candidato, um absurdo e uma deselegância com os membros filiados das agremiações politicas”, finalizou.

O Ibrape este ano completa 28 anos de existência com sede regional em Campo Grande e está presente em cidades de Porto Velho (RO), Manaus (AM), São José do Rio Preto (SP), Campinas (SP) e Marabá (PA).

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